quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Rosa

Pressa. 
Distracção. 
Páro no maior parque de estacionamento da cidade, arrumo o carro e saio disparada para a marcação que tinha ao meio-dia. Sou pontual e detesto chegar atrasada. 
Quando regresso, bate-me: não memorizei onde deixei o carro… fila por fila, percorro todo o estacionamento, ando para cá e para lá e a certa altura, porque ia de phones ao telemóvel, comento: está aqui uma senhora ao mesmo, não deve saber onde deixou o carro… 
A senhora ouve-me e encetamos um diálogo, é verdade, também não sabe. 
Gracejo: Vai ver, estão ao lado um do outro! Vamos continuando a procurar e eu continuo na minha conversa telefónica e de repente oiço: achei! Dirijo-me ao som da sua voz respondendo: onde está? Porque o meu deve estar perto!! Rimos e quando chego à beira da senhora com pronúncia do Porto (que eu adoro), responde-me: Que marca é o seu? Eu ajudo-a! 
Tanta querideza, penso e respondo-lhe: Ohhh... tão querida!, não é preciso… 
Mas já me interrompe, deixei a minha filha na universidade e vou ficar a fazer tempo, a sério que carro é o seu? Eu digo-lhe a marca e modelo e descrevo o exacto tom de meu – é de um azul celeste cor de dia de trovoada. Agradeço-lhe e começamos à procura. 
 Já adivinharam… estavam lado a lado, com um carro apenas pelo meio! 
 Que momento mágico! Despedimo-nos meio a rir meio emocionadas e lembro-me de me apresentar: qual é o seu nome? Eu sou Ana. 
E a magia continua… diz: eu sou Rosa. 
Não resisto e partilho com ela: Rosa?!?... Rosa era o nome da minha avó favorita! 
Desejamos um bom ano e cada uma segue a sua vida. Nunca mais a irei ver, nem reconhecer – ambas de máscara, como convém em tempos covidianos – a não ser que o acaso queira que a Rosa seja uma das minhas queridas leitoras desta maravilhosa cidade que tão bem me acolhe há 5 anos. 
Mas venho para casa a conduzir feliz num dia tão frio, mas com imenso sol na hora de almoço e na alma quando escrevo este texto. 
Quanta magia pode andar no ar, se estivermos atentos, se nos dermos de coração e nos entregarmos a cada momento. 
Eu sou de dar-me, e nunca me arrependo. Sou de amar e de ser amada. 
Obrigada Rosa. Que tenhas uma vida feliz!





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