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domingo, 5 de dezembro de 2021

Cartas em Castelo

Queridos leitores, 

Poderia ter dado a este livro o previsível título "Azul e branco aos quadradinhos", caso fosse a continuação do anterior. Para fugir dessa monotonia, arrisco num outro voo pelo tempo que não é medido no pulsar de um relógio. 
Cartas em Castelo é o segundo livro de uma trilogia que começou com o "Azul e branco às riscas", e que concluirei com um terceiro a que não darei o título de "Azul e branco às bolinhas". Os três romances serão de leitura independente com uma fina linha de pozinhos de perlimpimpim que os enlaça em tons de azul. 
Cartas em Castelo é o meu sétimo livro. 
Ao longo dos anos fui-me dando conta de que após a leitura, de qualquer um dos meus romances, os leitores procuram outro e muitas são as vezes que me surpreendem agradavelmente ao perceber que leram todos. 
Poderá ter muitas interpretações, cinjo-me ao facto que essa escolha do leitor me deixa imensamente feliz. 
No meu sétimo livro, sendo um número que envolve ciclos completos, como os dias da semana, as notas musicais ou as cores do arco-íris, resolvi nesta minha sétima volta a esta pescadinha de rabo na boca, fazer um miminho especial para com os leitores que já leram os outros meus livros. 
Como? 

 Deixo-vos um abraço bom, 




domingo, 7 de novembro de 2021

Sinopse do livro Cartas em Castelo

Queridos leitores, 

Hoje revelo-vos a sinopse do livro Cartas em Castelo: 

SINOPSE  

Aquela rapariga... 
Teresinha reflectia amiudadas vezes, como a vida, nas voltas que dava, era tão ironicamente engraçada: 
Madalena com quase 20 anos, a vida toda pela frente, nunca tem tempo para nada, vive a correr! Já Teresinha, com os seus 78 anos, tem todo o tempo do mundo e mais um dia, pensa e actua como se se movesse num tempo diferente. 
Num suspiro, o mundo pára e tudo muda. 
Isoladas durante a quarentena de 2020, a bisavó em Castelo Novo e a bisneta, em Castelo Branco encontram tempo para uma cumplicidade que começa por uma carta. 

Deixo-vos um abraço bom, 








sábado, 6 de novembro de 2021

Como reservo o livro Cartas em Castelo?

Queridos Leitores, 

Começa agora e vai até ao lançamento do livro Cartas em Castelo: pode reservar!

Ao reservar já o seu exemplar terá a oferta de um presente, que revelo serem conteúdos absolutamente originais, exclusivos e grátis; um dos miminhos que preparei apenas para os primeiríssimos leitores. 

Cartas em Castelo é o meu sétimo livro. 

Ao longo dos anos fui-me dando conta de que após a leitura, de qualquer um dos meus romances, os leitores procuram outro e muitas são as vezes que me surpreendem agradavelmente ao perceber que leram todos. 
Poderá ter muitas interpretações, cinjo-me ao facto que essa escolha do leitor me deixa imensamente feliz. 
Por isso, decidi mimar os leitores mais fiéis das mais variadas maneiras, até com surpresas ao longo da leitura do livro...

Para garantir os conteúdos exclusivos, valide a reserva do seu livro! 


 E eu estou feliz! 
O livro Cartas em Castelo em breve nasce e chega às nossas mãos; ainda está no útero, mas já com contracções... sim, sinto cada um dos meus livros como um filho, de tantas fases passo, sinto-as como uma gravidez! 

Deixo-vos um abraço bom, 






terça-feira, 19 de outubro de 2021

Novo Livro - Cartas em Castelo

Olá queridos leitores, 

Escrevi exactamente há um ano esta carta. 
Sendo fiel à essência do livro e tendo começado esta ideia numa longa conversa com a Madalena, senti um ímpeto de lhe escrever. 
O livro está pronto! 
Está a ser tratado com muito carinho para chegar às vossas mãos ainda antes deste Natal. 
Será o meu sétimo "filho" e revelo hoje o seu título: 

Cartas em Castelo 

Hoje escrevo esta nova carta para convidar todos os meus queridos leitores para a apresentação presencial - sim presencial - esperemos, já sem máscara e muitos abraços. 

Até breve! 








sexta-feira, 30 de abril de 2021

Banca dos afectos

O que secretamente mais desejamos? 
Posso arriscar pensar que, nesta fase em que vivemos, seja um abraço. 
Desafiaram-me a "montar uma banca dos afectos" à porta de casa e, de forma virtual, aceitei a simpática provocação. 

Durante o mês de Abril decidi publicar, a cada dia, imagens e frases que em algum momento, abraçaram cada um de nós. 
Excertos dos meus livros logo pela manhã e de outros autores pelo final do dia. 
Fui percebendo o alcance que esta pequena e afectuosa banca estava a ter pelas estatísticas que me chegavam.
Estas publicações foram sendo lidas, comentadas e partilhadas nas redes sociais aqui e além fronteiras. Atravessou o oceano, abraçou a carência, desencorajou o julgamento, desalinhou o obstáculo e enfrentou o medo. 
Eu sei o impacto que causou em mim reler passagens de todos os meus livros, a serena busca pela frase certa e a cuidadosa escolha da imagem que melhor se adequava. 
Sei o que me fez pensar e sentir. 
Ao leitor, posso apenas imaginar. Ou perguntar: 

Até onde foi este enternecido abraço durante todo o Abril? 


