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quarta-feira, 13 de maio de 2015

AO, o irrevogável

Ocorre-me a ideia, no dia em que o malfadado e desacreditado acordo entra (entrará?) em vigor, chamar a que se aproxime aquela nossa palavra estragada - o irrevogável -  para que cumpra na plenitude a sua tão reclamada função, já que sustentando o irrevogavelmente irrevogável, o AO agora será finalmente irrevogavelmente revogado. 
Vá lá, é o que a malta quer, o que a malta pede, o que a malta luta, desde que esta aberração nos foi enfiada goela abaixo. É que já chega! Ó irrevogável, chega aqui para acabarem de vez com o AO! 
Para começo de conversa, aborreço-me ler as notícias matutinas e constatar que a data de hoje já foi revogada. Há destas coisas giras, movimentações palacianas em vésperas de eleições que me fazem sempre relembrar o conceito de sarcasmo, o tal que somos tão bem familiarizados... então a data foi 'irrevogadamente irrevogada' e de 13 de Maio foi chutada para canto, lá para Setembro, no dia do meu aniversário, ainda para mais??? Aiiii, não me estraguem o dia!
(podem ler a notícia na integra aqui) 
Na verdade, eu estou-me positivamente nas tintas se o AO for revogado, agora, amanhã ou depois, só quero que aconteça. Só isso. Limpem a porcaria que fizeram. Não quero mais falar deste assunto, insurgir-me, assinar petições, assinar de cruz o que diz o bzinho João Pedro Graça. Chega de escrever artigos destes e deixar de utilizar esta frase no final de cada um dos meus posts ou livros, só porque sim. 
Recuso-me ostensiva e olimpicamente! 
É mau? É. Se tem sido terrivelmente mau para os miúdos que desaprenderam e vão ter de ser ensinados a escrever português de novo? Pois. Quanto mais tempo demorarem, nem quero pensar nas consequências principalmente para quem está a iniciar a sua jornada e a aprender a escrever errado.
Anne Frank escreveu: 

"O que é feito não pode ser desfeito, 
mas podemos prevenir que aconteça novamente." 

Revoguem o erro e dêem de vez com coragem um passo em frente, sem compadrios e interesses debaixo do pano que todos sabemos que existem. 
Chega!  
Apetece-me dizer em bom português, mandem o AO cagar à horta e limpar o cú às urtigas. 



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pedófilo, como identificá-lo?

Sabe quem pode molestar o seu filho? 
Hoje as coisas são postas de tal forma que é aterrador pensar que devemos suspeitar até da própria sombra, se não da sombra de todos os que rodeiam os nossos filhos, até das pessoas que naturalmente confiamos. 
Este artigo que transcrevo (e que pode ser lido originalmente clique aqui) parece-me à partida fazer uso de um tom alarmista, mas pensando um pouco, basta acontecer uma só vez e está feito, não se clica undo, e não há como contornar o não termos estado à altura de defender o «nosso bebé».
A "culpa" é uma noção muito nossa, e muito devido à ancestral base da educação judaico-cristã que nos está entranhada até aos ossos. Estranhamos imenso como os povos do norte são meio desligados dos filhos, já nós, somos mais do clube do antes prevenir que remediar, não é?
Alguma vez parou para pensar quantas pessoas adultas lidam com os nossos filhos ao longo do seu dia? Entregamos de manhã ao senhor da carrinha que nos devolve no final do dia. Estiveram nas mãos de quem confiamos, é certo, mas... já apareceu de surpresa na escola, no ATL, na natação ou equitação, nos balneários ou corredores, recreios ou recantos? Percebeu a razão da birra, aquele burro amarrado que não se aguenta, aquela tensão aparentemente sem sentido?
Não diga que não tem tempo.
O filho adolescente de uma tal dona Micas e do Manel das Couves (chamemos-lhe assim), suicidou-se sem deixar um único papel e só souberam depois das marcas de auto-mutilação. Porque o faria?, mas porque o fez?
A sério que nunca leu sobre este tema? Nem em nenhum post facebookiano??

