quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A minha carica Bock

Olá Alex,
Não te conhecia. Escreveste-me um dia uma mensagem com a pior notícia que me poderias dar. O teu irmão Simão, esse sim, meu amigo querido havia partido. Assim, do nada, caiu e foi.
Hoje escrevo-te eu. Queria contar-te uma coisa: A carica da Bock está no meu porta-moedas, Alex. O Simão continua a acompanhar-me a cada dia da minha vida. É uma amigo que não vou esquecer nunca.


Ficámos amigos Alex. Primeiro pelo Simão e depois por nós mesmos. Descobri que em Amarante o meu Pedrinho e eu temos uma família, e isso........ 
A seguir à partida do teu irmão, contactas-te não só a mim, mas aos amigos em geral, tocaste certamente cada um em particular, eu sei, estou a usar a frase do Simão, mas na verdade tu, Alex, fizeste a diferença. O Simão não caiu simplesmente na calçada e morreu. Tu levantaste-o e trouxeste-o de novo até ao seio dos seus amigos, hoje teus amigos, asseguro-te. Criaste uma campanha enorme de amor, de alegria, de bondade, da forma como o Simão nos acostumou com aquele sorriso lindo no olhar, com a palavra carinhosa e malandra como só ele sabia ter. 
A Bondade, uma das características do teu irmão Simão, fez-nos amigos. Ele trabalhava em França com jovens e adultos com diferença e conduzia-os a ter uma vida profissional e social. Era para mim um sonho poder existir em Portugal essa oportunidade, aliciei-o muitas vezes em voltar à sua terra e fazê-lo cá... falei nisso até ao 44, lembras-te? 
A tua ideia para a campanha Mais Uma Bock com o Simão foi sempre muito simples: reunir os amigos e de bjeca na mão, bebermos uma pelo Simão. Simples. O que tornou a campanha grande foi ter tantooooooos amigos! Todos foram mandando foto do seu momento em particular e a coisa deu-se!! De todos os cantos do mundo... a net tem destas coisas bonitas, e uniu amigos dos amigos que por definição amigos ficaram. Não é verdade, Ema? 
Alex, sabes que o Simão foi um amigo muito importante para o meu Pedrinho. Sabes... porque te contei, contei ao mundo! Escrevi sobre o #SimãoC um post emocionado (podem reler aqui), não queria acreditar que Deus nos pregasse essa partida e nos roubasse o Simão... 
O meu Pedro ficou muito emocionado com a morte do amigo. Sim ele entende o que é vida e morte, sabe o significado da palavra saudade e sabe o que é ser amigo. Quis fazer parte da tua campanha e isso foi tão bonito!! Tirou uma foto da minha bock com um carrinho seu. Os autistas têm uma forma engraçada de ver a vida, digo engraçada, porque além de usarem de uma maior lógica, juntam-lhe uma boa dose de poesia que nós, os ditos normais passamos por cima como tractores e nem nos damos conta que os "diferentes" somos nós. O Pedro adora carros, é a sua "fascinação" (todos os autistas têm uma) e a base da sua forma de comunicar. Então que melhor forma de representar o próprio Simão se não a de usar o seu carrinho 2CV ? Para nós é apenas um brinquedo? Não. Representa o "Paris de França", representa o azulinho da amizade de ambos, representa o seu amigo Simão no Céu. Comoveu-me tanto... mais tarde pegou na minha carica e fez este desenho. Juntou um outro nosso grande, grande amigo, o Henrique que partiu e candidamente escreveu: "Até sempre aos dois".
Alex, eu guardei a minha carica, sabes? Não foi a da Bock que bebi, não foi. Saí do café muito emocionada nesse dia e, caminhando tropecei em algo. Limpei as lágrimas e não podia acreditar. Eu tropecei numa carica de super bock. Chorei tanto. O malandro do Simão estava ali comigo... Apanhei a carica e fechei-a na mão. Não consegui largá-la e simplesmente guardei-a no meu porta-moedas. Acompanha-me desde então, sabias? Incomoda-me. Porque me pica, quando distraída tiro alguma moeda. Ela pica-me, arranha-me, mas sou incapaz de a deitar fora. Antes, a cada momento que a malandra se faz sentir, eu respondo mentalmente: Bom dia a todos e a ti, Simão, em particular! ou então sorrio e penso: e olha para frente senão cais... 
Obrigada Alex!
Toma lá mais uma, como aqui, tu e o teu irmão juntos.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Porta da dor