terça-feira, 12 de maio de 2020

A mal contada fábula da cigarra e da formiga

Na quarentena dei comigo a pensar na opinião que sempre tive acerca da forma como se conta a fábula da cigarra e da formiga. 
Povoámos a nossa mente com admiração, ao termos sempre escutado como a sofrida formiga acartava zelosa e diligentemente um respeitável peso para a sua fraca compleição, carregando dia e noite as provisões para o seu formigueiro, servindo abnegadamente a comunidade.
Em contraponto, sempre nos foi incutido um certo desdém pela conduta boémia da cigarra que preguiçando pelos prados cantava dia e noite.
Uma das recordações mais antigas de raciocínio em tenra infância que tenho, prende-se com esta fábula.
Observante dos bichinhos que me rodeavam e com a imaginação sedenta de histórias, guardo a lembrança das quentes noites de Agosto, a tentar conciliar o sono, deleitando-me a escutar os sons da natureza, encantada com o estridular das cigarras a cortar o silêncio profundo e a embalar os meus sonhos. Eram as minhas cantoras favoritas! Talvez por isso nunca compreendia o final daquela história em que só a formiga era louvada pelo seu árduo trabalho.
Hoje compreendo. Fui educada numa família que valorizava as artes. Tive o privilégio de crescer rodeada de livros que o meu pai me incentivava a ler, ao som de discos de vinil que pavimentaram a minha vida, ou o deslumbramento sentido da primeira vez que a minha mãe me levou à Gulbenkian assistir ao bailado Quebra-nozes. Esta infância criativa marcou indelevelmente a minha personalidade. Penso mesmo que os teatrinhos que encenava para toda a embevecida família, foram certamente as primeiras histórias que criei, tão pequenina, imaginando-as ainda antes de as saber escrever!
Outro dia perguntaram-me o que quis ser em miúda quando crescesse. Depois dos sonhos infantis de bailarina e veterinária, eu sempre quis escrever. No entanto, já adulta, sempre que escrevi tive outros empregos paralelos para poder pagar contas.
Sempre considerei que o trabalho árduo da cigarra tem tanto valor quando o da formiga. Quantas vezes os artistas são intitulados de sonhadores, no entanto, sabem respirar fundo, descer à terra e têm outros e diferentes sofridos empregos para se sustentarem e poderem alimentar os seus sonhos. É uma dicotomia difícil de ser explicada ou conciliada.

Se há lição que escuto dizerem deste tempo que todos tivemos de nos confinar em quarentena é que nos teria sido incomensuravelmente mais complicado se não tivéssemos acesso a um livro que nos fez sair de casa sem sair do sofá, escutado uma música que nos fez dançar sozinhos, assistido a um filme que balançou as nossas emoções e que nos fez rir, chorar.
Impedidos de formigar para os nossos empregos vimos à nossa volta tanta criatividade cigarrear - do vídeo engraçado na internet ao pão no forno.

O poeta brasileiro José Paulo Paes sempre foi um apaixonado pelos livros. 
Após ter estudado química e trabalhado durante anos num laboratório farmacêutico, um dia resolveu escrever poesia, inicialmente para adultos, só depois para crianças. Ao abandonar a rigidez da química  nos 25 anos seguintes entregou a sua alma à edição de livros e traduções. Esqueceu-se de formigar pela química e entregou-se à magia de cigarrear pela poesia infantil, aprendeu a brincar com as palavras e escreveu um mundo maravilhoso para as crianças viverem. 

"Enquanto a formiga 
Carrega a comida 
Para o formigueiro, 
A cigarra canta, 
Canta o dia inteiro. 

 A formiga é só trabalho. 
A cigarra é só cantiga. 

 Mas sem a cantiga 
da cigarra 
que distrai da fadiga, 
seria uma barra 
o trabalho da formiga."
José Paulo Paes

Se "A Cigarra e a Formiga" é uma das fábulas atribuídas a Esopo na Grécia antiga ("O Gafanhoto e Formiga" no original) e só veio a ser popularizada mais tarde pelo francês Jean de La Fontaine, eu penso que em 1989 o poeta José Paulo Paes trouxe-a finalmente à sua verdadeira dimensão: a união, a compreensão, a aceitação e o respeito pela diferença do labor do outro. 
Afinal todos são especializados, todos são fruto de muito empenho, de horas incalculáveis de dedicação ao seu trabalho, seja ele manual, intelectual ou artístico. 
Formigas e cigarras de mãos dadas entreajudando-se na esperança de um mundo melhor. Talvez, assim - talvez só assim - se possa cumprir o jargão estafado que tanto se ouviu na quarentena de que vamos todos ficar bem. 



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Felicidade é...




«Aqui ao luar, 
Ao pé de ti, 
Ao pé do mar» 




Se só o sonho fica, se só a ele te podes entregar?
Vives nos bastidores da tua vida?, és uma espectadora ou a protagonista? 
(vai Ana, usa esse teclado maluco e escreve)
Escrevi há muito tempo no meu livro Evo sobre «Ser Feliz» e nessa altura tinha a convicção de que "a Felicidade é constituída por breves momentos." Disse-o, escrevi-o. Hoje posiciono-me de uma forma diferente: levantei-me do cadeirão confortável em que me aninhava, e já num outro ângulo, olhar a vida passar deixou de ser o foco que inconscientemente assumi, e escolho não me entregar mais na fantasia de um sonho, mas nos braços de uma doce realidade.
(vai Ana, abre essas asas e voa)
Viver é uma experiência mágica, dou-me conta a cada dia. E o que damos valor a cada momento?
Um passarinho que canta tão bem (ou muitos), amo em especial no final de Inverno quando a madrugada é rasgada pelo cantar dos afoitos que apressam a entrada da Primavera.
Encanto-me quando uma nortada me trás até casa o prazer irresistível do fresco da maresia a inundar-me as narinas até à alma, e eu moro longe do mar, quem diria chegava até mim?
Olhares, sorrisos, conversas, pedaços de tempo partilhados com os nossos amigos, pessoas que amamos e nos amam, gestos que o demonstram mais que palavras afirmadas, abraços apertados inesquecíveis mais poderosos que promessas sussurradas ou gestos previsivelmente comandados.
Todos estes momentos ou outros que povoam a mente de cada um são especiais, mágicos e irrepetíveis, mas são isso mesmo: momentos. Hoje apesar do todo mágico que ainda me rodeia, eu quero mais!
Fomos formatados em crianças, condicionados por uma castradora educação judaico-cristã a acreditar na culpa como o complemento das nossas horas sombrias. Ao longo da vida, de uma forma mais ou menos veemente, cada um de nós vai levantando amarras aqui e ali e liberta-se de dogmas e preceitos adquiridos desde cedo. Há quem nem almeje a mais e isso estará certo para cada ser que escolhe assim viver e não só se acomodam, como nidificam nesse viver que lhes é aprazível. Para os insaciáveis a coisa torna-se mais densa porque o limite está além do céu. O querer mais não é errado, é uma busca, um caminho (ou muitos) percorrido num sentido (ou noutros), que comparo a em criança e como gostava de trepar às árvores: os pés bem firmes na subida primeiro rápida, depois as mãos segurando e puxando essa elevação do corpo e logo a busca por cada tronco mais forte que os galhos ali ao lado, escolhas de caminhos mais seguros, desistência de percorrer aquele recanto cujo galho te parece instável, ou porque esse caminho tem um horizonte desinteressante e sobes e trepas mais alto, mais apelativo, mais acima a segurança compromete-se e o sonho brilha em cada pontilhado de luz entre as folhas já menos frondosas e a escolha aguçada de cada tronco a que te agarras fica mais criteriosa, e se a segurança continua a ser fundamental, deixas-te levar pela abertura da vista, observas, olhas na outra direcção e continuas a escolher qual o caminho que mais te convém, ou simplesmente o que escolhes para te posicionares, escolhes até onde queres ir, como queres lá chegar e por quanto tempo pretendes ficar até caminhares noutro sentido. O teu sentido caminho.
Tenho vindo a descobrir que existem outros ramos de árvore que nunca avistei, e para um espírito inquieto, não desisto enquanto não os alcançar. Se são frágeis e perecíveis ao meu peso? Emagreço. Simples. Mas eu vou chegar lá, e antes que me dê conta, já me soergui do canto onde me acomodei e busco as mil maneiras de o alcançar.
"a Felicidade é constituída por breves momentos." Vejo diferente. São muitos momentos, deixam até de ser momentos para ser um estado de alma, de disposição para abraçar o todo que se nos apresenta lá no topo da árvore. Porque hei-de admirar apenas um ângulo da visão que se me oferece, quando há tantos cantos e recantos especiais que encontro? Porque não colectá-los a todos? Podemos, sabia? Todos. E os momentos felizes estendem-se a realidades. E saem do grilhão que nos aprisiona os sonhos. Nem só o sonho fica, nem só ele pode ficar, apenas porque cada um de nós quer mais. E sim, esse lado adormecido desperta, a felicidade aterra, e o protagonismo dá-se para cada um de nós.