Abuso infantil é mesmo assustador.
Para um livro anterior que escrevi, fiz uma pesquisa bem intensa sobre o tema pedofilia. Consegui chegar à fala com algumas pessoas que haviam sido molestadas repetidamente na infância e ou adolescência. Pessoas que depositaram a sua história de vida nas minhas mãos e eu batalhei muito até conseguir entender completamente o sentir. Depois chorei muito. Decidi não escrever a personagem que tinha pensado e, honestamente, foi a melhor opção. Porque é tão hediondo que não quis suportar a dor do sentir para o descrever.
Ainda este final de semana, num bem disposto almoço com amigos, este tema veio para cima da mesa pela inusitada mão do meu filho Pedro. Contou um episódio da vida dele (de que os meus amigos até sabiam algo, mas não com as palavras inocentes com que ele contou). A ser sincera, nem eu nestes anos todos sabia de alguns detalhes que neste domingo partilhou com todos nós à mesa. Já na época "denunciou" o acto ide igual forma, à mesa, onde sabia reunir várias vozes que o ouviriam. E ouvimos. E como sempre fiz, defendi-o assim que consegui descodificar nas palavras inocentes o dedo que se erguia a apontar o que não queria que lhe fosse feito. Achei uma doçura relatá-lo agora, 13 anos após, quando apenas contávamos uma sucessão de acidentes e disparates feitos ao volante, coisas de almoços de amigos, situações e histórias que todos temos, levezinhas e divertidas, como ficar sem gasolina na estrada ou pneus furados em locais impróprios. Depois da aflição destes momentos, há uma outra leveza de ver e contar estes episódios com uma dose de graça. Para o Pedro foi isso mesmo: um "disparate" que ele cometeu num banco traseiro de um carro e, por isso, partilhou-o connosco com a mesma ligeireza, enquanto todos nos silenciámos (a um gesto meu), quando entendi o que iria sair da sua mente naquele momento. Percebi que o tema foi devidamente conversado, explorado e que estava bem arrumado na sua cabecinha, mas ainda assim, catalogado como algo disparatado de se fazer num carro. Como de resto nos disse à mesa: preferiria ter brincado com os carrinhos...
Sei que de seguida tivemos, os adultos, uma conversa dura sobre a minha tal pesquisa de muitos anos, e a esses amigos relatei com detalhe porque não havia escrito sobre o tema. Enquanto falava, fiquei a brincar com os hashis de marfim nos legumes que arrefeceram na taça sem que os conseguisse ingerir. Aquela velha e visceral náusea apossou-se de mim enquanto lhes relatava o que não sei se algum dia conseguirei escrever por palavras. Mas estão aqui gravadas na minha mente. Fiquei fisicamente doente, com dor de cabeça e uma agonia que me atingiu forte na alma. Não conseguimos mudar de tema e esmiuçámos cada contorno, sem contudo aferir a perversidade destes actos cometidos e que num ápice... lá está, basta acontecer uma só vez e está feito, o eixo da pessoa abusada, a noção de bem ou mal, certo ou errado, é destruído para a vida, e isto é tão mais maléfico que o acto sexual em  si...
Por isso, este artigo de outrem, que partilho, retirado do mural do meu querido amigo Tito de Morais tão atento a estes temas no seu Projecto Miúdos Seguros na Net.
Custa-me este tema, mas não sou de pôr a cabeça debaixo dos arbustos nem deixo que me deitem areia nos olhos. Estejamos atentos, pais e mães. Basta uma vez - que nunca é uma vez, mas muitas vezes.
Como mãe fui, sou, serei sempre feroz na defesa da minha cria. E ainda assim, ai queira Deus que não....
Faça o mesmo.
Leia este artigo e deixe o bom-senso imperar.

Criado por Jack.aw, Rafael Bemerguy
Todos os pais querem proteger seus filhos contra predadores, mas como manter seus filhos seguros quando você não sabe identificar o perigo? Qualquer pessoa pode ser um pedófilo, portanto pode ser difícil identificar um, principalmente porque a maioria dos pedófilos inicialmente conquistam a confiança das crianças que sofrem o abuso. Continue lendo para saber a quais comportamentos e características você deve prestar atenção, quais situações deve evitar e como evitar que seus filhos sejam alvos.

