sexta-feira, 30 de abril de 2021

Banca dos afectos

O que secretamente mais desejamos? 
Posso arriscar pensar que, nesta fase em que vivemos, seja um abraço. 
Desafiaram-me a "montar uma banca dos afectos" à porta de casa e, de forma virtual, aceitei a simpática provocação. 

Durante o mês de Abril decidi publicar, a cada dia, imagens e frases que em algum momento, abraçaram cada um de nós. 
Excertos dos meus livros logo pela manhã e de outros autores pelo final do dia. 
Fui percebendo o alcance que esta pequena e afectuosa banca estava a ter pelas estatísticas que me chegavam.
Estas publicações foram sendo lidas, comentadas e partilhadas nas redes sociais aqui e além fronteiras. Atravessou o oceano, abraçou a carência, desencorajou o julgamento, desalinhou o obstáculo e enfrentou o medo. 
Eu sei o impacto que causou em mim reler passagens de todos os meus livros, a serena busca pela frase certa e a cuidadosa escolha da imagem que melhor se adequava. 
Sei o que me fez pensar e sentir. 
Ao leitor, posso apenas imaginar. Ou perguntar: 

Até onde foi este enternecido abraço durante todo o Abril? 


segunda-feira, 22 de março de 2021

Spoiler alert novo livro II

Estas imagens dão uma ideia de como eu vejo as minhas personagens deste novo livro. 
Quatro mulheres, quatro gerações, quatro histórias envolvidas em castelo. 
E depois o Gil. Ahhh... e o Ernesto!?
Este livro terá mais personagens que não mostro agora. 
É apenas um appetizer, gosto da provocação, revelar mais seria estragar tudo.



Teresinha 
"Houve tantas complicações querida bisneta – pensou – ganhos e perdas, preconceito, inveja e lágrimas. Dor. Muita. Inultrapassável. Cair de joelhos no chão e não conseguir ver para além do horizonte. Mas se houve trovoadas, houve o apaziguamento após cada borrasca. Orgulho quebrado, nariz no ar. Afundar e voltar à superfície. Cada conquista com travo amargo-doce transformado num sereno renascer adoçado com canela e açúcar amarelo e sempre a entrega e o muito amor em tudo o que fiz na vida. Sorriu. Tudo se resumia a que estava bem. Sim, era feliz." 

Lili 
"Teresinha e Ernesto tiveram só essa filha a que chamaram Liberdade, num período que foi um desafio feroz ao regime. Já a menina, quando teve idade para entender o peso do seu nome, escolheu ser apenas Lili." 



Sara 
"Sara era uma mulher diferente da força da natureza que era a mãe, ou até a avó. Teresinha por vezes pensava que teria sido devido ao divórcio atribulado, por Sara ter tido um pai completamente ausente na sua vida, mas essa falta também acontecera à Lili nos nove anos que Ernesto esteve preso pela P.I.D.E." 


Madalena 
"Teresinha tinha verdadeira paixão pela sua bisneta que tinha uma personalidade forte; não saíra tanto à Sara, herdara toda a fibra de Gil! Era uma miúda pispineta, respondona e impaciente, mas dedicada, meiga e atenciosa." 


Gil 
"Gil escolhera ser médico de família, voltar à terra onde era o rapaz, a cidade que todos o conheciam, sentar-se no consultório sem olhar para o computador, encostar o rosto na palma da mão e perder-se no olhar do paciente, escutá-lo e fazê-lo sentir-se especial no tempo que a consulta demorasse."


"Saltar nua de mãos dadas com o Ernesto para um rio, para um lago, para o mar… sempre que podiam faziam-no."


quinta-feira, 4 de março de 2021

Spoiler alert novo livro

 Sim, já tem título. 

É sempre por onde começo um novo livro. Tenho hábitos de que gosto e enrosco sempre um início na mesma espiral: o título, o que quero contar, as personagens que vão desenhar a minha história, um caderninho para ideias e pesquisas. Pensá-las. Escrevê-las.

Permito aos meus leitores que espreitem alguma personagem por uma porta que deixo entreaberta, um vislumbre através de um esvoaçante véu que não permite propositadamente uma visão abrangente.

A protagonista deste livro será a Teresinha. A sua história de amor maior com Ernesto. Eis como a imagino em vários momentos da sua longa vida. 

"Houve tantas complicações querida bisneta – pensou – ganhos e perdas, preconceito, inveja e lágrimas. Dor. Muita. Inultrapassável. Cair de joelhos no chão e não conseguir ver para além do horizonte. Mas se houve trovoadas, houve o apaziguamento após cada borrasca. Orgulho quebrado, nariz no ar. Afundar e voltar à superfície. Cada conquista com travo amargo-doce transformado num sereno renascer adoçado com canela e açúcar amarelo e sempre a entrega e o muito amor em tudo o que fiz na vida. Sorriu. Tudo se resumia a que estava bem. Sim, era feliz." 


"Teresinha era uma sonhadora – presença assídua nos convívios estudantis, a intrépida miúda que tocava guitarra para os colegas da universidade, sendo de entre as vozes femininas, a mais destacada, criativa e promissora." 

"Já Ernesto, o marido, era um protector – um fervoroso defensor do corporativismo estudantil, sem que isso beliscasse o seu excelente percurso académico, pois fazia parte das cúpulas associativas estudantis, sempre engajado numa nova luta que advogava com vigor, embaraçando o regime, cada vez com mais audácia." 
"Saltar nua de mãos dadas com o Ernesto para um rio, para um lago, para o mar… sempre que podiam faziam-no." 
"tendo por pano de fundo o soberano portão ladeado do antigo muro de granito enleado com as rosas de Santa Teresinha." 



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