sexta-feira, 31 de julho de 2015

os perfeitinhos do séc. XXI

Diga-me: começa o dia a sorrir para uma nova manhã ou a correr para a balança à espera do milagre matutino? Pela sua saúde, tenha juízo! 
Existem balzaquianas gorduchinhas, até nas personagens ficcionadas que povoam a nossa mente, como uma maravilhosa Bridget Jones, a sentimentalona desastrada (isto quando a actriz Renée Zellweger tinha cara e corpo de Bridget) ou uma bem desenhada Princesa Fiona que escolhe ser feia, gorda (e verde!) contrariamente aos cânones de beleza vigente, e contudo é linda! Então entre tantas das muitas mulheres com corpos pouco danone, respeito as que desrespeitam as regras, as que quebram o padrão, as que são como são, o que as torna (a meu ver) nas verdadeiras wonder woman deste século.

Porque motivo ser-se magrinha é bonitinho, ou até sinónimo de elegância? Não sabe? Pasme-se com a resposta: porque dá trabalho.

Explico: Se em tempos idos ter acesso a alimentação variada e em abundância tinha uma conotação de status (apenas para alguns privilegiados), quando o reverso da moeda (passar fome) era o espectável, então nessa época ter-se um aspecto nutrido era difícil e considerado o supra sumo da batata frita. 
Hoje é o contrário. Com toda a revolução industrial e industrializada, ficou fácil, temos à disposição uma panóplia fantástica de alimentos, do saudável ao hidrogenado. E cada um (ou uma) de nós é uno nas suas escolhas alimentares, nas que fazemos a cada momento, sejam as conscientes, sejam as da gula ou da palermice aguda. É aquela compulsão de comer uma batata frita seguida de outra, logo de outra, e não parar até às migalhas do fundinho. Apesar de não serem as opções mais correctas, empanturramo-nos - optamos com muita ligeireza pela facilidade do 'saciar', e já nem falo apenas de alimentação ou do cliché da falta de auto-estima ou ter muitos gatos: É o equilíbrio. E esse reside no âmago de cada um de nós. 
Hoje tem um peso demasiado exacerbado o peso que cada um tem. Eu? Voto no bem estar. Conseguir rondar esse bem estar, enroscar mente, alma e corpo numa harmonia que atingida não pode ser partilhada, antes sentida, faz com que ditames de revistas e imposições photoshopadas se reduzam à sua insignificância: se cada um (uma) se sente bem num 40, 42, porquê a guerrilha do 34, vá 36...? Excesso de peso?, ou excesso de zelo? Bom senso é que não é. E depois... 'Mente sã em corpo são' não é o slogan de um qualquer ginásio de moda, daqueles que a malta frequenta para bombar corpos saciando-se de modas, inflando biceps despropositados e egos megalómanos. 
E os postiços...? Ele é unhas, pestanas e cabelos quilométricos, ou maminhas e barriguitas de adolescente, tudo se compra, corta e alinhava. Tudo devidamente uniformizado para não escaparem ao modelito vigente. A originalidade é hoje um conceito esquisito. Ahhhhh, devem ser artistas... aí tudo cola convenientemente no figurino, não é? 
E os sorrisos??? Ceifam-se milhares de sorrisos únicos, com lábios assoprados por agulhinhas, aqueles sorrisos encantadores com um dente sobreposto ou outro tortinho que lhe conferia aquele ar engraçado, e essa unicidade perde para um pré-formatado sorriso pepsodent igualzinho a todos os outros que foram manietados com araminhos e elásticos.
Saciar o insaciável. Descartar o descartável. E logo a batata frita seguinte. Vive-se de um ideal que passamos nas redes sociais como uma realidade maximizada enquanto se esconde na sombra do tamanho desse perfil criado e alimentado a pão-de-ló.
São as linhas de conduta que os nossos dias exigem, ou melhor dizendo, escolhas que fazemos em função de metas que nos são propostas de forma subliminar, em nome de uma satisfação despida e imediatista.