Parte 1 de 2: Conhecendo o Perfil de um Pedófilo

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    Entenda que qualquer adulto pode ser um pedófilo. Não há nenhuma característica física, profissão ou tipo de personalidade que todos os pedófilos têm. Eles pode ser de qualquer gênero ou raça e a religião, profissão ou hobbies dessas pessoas podem ser os mais diversos possíveis. Um pedófilo pode ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa enquanto tem pensamentos predatórios. Isso significa que você nunca deve descartar a ideia de que alguém pode ser um pedófilo.[1]
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    Saiba que a maioria dos pedófilos são conhecidos pelas crianças que abusam. Trinta por cento das crianças que sofreram abuso sexual, foram abusadas por um membro da família e 60 por cento por um adulto que conheciam e que não era um membro da família. Isso significa que somente 10 por cento das crianças abusadas foram abordadas por um completo estranho.[2]
    • Na maioria dos casos, o pedófilo é alguém conhecido da criança por meio da escola ou de outra atividade, como um vizinho, professor, membro da igreja, instrutor de música ou uma babá.[3]
    • Os membros da família como os pais, avós, tios, primos, padrastos, entre outros também podem ser predadores sexuais.
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    Conheça as características comuns de um pedófilo. Embora qualquer pessoa possa ser um, a maioria dos pedófilos são homens, sejam suas vítimas meninos ou meninas.[4] Muitos pedófilos têm algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual.
    • Alguns também têm problemas mentais, como um distúrbio de humor ou personalidade.[5]
    • Os homens heterossexuais ou homossexuais podem ser pedófilos. A ideia de que os homossexuais têm mais tendência à pedofilia é um mito.[6]
    • As mulheres pedófilas têm uma tendência maior de abusarem meninos do que meninas.
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    Fique ciente dos comportamentos comuns demonstrados pelos pedófilos.Normalmente, eles não demonstram tanto interesse por adultos quanto pelas crianças. Eles costumam ter muitos empregos que permitem o contato com crianças de determinada faixa etária ou planejam outras formas para que possam passar algum tempo com crianças, praticando atividades de professores ou babás.[7]
    • Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem falando sobre adultos. Eles podem fazer referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro.[8]
    • Os pedófilos normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem crianças.
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    O pedófilo normalmente passa por um processo por meio do qual ele conquista a confiança da criança, algumas vezes até a confiança dos pais.Preste atenção a isso. Durante o período de meses ou até anos, um pedófilo pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com a criança de outras formas. Muitos pedófilos não começam a abusar da criança até que conquistem sua confiança.
    • Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis a suas táticas, pois têm pouco apoio emocional ou não estão tendo atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará ter uma figura paterna para a criança.
    • Alguns pedófilos procuram por crianças de pais solteiros, que não estão tão disponíveis para dar muita atenção.
    • Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.