Não sabe sobre o que estou a escrever? Sorte a sua. A sério, dê graças ao seu Deus, se num acreditar, porque só quem a atravessa sabe do que falo.
Porque existem locais que não têm bilhete só de ida. Esse o grande bónus desta vida.
À medida que os anos passam por mim e os momentos me entram pelos poros, constato a ironia de pequenos detalhes, do propósito de cada um e o ensinamento que recolho com carinho onde antes via raiva. 
Existe um portal a que prosaicamente chamei há muitos anos de «a porta da dor». Ninguém a escolhe, até pensamos que só acontece ali mais ao lado... mas há vidas, pessoas, que entram por essa porta sem nunca o terem desejado e cujo retorno não existe. É que nem a maçaneta tem do outro lado!, entramos e temos de encarar o caminho que se avizinha. Pode ser um problema com resolução, difícil, mas com fim à vista, ou pode ser algo que vem para ficar. Aprendi que os que não se resolvem, deixam automaticamente de ser problemas, para serem condições - tomam o seu lugar, ajeitam-se e instalam-se - e os solúveis, muitas vezes não basta adicionar água para a coisa se dar. 
Não sei se por defesa minha ou forma de estar, refugio-me no filme paralelo que acompanha a minha vida desde sempre. Como se mesmo ali ao lado decorresse a versão plena de comicidade do momentaneamente sucedido, e assim, quando o tranco fica maior que o suportável, salto e dou escapada para a reacção que estou a ter ali na imediação. Dou muitas vezes como exemplo quem nos pára na rua e pergunta pela desgraça alheia - assim o consideram certamente!, tendo em conta o olhar de comiseração, o abanar compassado da cabecita, e a taxativa "é a sua cruz" - no filme ao lado, eu já uni os dedos da mão esquerda (sim, tenho força esquerdina) e mentalmente acertei em cheio no meio dos olhos. Mas, e talvez pela murraça mental, consigo continuar a sorrir e até afago o braço simpático da senhora, porque sou assim: meiga e de toques, nada bélica. Pois. Ela não sabe nem sonha. E sabem que mais? Ainda bem. Não o desejo a ninguém.
Sei que escrevo demasiado sobre autismo neste blog, pelo menos bem mais do que gostaria. A Ana existe aí algures presa nesta teia que criei à minha volta e gostaria de voltar a ter o meu espaço, 'curtir a minha onda', simplesmente ser gente. 
Mas a porta da dor não é apenas atravessada por quem tem um bilhete premiado com um diagnóstico de autismo. Não me entendam mal. Falo de uma maneira geral de quem a vida prega uma rasteira e nos troca o guião. Não que se tenha direito à partida garantia nenhuma, mas o humano é positivo por natureza (ou assim eu o querer ver por me custar tanto a entender sentires que me ultrapassam como a inveja, o rancor, a vingança). A todos a quem o guião foi substituído num nano-segundo, a todos que ficaram um dia sem chão, a todos cuja vida mudou num estalar de dedos e foram forçados a entrar pela porta da dor, sabem exactamente do que estou a falar, a sentir, a escrever. 
O impacto dessa mudança afecta não só a nossa vivência, se não a dos que nos rodeiam, e convenhamos, cada pessoa tem a sua forma de guerrear com a dor que num ápice tomou posse do lugar de comando. Famílias que se desentendem por atitudes e posturas incómodas para cada um dos lados (porque se fincam posições de bravura, de agonia, de fobia, de fé, de vergonha), casamentos que findam (quando juraram estar presentes na saúde e na doença), até os amigos de sempre trocam de passeio aterrorizados de enfrentar não o amigo, mas a sua insuportável aflição (é tão mais cómodo evitar o incómodo). A dor dói. E o comum dos mortais escolhe olhar para o lado por lhe ser mais fácil. E porque aconteceu a outro que não a si... 
Pode acontecer a qualquer um. A dor chega e entranha-se, como um cravo-cabecinha numa doce casca de laranja. A marca? Nunca sai de lá. Crava-se para além da alma, crava-se para além do que possa anteriormente ter pensado ser dor. Passou a porta? Então vai saber, ou já sabe. Mas ainda assim, afirmo, há uma escolha que pode fazer: Que lado vai escolher? Que postura irá ter? Será como? - de uma forma poética, vá chamemos-lhe assim - Como será a configuração da sua casca de laranja que vai cravar com cravinhos? Vai representá-la como?, em forma de cruz? Ahhh, eu acredito que com o meu bilhete de ida, tenha um de volta, então... eu escolho, escolhi, outro desenho para a minha doce laranja! 