Difícil, difícil? É vestir um 34, vá 32. Difícil é ter tanta comida à disposição e mandarmos a dona Gula evitá-la. 
Na nossa sociedade temos esse paradoxo de o social, o convívio ser em torno de uma mesa de refeição, vá... de petiscos. Amigos, e acepipes deliciosos para trincar. E depois endeusa-se a magrela que come uma folha de alface (a que fica com um humor de cão) e condena-se com um olhar uma anafadinha na montra de uma pastelaria (a que tem a gargalhada descompromissada). 
Teorias há que se batem com este novo modelo e a emancipação das mulheres. Como?, subjugando-as. Libertaram-se do jugo, foi? Tomem lá outro. Vamos inventar um novo sacrifício para as prender a um ideal que vão ter dificuldade extrema de atingir. Vamos pô-las doidinhas sem se aperceberem como e de onde esse sentimento de inadequação surgiu. Vamos às dietas loucas, às operações plásticas, toca a emagrecerem para terem credibilidade, para serem aceites. E ai das que desobedeçam, porque o rótulo salta mais rápido que os impropérios. 
Hoje não se fala em voluptuosidade, mas de implantes, esqueceram-se da sensualidade das curvas, da força de mãe-natureza que cada mulher possui: somos montanhas, vales, rios. Valoriza-se covinhas e saboneteiras nas omoplatas, conta-se as costelas, dá-se assustadoramente valor à ausência de valores.
"Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina".
Naomi Wolf
Hoje temos o fenómeno da Lua Azul... a minha amiga Rosa Barros desafiou-me há pouco, e desafio cada uma das minhas leitoras e amigas a celebrar-se junto com a Lua num pequeno ritual, seja com mais mulheres ou então a solo. Mas entregue-se, deixe fluir, desamarre as suas asas em final de julho e simplesmente voe. O que realmente conta é celebrar-se junto à Lua, é permitir-se voltar às raízes do feminino. Não sabe como fazer? Apenas dance... somos todo, somos uno, somos essa fluidez da vida, esses movimentos!!!

E temos Agosto aí. Eu? Estou arco-íris. Planeio de todo o coração abraçar este mês que entra, estou fisicamente de braços abertos com todo o meu ser receptivo à chegada do meu filho Pedro :) para o nosso Agosto feliz em arco-íris. E sim, comecei o dia a sorrir, e agora depois de muitooooo escrever, estou confiante, finalmente em paz.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Autismo é f...

Há muitooooos meses fui contactada pela querida Sandra Gaspar para escrever um artigo sobre autismo para o Blog SWEET CAOS (que escreve em parceria com a Bárbara Aquarela Barreira), convite que me deixou muito honrada e feliz, tendo em conta os motivos que apresentaram. 
Contudo, quero confesso-vos a minha imensaaaaa demorada demora - não em aceitar o desafio, já que o fiz prontamente, mas em concretizá-lo. Primeiro foi isto, depois  era aquilo... a semana passada fiz um mea culpa aos meses de atraso, num ímpeto arrumei a Dona Preguiça e o Dom Procrastinador, sentei-me e escrevi-o num ai. Sabemos. O tema está escrito a tinta indelével na minha cabeça e debaixo da minha pele. Desta vez (ainda) usei palavras duras, mas creio que as consegui contornar.
O artigo saiu este domingo, que é dia de São Convidado no SWEET CAOS. Republico-o hoje, de novo aqui, para todos os meus habituais leitores, convidando-os a irem ao blog da Sandra e da Bárbara e lerem o que por lá tão bem fazem.
De brinde, um belíssimo desenho exclusivo, a acompanhar o meu artigo.
É um trabalho fantástico da ilustradora Ana Cocker, que podem acompanhar através do site: MY SIMPLE LIFE Obrigada Ana!! Comoveu-me deveras...
Deixo-vos com a linda ilustração e as minhas palavras.

O Autismo é f... 

Sabem aquele livro do Miguel Esteves Cardoso, O Amor é f...? Eu digo que não é bem o Amor, mas o Autismo. É certo, eu não tenho medo das palavras, do seu som ou intensidade. Sem ser a palavra f... - que podem estar menores a ler-me - diria com enorme segurança que o Autismo é "Desconcertante".

Há um momento negro de que todos os pais destes miúdos recordam - e que, naturalmente, os outros pais secretamente temem que lhes suceda: Um senhor doutor de bata branca sentado a uma secretária num qualquer consultório mais ou menos pomposo a debitar palavras que, essas sim, todos temos pavor de um dia ouvir. 
Até nisso tive sorte: não tinha bata branca, estava com o rabo sentado sobre a secretária com um fantoche na mão e enquanto fazia um timbre de voz em falsete a brincar com o meu filho, observava-o com olhar clínico. E fui eu que perguntei - Dr. Nuno, é autismo...? 
Era sim. Autismo e mais um par de botas de patologias associadas. 
Passaram mais de 25 anos desde essa primeira consulta. Terei hoje uma postura diferente perante a adversidade, contudo a mesma convicção, e sim, o mesmo médico. 

Autismo para mim nunca foi um bicho-papão. Inicialmente talvez, porque sabia ao que ia. Sou-era uma menina informada e não era um palavrão que teria de buscar numa qualquer enciclopédia (o Dom Google não fazia parte das nossas vidas, vivia-se sem internet naqueles tempos...) a minha atitude foi sempre muito positiva, no sentido em que arregacei as mangas e encarei o bicho olhos nos olhos: "Anda cá autismo, o que queres fazer tu com o meu bebé?, anda cá que eu estou aqui preparadinha para lutar contigo!!" E foi uma luta de uma vida. Mil batalhas ganhas muitas mais as perdidas, as que rapidamente esquecemos a cada nano-conquista. 
Porque é nesse sorriso do nosso filho em que se ganha fôlego para a seguinte, e a outra depois. 