Parte 2 de 2: Protegendo seu Filho dos Predadores

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    Descubra se há pedófilos em seu bairro. Você pode verificar isso com a polícia.
    • É bom estar ciente de predadores potenciais, mas saiba que é ilegal fazer qualquer coisa contra um pedófilo que já cumpriu sua pena.
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    Verifique as atividades extracurriculares de seu filho. A melhor maneira de proteger seu filho contra pedófilos é estando o mais envolvido possível na vida de seu filho. Eles procurarão por uma criança vulnerável e que não recebe muita atenção dos pais. Apareça nos jogos, ensaios, excursões e passe algum tempo com os adultos que participam da vida de seu filho. Deixe claro que é um pai envolvido e presente.
    • Se não puder participar de uma viagem ou passeio, certifique-se de que pelo menos dois adultos que conhece bem serão os responsáveis.
    • Não deixe seu filho sozinho com adultos que não conhece bem. Até os parentes podem ser uma ameaça. O segredo é ficar o mais presente possível.
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    Caso tenha uma babá, coloque uma câmera em sua casa. Em alguns momentos você não poderá estar presente, portanto use recursos para ter certeza de que seu filho estará seguro. Coloque uma câmera escondida para detectar qualquer atividade inadequada. Mesmo que conheça alguém muito bem, é melhor tomar determinadas precauções para a segurança de seu filho.
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    Ensine seu filho sobre segurança na internet. Certifique-se de que ele saiba que as pessoas perigosas podem fingir que são crianças ou adolescentes para atrair as crianças na internet. Monitore seu filho enquanto ele estiver usando a internet e crie regras para estabelecer limites. Converse sempre com seu filho sobre as pessoas com as quais ele está conversando.
    • Certifique-se de que seu filho saiba que nunca deve enviar fotos para uma pessoa que conheceu na internet, nem marcar encontros com essas pessoas.
    • Saiba que as crianças normalmente escondem coisas que fazem na internet, portanto você precisará ter muita atenção para manter-se informado.
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    Certifique-se de que seu filho sinta-se emocionalmente protegido.[9] Como as crianças que não recebem muita atenção costumam ser mais vulneráveis, lembre-se de passar bastante tempo com seu filho para que ele sinta-se protegido. Tenha tempo para conversar com seu filho todos os dias e construa um relacionamento aberto e de confiança.
    • Demonstre interesse por todas as atividades de seu filho, como os trabalhos da escola, as atividades extracurriculares, os hobbies e outras coisas.
    • Faça com que seu filho saiba que pode contar qualquer coisa para você e que você sempre estará disposto a conversar.
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    Ensine seu filho a identificar toques inadequados. Muitos pais usam o método do “toque bom, toque ruim, toque secreto”. Você deve ensinar seu filho que existem alguns toques adequados, como batidinhas nas costas ou nas mãos. Existem também os toques “ruins”, como tapas ou chutes. Além disso, existem os toques “secretos” que são aqueles sobre os quais as pessoas dizem que elas não devem contar a ninguém. Use esse método ou algum outro para ensinar seu filho que alguns toques não são bons e que, quando algum acontecer, ele deve contar a você imediatamente.[10]
    • Ensine seu filho que ninguém deve tocá-lo em suas regiões íntimas. Muitos pais definem essas áreas como aquelas que devem ser cobertas pelas roupas de praia.
    • Diga para seu filho falar “não” e sair quando alguém tentar tocá-lo nessas áreas.
    • Diga a seu filho para procurá-lo imediatamente se alguém tocá-lo de maneira inadequada.
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    Identifique quando alguém estiver agindo de maneira diferente com seu filho.Se perceber que seu filho está tendo um comportamento diferente, aborde o assunto para descobrir o que há de errado. Se perguntar regularmente a seu filho como foi o dia dele, inclusive sobre os toques bons, ruins ou secretos, ajudará a manter uma comunicação aberta. Sempre preste atenção quando seu filho disser que foi tocado de maneira inadequada ou se ele disser que não confia em um adulto. Confie primeiro em seu filho.
    • Nunca descarte o que seu filho disser, mesmo que o adulto em questão seja um membro confiável da sociedade ou parecer incapaz de fazer algo assim. Isso é exatamente o que o molestador quer.
    • Lembre-se que a coisa mais importante que pode fazer para proteger seu filho é prestar atenção a ele. Avalie suas necessidades e desejos, converse com ele e, o mais importante, seja o melhor pai que puder. Para finalizar, lembre-se: se você não prestar atenção a seu filho, outra pessoa prestará.
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Avisos