Deixo-vos com as palavras de António Lobo Antunes, numa crónica de que gosto particularmente. Acredito que quem sente a dor de forma mais profunda, compreenderá melhor as suas sábias palavras. 

António Lobo Antunes 
12 de Dezembro de 2013
Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, 
de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele 

O último abraço que me dás

para Luís Costa

O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me

- Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.

A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido

- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento

porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.

O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:

- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.

Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis. Onde só existem Heróis.

Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos.

crónica no original 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Mamã

32 anos hoje. 
Saudade sim. Do que não vivemos. Do que não viste. Tens quatro netos, sabias? Desconfio que sim. Eu senti-te por perto, tantas, muitas vezes.
Trinta anos, demorei a fazer o luto. Demoraste em mim. Só foste quando me sentiste bem. Obrigada por teres ficado quando perdi o fulgor.
Sabes? Sabes. Amo-te.
Até depois.




domingo, 11 de janeiro de 2015

Limpa menos, lê mais

Desde que li que o Dalai Lama um dia disse: «Limpa menos, lê mais» 
Ahhhhhh eu parei mesmo a minha vida louca, corrida e stressadíssima da forma como a conduzia até então, para pensar na verdade subjacente nestas simples palavras. E foi um momento que antecedeu a 'grande viragem', com direito às grandes modificações inerentes tal como às consequências, as boas e as más. 
Verdade que nasci ainda numa geração em que fomos educadas para casar, o tal Síndrome de Cinderela de que todas acabamos por ser de uma forma ou de outra vítimas que, de resto, já escrevi no meu livro MAL ME QUERO (quem tem o acesso ao ebook lê aqui nesta página
Lembro-me de limpar a minha casa duas vezes por semana, talvez pelo vício do cheiro a cera de abelha acabadinha de passar no chão, que veio rapidamente a adquirir aquele tom douradinho que pela hora do pôr-do-sol em diante se espraiava pela madeira, era um espelho lindo e o meu orgulho, a luz quente, o chão da minha casa). Valeu-me de muito o esforço e dedicação quando a minha vida num ápice virou de cabeça para baixo com um diagnóstico que não se deseja nem espera. Toda a grávida sonha com o seu bebé lindinho e perfeitinho. Já sabemos não foi o que me aconteceu. 
E num outro ápice medonho, o meu lindo chão, que por diferentes prioridades e solicitações se tornou baço, deixou de me criar qualquer tipo de embaraço, tão-pouco, preocupação. Só anos mais tarde teria de novo o tempo para retomar esse frenesim, mas sabem?
Já havia compreendido o tal sábio ensinamento: em vez de sequer olhar para o chão descolorado, para além de escolher cozinhar (uma das tarefas que me dá mais prazer e até a tal paz tão almejada), sorri para os livros que pacientemente esperaram que o meu filho crescesse, e por fim, por mim, escolhi escrever. 

Reproduzo agora um texto de autor desconhecido, traduzido livremente por mim, mas faço a ressalva que se encontra, tal como o descobri, no meu mural facebookiano (e por traduzido livremente, afirmo que acrescentei, como boa cozinheira que sou, a minha dose q.b. de pozinhos de perlimpimpim)