Dizem que o autismo só se consegue diagnosticar depois dos dois, três anos. Perdoem-me a petulância, mas discordo veementemente. 
Primeiramente (deixem-me que vos diga a quem não sabe), por não existirem quaisquer testes médicos ou clínicos que se façam: o autismo é diagnosticado por observação. E observadora eu sou. Não o fui só com o meu filho. Noto em qualquer outra criança pequena que tenha aquele twist no comportamento que dispara a minha atenção. 
Porque é disso que se trata: Autismo é uma perturbação de comportamento. 
Há um olhar diferente nestes miúdos, uma desatenção, um gelar de alma que se instala quando o sentimos. 
Sim. Batam-me, mas uma mãe ou um pai sabe. Pode não querer senti-lo, muito menos verbalizá-lo, mas no mais recôndito e escuro recanto do seu ser, a dúvida instala-se, um medo frio e escorregadio, pespega-se nas entranhas, queremos a tecla do undo, do delete, do escape, mas não foram ainda inventadas para este intento. 
Este é um filho diferente dos irmãos, dos primos, dos filhos dos amigos. Todos o notam (é um facto incontornável nas relações de grupo), mas só alguns têm a capacidade, a coragem de o falar abertamente, de chamar a atenção dos próprios pais quando eles se fecham na oportuna concha. 
Não é um processo ligeirinho. 
Normalmente começa o cochicho calado. O olhar de esguelha. O acusar descomplacente para com uma postura que não entendem, mas lá que são rápidos no gatilho do julgamento.... 
Peço-vos: não o façam. 
E explico. 
Há pais que escolhem o caminho da negação. Então adjectivam: este filho é tímido, é distraído, é assim. Há pais que viram as costas e recusam aceitar. Há pais que ficam e lutam com armas que nem sabiam que tinham. Há pais que escolhem o caminho da eterna busca pela cura. Cura? Está bem... 
Querem um facto? Aqui o têm: os cientistas (ainda) não a descobriram. 
O que podem encontrar sim, são mil formas de melhorar a qualidade de vida desse filho e da família. 

Dizem os livros que autismo será a diferença mais difícil de gerir no seio de uma família. Demorei muito a aceitar como facto a dor que me provocava esse afastamento familiar e dos amigos que achava serem-me próximos. E é um grito que não deixo calar em mim. Se calhar deveria apaziguá-lo... 

Acredito firmemente que se as pessoas em geral soubessem-souberem realmente o que é um indivíduo com autismo, como se movimenta, pensa e encara a vida, se o respeitassem-respeitarem na sua essência, se se dessem-derem de coração para conhecê-lo, não teriam "medo" - porque é natural ter-se, sentir-se medo do que se desconhece, e a primeira imagem que se retém, de tantos mitos urbanos que circulam, não é simpática. 

É preciso querer-se olhar uma outra vez e com mais atenção para esta população. 
Urge em mim essa vontade. Que o façam. 
Sabia? São pessoas doces e meigas, muitas vezes dadas e terrivelmente genuínas, tanto que o são que muitos lhe chamam anjinhos e outras coisas fofinhas. São gente, como todos nós, têm o mesmo direito do que nós, os tais normaizinhos, de pisar este chão que é de todos, sabia? Eu já o aprendi da forma mais complicada. Não precisa ser assim para si... é que não está só, não está mesmo! 
Familiares e amigos, que se distanciam destas pessoas e suas famílias nucleares, não sabem como perdem uma oportunidade estranha de se elevarem, de crescerem, de serem melhores pessoas. 
Vou-lhe contar um segredo, quer? 
Aprendemos com estas crianças, jovens ou adultos (sim, eles crescem!) a verdadeira essência da vida, a resposta que todos buscamos: é o SIMPLES. Eles têm um *descomplicómetro* associado que lhes confere uma poesia na forma de ver e viver a vida que a nós, os formatados para a normalidade, nos desconcerta tão completamente. Afinal, nós os aparentemente normais, andamos a complicar a nossa existência para quê?? 

Como mãe e como observadora, gostaria ainda de assistir neste mundo ao momento em que familiares, amigos da família, pessoas que circundam estes entornos familiares onde existe uma pessoa com autismo, fossem simplesmente agraciados com uma inusitada generosidade e tivessem a verdadeira intenção de perceber como estas pessoas vivem cada momento do seu dia, como os pais e cuidadores resolvem problemas que apenas aparentam ser de somenos importância e podem ser (são) calamitosos. Mais. Deixassem de culpabilizar (os pais) que não tem nem a culpa nem a vontade que isso aconteça. Mais ainda. Esta é a fase em que estas famílias mais precisam de apoio, não de um dedo apontado. 

Sabe uma chuvada de Verão, que poeticamente achamos ter um cheiro romantizado a terra molhada, e essa ser a única emoção a ser acordada? Pode ser dramático para alguém cuja hipersensibilidade o faz sentir dor. 
A chuva não dói - que disparate - poderá pensar, não é? 
Faça-me lá a vontade e caminhe comigo: vá, dispa o casaco, fique de braços nus, descalce-se, abra os braços a uma nova descoberta e deixe os simpáticos pingos quentes da primeira chuvada tomarem conta de si. Caminhe à chuva, vá, mas esqueça-se da sensação que lhe é prazerosa e tente entrar na mentalidade autística de que só (me) ouve falar. 
Aferir a dor de outrem é algo que considero impossível - sempre afirmo isto - mas tente concentrar-se em que cada minúsculo pingo de chuva é uma alfinetada, um golpe de faca, o que seja que imagine que lhe doa a si, mas sinta que lhe dói. E muito. Então? Ficou com vontade de chorar? De gritar? Não acha (ainda) terrivelmente intrusivo?... Certo, vamos subir de nível neste jogo. Agora acrescente que todos os sons foram magnificados amplificados a raiar a distorção e consegue ouvir todas as conversas de todas as pessoas, todos os ruídos de portas, carros, sirenes, pássaros, até o ar condicionado da loja do outro lado da rua, todos os cães a ladrar, os passos de todas as pessoas, mesmo os grilos lá no fundo, do outro lado do quintal. Não chega... Pense nos cheiros que lhe entra pelas narinas. Quais? Então, o do suor do seu próprio medo, aquele que nem deu conta de que se apossou de si, o do pêlo molhado do cão que está do outro lado da rua, o do cozinhado queimado da tia Micas que sai pela janela, o do horrendo dos caixotes do lixo da rua detrás, e sim, o da terra molhada pela primeira chuvada de Verão. Podia continuar, mas vá, pense só que agora não pode abrir os olhos e acabar este exercício. Nunca. Nunca em toda a sua vida.... Diga-me: e agora já gritaria? Eu creio que sim. E nem falei das texturas complexas, das cores que ferem e doem, das palavras que passam por cima da cabeça e fazem fila para entrar nas suas ideias.... 

Autismo existe. É fodido, sim. É apenas o que lhe peço. Olhe para o lado. Cada vez tem mais amigos, vizinhos, primos e conhecidos a terem um bebé com autismo, não é? Então pare para ajudar. Nem que seja a entender. Vá, não seja fodido para com o autismo. 