  • Lembre-se, se uma criança parecer isolada ou chateada, ela pode tornar-se um alvo muito fácil para um molestador. Pergunte sobre a vida escolar de seu filho e descubra quem são seus amigos. Se ele não tiver amigos, ajude-o a mudar isso.
  • Isso não significa que ninguém deve ter compaixão pelo molestador. Simplesmente significa que sempre devemos estar atentos fracassos da sociedade e devemos lutar para corrigir esses problemas sempre, prestando muita atenção a nossos filhos e mantendo uma comunicação aberta.
  • Esclarecimento de termos: Um pedófilo é uma pessoa fundamentalmente atraída a crianças pré-púberes (um erro comum da mídia é definir um pedófilo como qualquer pessoa atraída a alguém menor de idade, estendendo a definição às pessoas que se sentem atraídas por adolescentes, o que é incorreto). Um hebéfilo é alguém fundamentalmente atraído por pré-adolescentes e um efebófilo é uma pessoa atraída por adolescentes ou pessoas no final da adolescência. Um molestador de crianças é, claro, uma pessoa que molesta crianças, independentemente de suas preferências sexuais.
  • Devido ao grande problema de falta de informação, assim como a cobertura de casos pela mídia, as pessoas que sentem esse tipo de atração ficam assustadas e temem pedir ajuda para resolver seu problema. Além disso, os terapeutas nem sempre são tão objetivos quanto deveriam e alguns pedófilos ficam desesperados por não conseguirem a ajuda que precisam. O desespero pode fazer com que comecem a agir.
  • As pessoas devem estar cientes de que, independentemente do que a mídia diz, há diferença entre os termos “pedófilo” e “molestador de crianças”. Nem todos os pedófilos são molestadores ativos de crianças. Da mesma forma, nem todos os molestadores de crianças são pedófilos. Sempre há motivos ocultos para os comportamentos criminosos e algumas pessoas são criminosos situacionais. Ao contrário da crença popular, muitos pedófilos têm o mesmo horror por sua atração do que as pessoas que são molestadas.

domingo, 20 de abril de 2014

A ausência é um estar em mim

As datas especiais têm um peso social tão marcante que se revela insuportavelmente doloroso na monoparentalidade. 
(ilustração de Margarida Mendonça)
Nesta Sexta-feira Santa, planeava fazer as refeições confeccionando peixe, não por motivação religiosa inerente à data, mas por me fazer sentir a familiaridade da minha querida avó. Quando era criança e adolescente seria impensável pensar em carne nessa sexta-feira e, irreverente como era, ao comer fiambre no pão logo pela manhã, sendo que o meu reino se queda pelos queijos, era a minha desadequada forma aparvalhada naquela idade de subverter as regras da casa. Hoje sorrio ao recordar a tontice e, sem pesar, penso as refeições deste dia com peixe. 