«Não deixes que as tuas panelas brilhem mais que tu! 
Não leves as limpezas ou o trabalho tão a sério! 
Pensa antes que aquela camadinha de pó homogénea só te vai criar uma patine e proteger a tua cómoda, pensa que uma casa somente vai ser um lar quando fores capaz de escrever com o dedo “Amo-te” sobre os móveis. 
Antigamente eu gastava no mínimo 8 horas por semana para manter tudo bem limpinho, para o improvável caso de “alguém aparecer” – mas depois descobri que ninguém passa “por acaso” para visitar – todos estão muito ocupados a passearem, ou a divertirem-se e a aproveitar a vida! 
Então e agora?, se alguém aparecer de repente? 
Na verdade, não tenho que explicar a situação da minha casa a ninguém… as pessoas não estão mesmo interessadas em saber o que eu estive a fazer o dia todo enquanto outras passeavam, se divertiam ou aproveitavam as suas vidas… Caso ainda não tenhas percebido: 
É REAL - A VIDA É CURTA… APROVEITEM-NA!!! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
mas pára para pensar se não seria melhor experimentares pintar um quadro ou escreveres uma longa carta a tinta permanente, dares um passeio à beira-mar com o sol quente a bater-te nas costas e os salpicos da água a refrescarem-te, ou visitares um amigo, quem sabe bater energicamente um bolo, o teu preferido, o que não fazes há anos, e permitires-te lamber a colher repleta de massa crua, de saíres para o jardim ou varanda e plantar umas sementinhas, regá-las e veres tudo crescer e florir? 
Pondera muito bem a diferença entre QUERER e PRECISAR. 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
porque poderás não ter muito tempo para beberes uma bjeca geladinha com tremoços, nadares no mar (ou na piscina), escalares montanhas, enroscares-te com os teus cães rebolando na relva, ouvires música e leres aqueles livros que estão em pilha na tua mesinha de cabeceira, cultivar a relação com os amigos que mais prezas e aproveitar a vida! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
porque a vida continua lá fora, o sol fazendo-te semicerrar os olhos, o vento a despentear-te o cabelo, ou uma chuva molha-tolos caindo mansamente ou um floco de neve que te deixa as bochechas encarnadas. Pensa bem, este dia não voltará jamais! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
mas não te esqueças que vais envelhecer e muita coisa não te será tão fácil de fazeres como agora… E quando fores, como todos nós partiremos um dia, também vais tornar-te pó! 
Ninguém se vai lembrar de quantas contas pagaste, nem da tua casa tão limpinha, mas vão-se recordar sempre do teu sorriso e generosidade, da tua amizade fiel e intensa, de tua alegria até da tua maroteira, e sim, do que ensinaste. 
 No fim das contas, “Não é o que tu acumulaste, se não o que espalhaste (sem te dares conta) que reflecte como tu viveste a tua vida.”» 



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pedófilo, como identificá-lo?

Sabe quem pode molestar o seu filho? 
Hoje as coisas são postas de tal forma que é aterrador pensar que devemos suspeitar até da própria sombra, se não da sombra de todos os que rodeiam os nossos filhos, até das pessoas que naturalmente confiamos. 
Este artigo que transcrevo (e que pode ser lido originalmente clique aqui) parece-me à partida fazer uso de um tom alarmista, mas pensando um pouco, basta acontecer uma só vez e está feito, não se clica undo, e não há como contornar o não termos estado à altura de defender o «nosso bebé».
A "culpa" é uma noção muito nossa, e muito devido à ancestral base da educação judaico-cristã que nos está entranhada até aos ossos. Estranhamos imenso como os povos do norte são meio desligados dos filhos, já nós, somos mais do clube do antes prevenir que remediar, não é?
Alguma vez parou para pensar quantas pessoas adultas lidam com os nossos filhos ao longo do seu dia? Entregamos de manhã ao senhor da carrinha que nos devolve no final do dia. Estiveram nas mãos de quem confiamos, é certo, mas... já apareceu de surpresa na escola, no ATL, na natação ou equitação, nos balneários ou corredores, recreios ou recantos? Percebeu a razão da birra, aquele burro amarrado que não se aguenta, aquela tensão aparentemente sem sentido?
Não diga que não tem tempo.
O filho adolescente de uma tal dona Micas e do Manel das Couves (chamemos-lhe assim), suicidou-se sem deixar um único papel e só souberam depois das marcas de auto-mutilação. Porque o faria?, mas porque o fez?
A sério que nunca leu sobre este tema? Nem em nenhum post facebookiano??