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Consciencializar 365 dias ao ano

Ontem, na correria do meu dia-a-dia e distraída com os meus pensamentos, ao assomar uma entrada para um MB, percepcionei pela visão lateral - porque na verdade nem quis olhar de frente - um casal, em que um dos homens estava encostado à parede, e o outro debruçado sobre ele, o abraçava e beijava. Foi uma escolha momentânea, eu sei: entrei e não quis olhar para não parecer preconceito da minha parte (até porque assim não sou, nem me considero) e, na verdade, fui-o em grande escala. 
Não tendo tido sorte de usar o multibanco dentro de portas por ser exclusivo para os clientes com caderneta, dirigi-me ao fora de portas onde tinha acabado de passar pelo casal. Fiquei sem reacção: assim que saí uma querida amiga minha e companheira de muitos anos nesta nossa atribulada vida de mães de autistas cumprimenta-me: "Olá Ana!" Continuei sem reacção sem querer acreditar no que todos os meus sentidos já me gritavam e gelei por me sentir tão estupidamente horrorizada com o meu anterior pensamento. 
No momento seguinte estava rodeada pelo seu marido e o filho autista, também já adulto, como o meu, que me deu um carinhoso beijo bem babado. 
Eram pai e filho encostados, ali naquela parede, em que os julguei precipitada e preconceituosa! 
Consegui esboçar as palavras habituais num ritual de cumprimento, mas percebi a estranheza da minha pouco habitual efusividade no olhar inquisitivo da minha amiga, mas eu estava ainda naquele torpor perturbador do que acabara de sentir e estava tão indignada por ter feito o que critico, que simplesmente fiquei queda, sem acção. Pouco habitual em mim, é certo. Tanto a quietude no abraço e sorriso fraterno quanto a estupefacção do sentir-me preconceituosa. 
Sai daquele breve encontro perturbada. O filho dos meus amigos está um homem de 1,70 e muitos de altura, tal como o meu filho. Num primeiro olhar são tão "normais" e como momentaneamente não parecem aos olhos de quem os não conhece, ou desconhece o significado ampliado da palavra autismo, causam estranheza. 
O meu filho abraça-me, amassa-me, beija-me na boca na rua, ou então mesmo em público mexo-lhe amiudamente na braguilha para o compor (sempre com fecho abertos!) e sei que o olhar que têm para connosco é idêntico ao que eu mesma fiz com os meus amigos. Convivo com isso e respondo pondo as pessoas no sítio apenas com um olhar. 
Simples, habituei-me. Mas não me conformei. Não me vou conformar nunca! 
A falta de informação sobre esta população e as suas famílias é gritante, sim. Eu sou a que quase agarro as pessoas pelo braço e pergunto, está a olhar? Não sabe o que é uma pessoa com autismo? Venha cá!, que eu explico. 
Da próxima vez que se deparar com outra pessoa com autismo, pelo menos questione-se antes de julgar e vai entender as reacções que não são habituais ver, as frases proferidas em voz alto ou fora de contexto, todo um mundo que lhe parece estranho, é  apenas porque o desconhece. Venha cá, que eu explico! 
E sim, explico, tranquilamente. 
Faço muitas acções de sensibilização muitos dias após ou antes o 2 de Abril, e sei que o farei a vida toda. 
Consciencializar, consciencializar, sempre! 365 dias ao ano. 
Em algum momento chegamos lá. 
É uma certeza em mim. Em muitos de nós. 
Ao casal dos meus queridos amigos que se vão reconhecer quando lerem este texto, peço-vos perdão. É que - já viram? - eu não fiz o que peço ao mundo: que olhem com atenção reconheçam as reacções inusitadas de uma pessoa com autismo, antes de as julgarem. 


quinta-feira, 12 de março de 2015

Escrever é como respirar alto

Fui hoje a escritora convidada no curso de escrita criativa dirigido pelo jornalista e escritor José Couto Nogueira no Âmbito Cultural do Corte Inglés. 
José Couto Nogueira dando uma aula
O Zé, digo-o sempre sem pejo, foi um dos professores que mais me marcou, meu querido Mestre com quem tanto aprendi. Ficámos amigos de uma forma muito natural, é um conversador admirável, ensina-nos a sério brincando, o som da sua gargalhada é uma imagem doce que nos entra na alma e mesmo depois de acabarem as aulas, permanece. Até mais, acompanha-nos no momento de escrevermos alguma das maroteiras que habilmente nos ensinou como fazer. 
Quando me convidou, senti-me muito honrada. Estar no mesmo painel de escritores de nomeada que muito respeito como Pedro Paixão, Mário Carvalho, Lídia Jorge, Miguel Real ou Tiago Salazar... nem queria acreditar!! 
Pediu-me simplesmente para falar da vida e obra.
 
Para mim escrever sempre foi uma coisa natural, sempre o fiz, acho que sempre o farei. 
No liceu tive como professora a carismática Marina Pestana que vaticinou: "um dia esta menina escreve" 
alguns dos simpáticos alunos do José Couto Nogueira 
E se escrever me é tão fácil, já o acto de publicar são literalmente outros cinco tostões e falei na aula deste tema de uma forma irreverente. 
Acredito que o mundo editorial tal como o conhecemos faleceu já há muito e os velhos do Restelo ou os barões da coisa, como lhes queiram chamar, não ocupam lugar onde comodamente sento o respeito. 
O escritor - a essência desta indústria toda - é tão mal tratado que considero um ultraje continuarmos todos nós - as alegres cigarras que fazem magia com a ponta dos dedos num qualquer teclado ou prosaicamente com papel e lápis - a prestar vassalagem a uns senhores que se dizem donos disto tudo. Eu disse Basta! há uns anos e tornei-me uma escritora independente, uma outsider do sistema e quis, perante uma sala atenta, abrir o jogo e explicar como o fiz, o faço. 
Sim, é irreverente, e sim, resulta.
E quanto mais de nós alegres cigarras o fizermos, mais força ganharemos. 
Falar dos meus livros é sempre tão bom... Escrever é como respirar alto. 
Obrigada Zé, pelo teu gentil convite que tanto me enterneceu. 
Que pena que nos esquecemos, no afã do momento, de tirarmos uma foto juntos! 