Um vizinho ter feito uma pescaria na noite anterior, foi o meu mote. Os carapaus estavam tão frescos que do saco só emanava uma brisa de maresia e, gulosa, já os casava fritinhos, com o malandro do arroz de tomate aromatizado com pimento e coentros. 
Mas o dia correu todo ao contrário. O meu filho Pedro esteve sempre na eminência de se tornar violento e após arranjar os carapaus, nem sequer consegui chegar perto, muito menos fritar, acto que leva tempo e dedicação e tenho má memória da minha cabeça partida estando ao fogão na confecção de alguma refeição elaborada e tentando neutralizar uma crise. Sou uma lírica, pois não se consegue fazer tudo, e dessa vez uma malga de barro voadora atingiu-me. Pensei que morria nesse dia. Cinco pontos. Agora a minha atenção fica toda na tentativa de neutralizar cada crise e nada mais. E até sou bem sucedida, digo eu com os meus botões. 
A crise arrastou-se pelo dia fora, entrou pelo sábado adentro sem dormir até ao limite de me parecer psicótica - sim, é assustador - e para nos alimentar só consegui aquecer restinhos que tinha no frigorífico, e curiosamente nada tinha de peixe confeccionado. Em 50 anos foi a minha primeira sexta-feira santa corrida a carne. Incomodou-me. Principalmente a quantidade de vezes que me recordei do momento em que no tribunal explicava à juíza como a situação estava mais calma e controlada comparativamente com o terrível mês de Agosto passado, e de como me sorrira e com calma me fez compreender que não tenho nada controlado... Incomoda-me que esteja tão habituadinha a esta vida que nem me apercebo de como é ridícula a minha vã tentativa de me convencer que sair das férias da Páscoa apenas com um pontapé e um murro no ventre seja algo de bom. Incomoda-me que já no final da manhã de sábado aproveitando uma soneca do Pedro, tenha conseguido entre a exaustão e o desconsolo, ter finalmente encontrado meia hora de paz para me entregar à culinária. Incomodou-me ter almoçado sozinha, não ter podido partilhar como estavam bons os carapauzinhos. 
Não tem nada de errado, afinal a maioria das minhas refeições é a solo e não me incomodo, mas em todo o nosso redor, há essa pressão nestes dias supostamente de festa. Nos descontos de supermercado especiais de época, nos ovos de chocolate, nas amêndoas, nos amigos que vão para a terra, tudo em nosso redor nos remete para uma realidade que não tenho, o meu filho não tem, mas sinto que a anseia. Incomoda-me, mas não posso fazer nada, ou até posso, pois que acabando de publicar este post, vou semear a casa com bilhetinhos para uma alegre e matutina caça ao tesouro onde o meu Pedro acabará por dar uns passos, até chegar ao coelho de chocolate. Prevejo umas piadolas que o forte sentido de humor que o meu filho tem, perceberá o fraco trocadilho. Por maior que seja a falta ou ausência de todas as figuras que deveriam estar na sua vida, eu, Mãe, não desisto de preencher a sua vida com momentos bons a dois, tento dar-lhe continuamente uma boa base, ainda que a solo.
Mas eis que encontro forma de me sentir feliz: Uma querida amiga telefona-me entretanto. Vai para fora mais tarde, mas ainda passa por minha casa a trazer um carrinho para o Pedro. Como era cedo, pergunto-lhe se já teria almoçado e desligo já contentinha a preparar-lhe o farnel surpresa, num saco os frescos: as primeiras nêsperas desta primavera tardia e uma caixinha com salada, e num outro saco, arroupadas num pano de cozinha, duas caixas: uma com os carapaus ainda quentes e outra com o arroz já enxuto de malandrices, mas ainda corado de sabores.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sexo no Autismo, acontece...?

Perguntavam naturalmente ao Pedro se já tinha namorada. "Eu não!!," respondeu com aquele ar absolutamente imperturbado, "e depois tinha de fazer sexo com ela...!!" 
Claro que é anedótico e nos rimos - por vezes as famílias de autistas riem de coisas muito diferentes - mas se olharmos com seriedade para cada detalhe na convivência com um miúdo autista, podemos retirar aprendizagens inusitadas. 
Então os autistas não gostam de sexo? 
Se até os bichinhos gostam… 
Lá entramos de novo nas terras pantanosas dos tabus de que não se fala, não se diz. Pois, mas eu falo, questiono outras famílias, quero saber. 
Com o meu filho fica fácil, porque sempre me contou tudo, mas resguardo as nossas conversas. 
Que serviram de base para construir a personagem autista Xico? Sem dúvida que recheei as falas e pensamentos do Xico com as frases excepcionais do meu Pedro, mas o leitor nunca sabe se é o meu processo criativo, se é copy-paste do real. Benefícios de quem connosco priva, apenas.
Mas os autistas, são assexuados, é isso? Não. Ora, seria tão simplista...
Pela minha observação constato que na deficiência o preconceito impera, se confunde sexo com sexualidade, erotismo com inocência, que os julgam erroneamente por um todo, que decidem a bel-prazer apontando o dedo que neste caso é   assexuado ou neste outro só poderá ser hiperssexualidade! Não se pode colocar numa só embalagem com a mesma etiqueta tantas existências, tantas formas de ser, sentir e ver o mundo. 
Não me canso de repetir que se cada indivíduo formula o mundo num olhar diferente, tanto dos neurotípicos como dos seus pares e que, se a vida é absorvida, compreendida de uma maneira tão casuística, porque encarariam este tema em particular em bloco de forma una? 