Abuso infantil é mesmo assustador.
Para um livro anterior que escrevi, fiz uma pesquisa bem intensa sobre o tema pedofilia. Consegui chegar à fala com algumas pessoas que haviam sido molestadas repetidamente na infância e ou adolescência. Pessoas que depositaram a sua história de vida nas minhas mãos e eu batalhei muito até conseguir entender completamente o sentir. Depois chorei muito. Decidi não escrever a personagem que tinha pensado e, honestamente, foi a melhor opção. Porque é tão hediondo que não quis suportar a dor do sentir para o descrever.
Ainda este final de semana, num bem disposto almoço com amigos, este tema veio para cima da mesa pela inusitada mão do meu filho Pedro. Contou um episódio da vida dele (de que os meus amigos até sabiam algo, mas não com as palavras inocentes com que ele contou). A ser sincera, nem eu nestes anos todos sabia de alguns detalhes que neste domingo partilhou com todos nós à mesa. Já na época "denunciou" o acto ide igual forma, à mesa, onde sabia reunir várias vozes que o ouviriam. E ouvimos. E como sempre fiz, defendi-o assim que consegui descodificar nas palavras inocentes o dedo que se erguia a apontar o que não queria que lhe fosse feito. Achei uma doçura relatá-lo agora, 13 anos após, quando apenas contávamos uma sucessão de acidentes e disparates feitos ao volante, coisas de almoços de amigos, situações e histórias que todos temos, levezinhas e divertidas, como ficar sem gasolina na estrada ou pneus furados em locais impróprios. Depois da aflição destes momentos, há uma outra leveza de ver e contar estes episódios com uma dose de graça. Para o Pedro foi isso mesmo: um "disparate" que ele cometeu num banco traseiro de um carro e, por isso, partilhou-o connosco com a mesma ligeireza, enquanto todos nos silenciámos (a um gesto meu), quando entendi o que iria sair da sua mente naquele momento. Percebi que o tema foi devidamente conversado, explorado e que estava bem arrumado na sua cabecinha, mas ainda assim, catalogado como algo disparatado de se fazer num carro. Como de resto nos disse à mesa: preferiria ter brincado com os carrinhos...
Sei que de seguida tivemos, os adultos, uma conversa dura sobre a minha tal pesquisa de muitos anos, e a esses amigos relatei com detalhe porque não havia escrito sobre o tema. Enquanto falava, fiquei a brincar com os hashis de marfim nos legumes que arrefeceram na taça sem que os conseguisse ingerir. Aquela velha e visceral náusea apossou-se de mim enquanto lhes relatava o que não sei se algum dia conseguirei escrever por palavras. Mas estão aqui gravadas na minha mente. Fiquei fisicamente doente, com dor de cabeça e uma agonia que me atingiu forte na alma. Não conseguimos mudar de tema e esmiuçámos cada contorno, sem contudo aferir a perversidade destes actos cometidos e que num ápice... lá está, basta acontecer uma só vez e está feito, o eixo da pessoa abusada, a noção de bem ou mal, certo ou errado, é destruído para a vida, e isto é tão mais maléfico que o acto sexual em  si...
Por isso, este artigo de outrem, que partilho, retirado do mural do meu querido amigo Tito de Morais tão atento a estes temas no seu Projecto Miúdos Seguros na Net.
Custa-me este tema, mas não sou de pôr a cabeça debaixo dos arbustos nem deixo que me deitem areia nos olhos. Estejamos atentos, pais e mães. Basta uma vez - que nunca é uma vez, mas muitas vezes.
Como mãe fui, sou, serei sempre feroz na defesa da minha cria. E ainda assim, ai queira Deus que não....
Faça o mesmo.
Leia este artigo e deixe o bom-senso imperar.

Criado por Jack.aw, Rafael Bemerguy
Todos os pais querem proteger seus filhos contra predadores, mas como manter seus filhos seguros quando você não sabe identificar o perigo? Qualquer pessoa pode ser um pedófilo, portanto pode ser difícil identificar um, principalmente porque a maioria dos pedófilos inicialmente conquistam a confiança das crianças que sofrem o abuso. Continue lendo para saber a quais comportamentos e características você deve prestar atenção, quais situações deve evitar e como evitar que seus filhos sejam alvos.