TwitEntrevista Alive foi um formato que inventei em 2009 de entrevistas para e no Twitter a pessoas twitteiras que eu considerei interessantes. Fiz apenas uma temporada, porque sou escritora, não jornalista!, porque foi giro fazê-lo, mas não seria tão giro continuá-lo. 
As regras eram simples: Em 140 caracteres PERGUNTA em 140 caracteres RESPOSTA. Sempre com a hashtag #TwEnt

O Zé Couto Nogueira foi o meu entrevistado nº4 aqui fica o registo que fui repescar aos meus arquivos (onde, de resto, consta toda a temporada de entrevistas twiteiras guardadas, caso se interesse pode lê-las, pode fazê-lo seguindo este link http://anamartinscom.blogspot.pt/p/ler.html)
Honra seja feita às minhas originais entrevistas, causavam o caos no Twitter à hora marcada de tanta gente a lê-las em directo, e devido à afluência do público, o pico de audiência que conseguíamos era tal que a plataforma em si ia abaixo e aparecia a imagem irritante da baleia a mandar-nos esperar...

Querido Zé, já passaram 6 anos e tu estás cada vez melhor!!! Um abraço! 

TwitEntrevista Alive #4
Em 140 caracteres PERGUNTA em 140 caracteres RESPOSTA.
Sempre com a hashtag #TwEnt


TwitEntrevista Alive – Volta esta semana com novo convidado especial:


TwitEntrevista Alive com José Couto Nogueira

Timeline Twitter | dia 11 | às 15h

@josecnogueira

Escritor, Jornalista, Blogger,

Professor de Escrita Criativa

José Couto Nogueira foi meu professor no seu curso de Escrita Criativa, um querido amigo e é o único responsável por eu ter entrado no Twitter – o ter ficado já foi por conta própria.

TwitEntrevista Alive #4 @josecnogueira a 11 Agosto 2009 – Timeline Twitter

josecnogueira: #TwEnt @annamartins estou aqui

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Boa Tarde Zé, querido Mestre. Obrigada por teres vindo a meu encontro. Conta-nos como tem sido tua experiência no i.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Tem sido muito satisfatória. Acho o jornal muito bonito, é quase como uma revista diária

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Isso do Mestre… Só se for na boa vida, mas não me lembro de te ter ensinado nada

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Conta aos leitores Twitter o que escreves especificamente no jornal i ?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Faço uma página de tv todos os dias e uma coluna sobre ética aos sábados, a “Coluna Vertical”

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E ultimamente tenho feito algumas peças avulsas, dois quiz e comentários a certas coisas

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mestre? Não da malandragem, de Escrita mesmo! És um excelente professor, mesmo fora de aulas! Descreves o curso?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É um curso para convencer as pessoas de que podem escrever, desde que saibam português. Motivá-las.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Para ti, por exemplo, não serviu de nada, uma vez que já tinhas os requisitos e estavas motivada.

josecnogueira: #TwEnt @josecnogueira O Zé, caros leitores, é um charmoso que dá uma gargalhada na sua máxima plenitude, ri com o corpo todo. Viver é como?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Se me continuas a atirar flores acaba a entrevista… Viver é óptimo — é a única consciência que temos, não é verdade?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Um dia descobrimos que estamos vivos, depois aprendemos a viver, e um dia já não estamos vivos — e nem sabemos.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Quero dizer, não se sabe que se morreu, não é verdade?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Um ideia pirante, mas completamente filosófica, já que não tem nenhuma aplicação prática.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ao volante de um Taxi em NY é coisa para escrever um livro. Em 140 batidas qual o sumo dessa experiência na tua vida?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Para Nova York não é preciso 140 toques: NYC é o melhor sítio do mundo.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira És um batoteiro de primeira apanha! São apenas 140 caracteres para cada resposta!

josecnogueira: #TwEnt @annamartins A explicação é mais longa: não é porque seja paradisíaco, ou só tenha gente boa. É precisamente pelo contrário.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Tem de tudo, seja o que for. À distância de um olhar — ou de um braço

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O meu poder de síntese também é terrivelmente posto à prova a cada pergunta. Tenta responder só com um tweet, por favor

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Paris também podia ser assim, mas tem os parisienses a estragar tudo.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E Londres também podia, mas faltam-lhe centros. Aliás, tem centros demais, em todos os bairros, que nunca se tocam

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mesmo para um romântico incurável como tu? É o sotaque que atrapalha os parisienses? A teu ver o que lhes falta?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins O Chauvin era parisiense. São de uma arrogância incontrolável

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Nessa linha de pensamento, o “Pesquisa Sentimental” teria de ser em Lisboa?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Teria de ser em Portugal, definitivamente

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Os sentimentos são os mesmos no mundo inteiro, mas exprimem-se de maneiras diferentes conforme as culturas

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E também os temperamentos individuais, claro. É 50% cultura, 50% feitio.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins O tipo de problemas sentimentais da Pesquisa e o modo de os resolver, só por cá!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Consegues escolher entre os teus livros “Taxi”, “Vista da Praia” e “Pesquisa Sentimental” o *tal*?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Bem, o último é sempre o melhor, é o que qualquer escritor acha!

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Há um aperfeiçoamento de livro para livro, ou então não vale a pena escrever mais

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Confesso a minha preferência pelo “O Vista da Praia” – época muito carismática e a tua visão… perfeita (sem flores)!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Como tem sido a reacção do público masculino à personagem Alex do “Pesquisa Sentimental”?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Francamente, não sei. Quer dizer, falei com alguns amigos e poucos desconhecidos, não dá para avaliar

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Será porque de uma forma muito Lusa *um homem não chora*, logo os teus leitores não vão jamais comentar contigo?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É muito difícil avaliar a reacção do público a um livro, porque só sabemos dos conhecidos e de quem gosta

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Acho que qualquer autor tem a sensação que o seu livro está a ser um sucesso, pelo agito em volta

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Um livro, hoje (saindo das mãos do escritor), é tratado como uma mera peça de marketing. Sentes-te um *não-alinhado*?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Pois, isso tem pano para mangas. O marketing é irritante, mas é absolutamente necessário.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Se um livro não tiver marketing não existe, mesmo que seja a maior obra-prima de todos os tempos

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Por outro lado há livros que são deploráveis e que vendem bem no engano do marketing

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Claro que o tempo é que mostra quais são os bons livros, os que perduram, mesmo que não tenham feito sucesso na altura