No livro "AUTISTA, QUEM...? EU?" para além do Xico, mencionei um senhor dentro do espectro do autismo que até tinha conseguido casar e ter uma vida conjugal, mas que a determinada altura se decidiu divorciar, e ao anunciá-lo a sua mulher chorou. Resposta dele? "Não te preocupes, eu arranjo outra..." Mais uma vez o nosso olhar neurotípico acha hilário, mas o twist prende-se num detalhe único que faz toda a diferença. A intimidade. O toque. O dar e receber. O pensar no outro. O amar o outro.
É tudo tão arredio do autismo...
Daí ser até natural pensar: são assexuados. Mas o lado físico da pessoa com autismo cresce e nas idades certas acontece o mesmo que nos neurotípicos. É então que sucede, a quem destas pessoas cuida, a negação da sexualidade, o infantilizar das atitudes e um virar a cara para o outro lado. Para mim não faz sentido.
Sei que o meu filho já esteve verdadeiramente apaixonado - não vos vou contar detalhes, mas sentiu as tais borboletas no estômago, sofreu ao se ver trocado e foi à luta pelo que pretendia. Visto aos olhos da normalidade?, seria mais um de tantos namoricos, mas foi para mim emocionante e também muito divertido presenciar a ausência de malícia sem joguinhos de sedução e directos no ponto. Autistas até à quinta casa!, mas terrivelmente coerentes e correctos. Foi uma lição. Vi o meu filho feliz. E isso sim, para mim fez todo o sentido.
A forma como a sociedade repudia e estigmatiza as manifestações sexualizadas a estas pessoas, causa-me uma certa revolta. Muitas das acções que consideram ter uma carga sexual, serão as que não são pelos neurotípicos encaradas como tal, vá... vou considerar como um piropo: pode ser inofensivo e até nos fazer sorrir.
 (imagem de dois actores brasileiros não-autistas)  
Há quem passe por nós e nos afague os cabelos, ou simplesmente nos cheire os ombros. De notar que no autismo as sensações, as texturas, o odor, os sentidos são exacerbados, têm uma maneira tão diferente de sentir. 
Então serei eu que tenho dificuldade em aceitar que determinado gesto tem uma conotação sexualizada? Terá? E que seja...! Incomoda-me? Não. Deixo-me ser tocada, cheirada, afagada. Sinto que estarão a percepcionar o meu Eu. Tão simples como isso. Se não sinto erotismo no gesto, como o vou conotar como tal, só por não ser neurotipicamente falando aceitável? Há tantas acções (ou piropos) de neurotípicos que não considero de forma alguma normais e ainda assim são por outras pessoas conotados como aceitáveis...! 
Se é tudo tão relativo, porque não aceitar a diferença na diferença? 
Eu vejo desta forma: gosto dessa proximidade que é momentânea e por vezes, mágica. Já outros gestos ou acções denotam o que identificamos com clareza: uma erecção, ou a intenção de passarem a mão pelo nosso peito. Como reajo? Afasto a mãozinha antes de chegar lá, como faria a qualquer neurotípico! Com grande grau de probabilidade com um neurotípico eu sei que não seria tão afável.
Se pensarmos quantos ditos normais existem com transtornos inadequados para consolidarem um relacionamento amoroso... Porque todos nós temos pontos menos bons, quantas vezes nem disso somos totalmente conscientes ou racionais, e no entanto esses factos não interferem negativamente na satisfação entre um casal. No autismo - especialmente nos indivíduos com Síndrome de Asperger - pode até haver um desejo de ir ao encontro do outro e, porque não?, de ser amado, mas não haverá motivação suficiente porque acreditam que, se o fizerem, serão estigmatizados a partir dos padrões que lhes são impostos, por seus cuidadores e pela sociedade no geral. 
Tenho pena que não se invista no amor e sexualidade no universo autístico e simplesmente se entre no facilitismo de lhes prescrever medicação para 'acalmar as hormonas'. 
A meu ver, não se deveria infantilizar adultos. Têm direito à sua vida plena. Mais. Esta minha interrogação acerca do poder do amor e dos relacionamentos amorosos poder ser uma das improváveis mas possíveis soluções, vindo a abrir a porta ao desenvolvimento de comportamentos  sócio-comportamentais adequados e porque não, melhoramento dos cognitivos, apenas porque estão felizes...? Não seria caso de se ponderar sobre o que aconteceria?