Parte 1 de 2: Conhecendo o Perfil de um Pedófilo

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    Entenda que qualquer adulto pode ser um pedófilo. Não há nenhuma característica física, profissão ou tipo de personalidade que todos os pedófilos têm. Eles pode ser de qualquer gênero ou raça e a religião, profissão ou hobbies dessas pessoas podem ser os mais diversos possíveis. Um pedófilo pode ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa enquanto tem pensamentos predatórios. Isso significa que você nunca deve descartar a ideia de que alguém pode ser um pedófilo.[1]
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    Saiba que a maioria dos pedófilos são conhecidos pelas crianças que abusam. Trinta por cento das crianças que sofreram abuso sexual, foram abusadas por um membro da família e 60 por cento por um adulto que conheciam e que não era um membro da família. Isso significa que somente 10 por cento das crianças abusadas foram abordadas por um completo estranho.[2]
    • Na maioria dos casos, o pedófilo é alguém conhecido da criança por meio da escola ou de outra atividade, como um vizinho, professor, membro da igreja, instrutor de música ou uma babá.[3]
    • Os membros da família como os pais, avós, tios, primos, padrastos, entre outros também podem ser predadores sexuais.
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    Conheça as características comuns de um pedófilo. Embora qualquer pessoa possa ser um, a maioria dos pedófilos são homens, sejam suas vítimas meninos ou meninas.[4] Muitos pedófilos têm algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual.
    • Alguns também têm problemas mentais, como um distúrbio de humor ou personalidade.[5]
    • Os homens heterossexuais ou homossexuais podem ser pedófilos. A ideia de que os homossexuais têm mais tendência à pedofilia é um mito.[6]
    • As mulheres pedófilas têm uma tendência maior de abusarem meninos do que meninas.
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    Fique ciente dos comportamentos comuns demonstrados pelos pedófilos.Normalmente, eles não demonstram tanto interesse por adultos quanto pelas crianças. Eles costumam ter muitos empregos que permitem o contato com crianças de determinada faixa etária ou planejam outras formas para que possam passar algum tempo com crianças, praticando atividades de professores ou babás.[7]
    • Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem falando sobre adultos. Eles podem fazer referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro.[8]
    • Os pedófilos normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem crianças.
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    O pedófilo normalmente passa por um processo por meio do qual ele conquista a confiança da criança, algumas vezes até a confiança dos pais.Preste atenção a isso. Durante o período de meses ou até anos, um pedófilo pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com a criança de outras formas. Muitos pedófilos não começam a abusar da criança até que conquistem sua confiança.
    • Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis a suas táticas, pois têm pouco apoio emocional ou não estão tendo atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará ter uma figura paterna para a criança.
    • Alguns pedófilos procuram por crianças de pais solteiros, que não estão tão disponíveis para dar muita atenção.
    • Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.