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Qual a vertente profissional que escolherias Escritor ou Jornalista ou são a simbiose perfeita em ti?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não, não são nada simbióticas. Geralmente os jornalistas não dão bons escritores

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Acho que há um lado factual no jornalista (o quê, quando, como, com quem) que vicia e estraga a poesia na ficção

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Eu preferia que me considerassem um escritor, mas creio que sou mais um jornalista

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tudo, como é que te vês?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Eu, como assim..?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O Álvaro de Campos via-me: “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!” in Tabacaria

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Deixa-te de filosofias e diz-me lá terra a terra, vá!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ora! Eu sou terra a terra! Mas meu caro Mestre eu nem jornalista sou, nem pretensão. Escrever sim, é grande paixão

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tens escrito muito, ultimamente?

annamartins: @josecnogueira Mas tu subvertes todas as regras da #TwEnt !!! Agora perguntas tu, é…? E eu respondo!? Humm, escrevo sempre, Zé e muito.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Há sempre outros projectos paralelos à paixão da escrita. Acordei no séc.XXI abri um Blog que hoje mesmo passa a Site.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira E tu querido Zé, depois do sucesso do “Pesquisa Sentimental” já está pensado/escrito o teu próximo romance?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mas um blogue só é um projecto a sério se tiver um objectivo e for actualizado amiúde

annamartins: #TwEnt @josecnogueira .oO (A baleia vai boicotar esta #TwitEntrevista) Oo.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Tem um propósito. Agora que passa a Site o www.anamartins.com tem uma razão de ser: O espaço da escritora Ana Martins.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mas deixa-me perguntar (se a malandra da baleia nos deixar prosseguir) sobre o teu Blog com mais carisma: o PERPLEXO

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É um blogue que eu fiz para descarregar as frustrações que a situação me coloca

annamartins: #TwEnt @josecnogueira .oO (Os directos têm destes imprevistos e o Twitter em vez da mira-técnica tem uma baleia) Oo.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mas a certa altura passei da perplexidade e achei que já não valia a pena dizer mais nada

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mudei para falar de questões de media — as mudanças na comunicação social, mas acontece pouca coisa

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Portanto está paradote…

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Há sempre algo mais a dizer, Zé, por vezes canalizado de forma diferente como o movimento que iniciaste em Lisboa.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Pois, há sempre coisas a dizer, mas com o i e mais outros trabalhos, e o twitter e a vida…

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Há que estabelecer prioridades e o Perplexo não é uma delas, neste momento

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tu, o que vais fazer com o teu blogue?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ora, Zé, digo-te – sem flores – tu tens a energia que muitos jovens de 20 não vão ter nunca! E continuas com perguntas??

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O meu Blog ao ser Site alarga o âmbito e fica tudo arrumadinho por departamentos. Muitas surpresas, espero que boas
josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não queres adiantar nada?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Zé queria agradecer a tua disponibilidade no meio do caos que poderá ser o de um pai de férias a responder-me

annamartins: RT Convido-te para o TwitBeberete de lançamento do http://www.anamartins.com/ @josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não queres adiantar nada?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Eu é que gostei muito desta forma de entrevistar! É sempre divertido falar contigo. Adeus a todos.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Obrigada, querido Zé, por tudo quanto me continuas a ensinar depois das aulas terminarem e agora sim… flores http://ipt.olhares.com/data/big/201/2011264.jpg

annamartins: #TwEnt @josecnogueira São para ti, Querido Mestre. Um abraço 


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Charcot-Marie-Tooth, o que é?

Mais uma doença degenerativa com nome complicado?

Outros cientistas já tinham descrito casos semelhantes, mas foi o trabalho efectuado por estes três cavalheiros, Jean-Martin Charcot, Pierre Marie e Howard Henry Tooth (este último fez inclusive uma tese de doutoramento), que viriam a dar o nome Charcot-Marie-Tooth a esta doença.

Poderia começar por vos dizer que é uma doença neuromuscular, degenerativa, e que os principais sintomas recaem na deformação dos pés e mãos, também nos braços e pernas, propriamente na massa muscular, que causa perdas na sensibilidade e de equilíbrio, passando pela falta de força, e, por ser degenerativa, compromete a independência da pessoa portadora deste diagnóstico de nome estranho. Mas o estranho acontece e o inusitado bate à porta de qualquer família.  O Diogo tem só 15 anos e juntamente com a mãe Susana Moura, decidiram fundar esta Associação em Portugal para apoiarem os portadores de Charcot-Marie-Tooth, enfermidade da qual o Diogo padece, e de que é, de resto, o presidente. Vamos ouvi-lo? 




Acontece que no ADN desta jovem Associação, está um valor muitas vezes esquecido: a BONDADE. Poderia falar igualmente de solidariedade, mas o dar a mão a quem não se conhece, é a meu ver mais que um acto solidário: é proveniente de corações onde a bondade simplesmente habita. 

E desta vez, a mão veio na direcção da minha e do meu filho. Sabem como? Faz parte dos princípios da Associação Charcot-Marie-Tooth dar a mão a outras causas (neste caso específico foi o Autismo) e distribuir 50% dos donativos angariados. É verdade. Não é usual. As campanhas ficam fechadas dentro de si mesmas, mas nesta Associação, literalmente, dão a mão. Escolheram doar metade da receita dos donativos através da exposição "meu pé, tua mão" à campanha Ajudar Pedro e Ana ou seja o meu Pedrinho e eu. 


 

Nem será necessário reafirmar como este gesto me sensibilizou. A Susana pedia desculpa por não ser uma quantia "gritante" mas... é! 
Estou tão grata, Susana e Diogo... e ao malandro do Valério Romão, companheiro de letras e causas comuns, que indicou o nosso nome. Um dia perguntou-me assim na lata, com a franqueza que nos assiste, como me  (nos) poderia ajudar mesmo e eu, na mesma linha, respondi-lhe, deixa-me pensar e depois digo-te. Valério, que forma tão bonita arranjaste de nos ajudares. Obrigada, obrigada, muito... tanto!


Deixo-vos com um outro vídeo que descobri nesta minha busca por entender melhor o que Charcot-Marie-Tooth vem a ser. Gosto desta postura onde o coitadinho não entra... Deve ser defeito meu, porque não há adversidade que derrube o meu sorriso. 




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