Qual seria a tua idade se não soubesses quantos anos tens?


Penso que vou deixar-me ir.

Com os quarenta, a maturidade aterrou, mas não foi ao soprar velas, nem pela passagem de um dia no calendário setembrino. Foi chegando, enroscando-se sem avisar e chega-te para lá que me instalei. Eu cresci. Sem pressas, sem tumultos. Um dia dei-me conta que a tal criança interior de que tantos falam em reter, já não era mais pirralha. Foi um processo tão natural como bonito.
Com os cinquenta, e já que expectante não estou, presumo que seja a época de aproveitar a vida. Definitivamente esse seria o desejo, caso soprasse velinhas.
Paz. É um desejo interior e antiguinho. A sugestão de estar descalça no corpo todo, agrada à pirralha que cresceu.
Porque mesmo sabendo que faço cinquenta, se não o soubesse, possivelmente situaria a minha idade noutra faixa etária. Talvez porque a Ana-Mãe prevalece à Ana-Mulher, até à Ana-Profissional e essa preponderância faz com que haja ainda muita estrada para caminhar, desafios a concretizar, vida a ser vivida.
É o que anseio. Tempo com qualidade para o poder, por fim, fazer.
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