Parte 2 de 2: Protegendo seu Filho dos Predadores

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    Descubra se há pedófilos em seu bairro. Você pode verificar isso com a polícia.
    • É bom estar ciente de predadores potenciais, mas saiba que é ilegal fazer qualquer coisa contra um pedófilo que já cumpriu sua pena.
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    Verifique as atividades extracurriculares de seu filho. A melhor maneira de proteger seu filho contra pedófilos é estando o mais envolvido possível na vida de seu filho. Eles procurarão por uma criança vulnerável e que não recebe muita atenção dos pais. Apareça nos jogos, ensaios, excursões e passe algum tempo com os adultos que participam da vida de seu filho. Deixe claro que é um pai envolvido e presente.
    • Se não puder participar de uma viagem ou passeio, certifique-se de que pelo menos dois adultos que conhece bem serão os responsáveis.
    • Não deixe seu filho sozinho com adultos que não conhece bem. Até os parentes podem ser uma ameaça. O segredo é ficar o mais presente possível.
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    Caso tenha uma babá, coloque uma câmera em sua casa. Em alguns momentos você não poderá estar presente, portanto use recursos para ter certeza de que seu filho estará seguro. Coloque uma câmera escondida para detectar qualquer atividade inadequada. Mesmo que conheça alguém muito bem, é melhor tomar determinadas precauções para a segurança de seu filho.
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    Ensine seu filho sobre segurança na internet. Certifique-se de que ele saiba que as pessoas perigosas podem fingir que são crianças ou adolescentes para atrair as crianças na internet. Monitore seu filho enquanto ele estiver usando a internet e crie regras para estabelecer limites. Converse sempre com seu filho sobre as pessoas com as quais ele está conversando.
    • Certifique-se de que seu filho saiba que nunca deve enviar fotos para uma pessoa que conheceu na internet, nem marcar encontros com essas pessoas.
    • Saiba que as crianças normalmente escondem coisas que fazem na internet, portanto você precisará ter muita atenção para manter-se informado.
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    Certifique-se de que seu filho sinta-se emocionalmente protegido.[9] Como as crianças que não recebem muita atenção costumam ser mais vulneráveis, lembre-se de passar bastante tempo com seu filho para que ele sinta-se protegido. Tenha tempo para conversar com seu filho todos os dias e construa um relacionamento aberto e de confiança.
    • Demonstre interesse por todas as atividades de seu filho, como os trabalhos da escola, as atividades extracurriculares, os hobbies e outras coisas.
    • Faça com que seu filho saiba que pode contar qualquer coisa para você e que você sempre estará disposto a conversar.
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    Ensine seu filho a identificar toques inadequados. Muitos pais usam o método do “toque bom, toque ruim, toque secreto”. Você deve ensinar seu filho que existem alguns toques adequados, como batidinhas nas costas ou nas mãos. Existem também os toques “ruins”, como tapas ou chutes. Além disso, existem os toques “secretos” que são aqueles sobre os quais as pessoas dizem que elas não devem contar a ninguém. Use esse método ou algum outro para ensinar seu filho que alguns toques não são bons e que, quando algum acontecer, ele deve contar a você imediatamente.[10]
    • Ensine seu filho que ninguém deve tocá-lo em suas regiões íntimas. Muitos pais definem essas áreas como aquelas que devem ser cobertas pelas roupas de praia.
    • Diga para seu filho falar “não” e sair quando alguém tentar tocá-lo nessas áreas.
    • Diga a seu filho para procurá-lo imediatamente se alguém tocá-lo de maneira inadequada.
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    Identifique quando alguém estiver agindo de maneira diferente com seu filho.Se perceber que seu filho está tendo um comportamento diferente, aborde o assunto para descobrir o que há de errado. Se perguntar regularmente a seu filho como foi o dia dele, inclusive sobre os toques bons, ruins ou secretos, ajudará a manter uma comunicação aberta. Sempre preste atenção quando seu filho disser que foi tocado de maneira inadequada ou se ele disser que não confia em um adulto. Confie primeiro em seu filho.
    • Nunca descarte o que seu filho disser, mesmo que o adulto em questão seja um membro confiável da sociedade ou parecer incapaz de fazer algo assim. Isso é exatamente o que o molestador quer.
    • Lembre-se que a coisa mais importante que pode fazer para proteger seu filho é prestar atenção a ele. Avalie suas necessidades e desejos, converse com ele e, o mais importante, seja o melhor pai que puder. Para finalizar, lembre-se: se você não prestar atenção a seu filho, outra pessoa prestará.
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Avisos

  • Lembre-se, se uma criança parecer isolada ou chateada, ela pode tornar-se um alvo muito fácil para um molestador. Pergunte sobre a vida escolar de seu filho e descubra quem são seus amigos. Se ele não tiver amigos, ajude-o a mudar isso.
  • Isso não significa que ninguém deve ter compaixão pelo molestador. Simplesmente significa que sempre devemos estar atentos fracassos da sociedade e devemos lutar para corrigir esses problemas sempre, prestando muita atenção a nossos filhos e mantendo uma comunicação aberta.
  • Esclarecimento de termos: Um pedófilo é uma pessoa fundamentalmente atraída a crianças pré-púberes (um erro comum da mídia é definir um pedófilo como qualquer pessoa atraída a alguém menor de idade, estendendo a definição às pessoas que se sentem atraídas por adolescentes, o que é incorreto). Um hebéfilo é alguém fundamentalmente atraído por pré-adolescentes e um efebófilo é uma pessoa atraída por adolescentes ou pessoas no final da adolescência. Um molestador de crianças é, claro, uma pessoa que molesta crianças, independentemente de suas preferências sexuais.
  • Devido ao grande problema de falta de informação, assim como a cobertura de casos pela mídia, as pessoas que sentem esse tipo de atração ficam assustadas e temem pedir ajuda para resolver seu problema. Além disso, os terapeutas nem sempre são tão objetivos quanto deveriam e alguns pedófilos ficam desesperados por não conseguirem a ajuda que precisam. O desespero pode fazer com que comecem a agir.
  • As pessoas devem estar cientes de que, independentemente do que a mídia diz, há diferença entre os termos “pedófilo” e “molestador de crianças”. Nem todos os pedófilos são molestadores ativos de crianças. Da mesma forma, nem todos os molestadores de crianças são pedófilos. Sempre há motivos ocultos para os comportamentos criminosos e algumas pessoas são criminosos situacionais. Ao contrário da crença popular, muitos pedófilos têm o mesmo horror por sua atração do que as pessoas que são molestadas.
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