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Piropeemos

Muitooo se tem falado e mais ainda digitado sobre o piropo, mas era inicialmente uma questiúncula tão mas tão ridícula, que roçou o meu descaso e foi embora.
Hoje, apetece-me piropear o piropo.
Como este quesito começou já na rentrée do BE, eu achei que Adriana Lopera e Elsa Almeida cometeram o lapso de debitar o discurso anterior da tola silly season, mas claramente foi um equívoco meu não as ter entendido.
A minha cisma é que persisto sem atingir o desassossego que as consome.
As duas senhoras dizem entre outros mimos - e podem lê-lo na integra aqui: "O assédio só pode estar enquadrado na área na violência contra as mulheres, portanto da violência de género ou a violência machista, e será analisado como mais uma demonstração da relação de poder que a sociedade patriarcal estabelece".
Ora então vejamos: Se a finura for: "faço-te uma carica num olho, ó besta!" não é um crime de género, não, e é um primor de somenos importância, o desrespeito, é. Mas se for "Ó boooooa, anda cá ao pai", já é um crime analisado como mais uma demonstração da relação de poder que a sociedade patriarcal estabelece? Pois, continuo sem conseguir alcançar...
Tudo o que roce a proibição, dá-me urticária mental. É um facto incontornável na minha vida, e por princípio, sou logo 'do contra'. É que ainda sou do tempo de me lembrar de, na minha família, haver um hábito estranho para a minha cabeça infantil: abrirem a porta da rua, espreitarem se alguém estaria a escutar e só depois se sentarem para conversar baixinho. Não havia activistas no seio familiar, mas o medo instituído de uma possibilidade pidesca que só mais tarde entendi, faz-me ainda hoje respeitar por si só o conceito de liberdade.
Eu até compreendo que a malta esteja cansada da crise, e bate-se nos piropos com uma veemência, como se não houvesse amanhã, nem mais nenhum tema importante para resolver no país, mas convenhamos, um piropo é apenas isso: um piropo.
s. m. [Popular] Galanteio; elogio; frase amável ou lisonjeira dirigida a alguém.

"Mulher honrada não tem ouvidos", crescemos a ouvir isso, ou "não se responde a um pssst" e ainda que tenhamos uma educação judaico-cristã, com um vínculo muito estreito com a culpabilização, a meu ver, a assimilação de conceitos e preconceitos sobre a relação com próprio corpo, a sexualidade e a feminilidade, são diferentes em cada fase da vida de uma mulher.
Eu nasci e cresci no Bairro de Alvalade, que é paredes meias com Hospital Júlio de Matos. Na época da minha adolescência, convivia-se diariamente com os pacientes psiquiátricos internados que passeavam livremente pelas avenidas. Recordo que havia o senhor da gabardine que a abria despudoradamente, a ternurenta condessa desgrenhada  que embalava um bebé-chorão, entre outros que até tinha uma maior paciência e havia os de que fugia devido aos meus atributos físicos constituírem uma séria ameaça.  Se era incómodo para uma  jovem adolescente? Certamente (e sei que a minha irmã se irá rir no preciso momento que ler este texto porque recordará uma historieta).
Eu fui uma menina que cresci com um peito grande. Se fui alvo de piropanços? Com certeza. Mas se em pré-adolescente me assustei (até porque ainda era maria rapaz), mais crescida, bem mais crescida, já liberta de culpas bacocas-religiosas, aprendi que um silencioso olhar podia ser mais dotado de más intenções que um piropo. Para ambos aprendi a defender-me ou com um olhar 33 ou com o meu comedimento na audição. Se ligo? Não, às vezes sorrio da piadola bem engendrada, mas não respondo, nem ligo aos narizes que quase caem no decote, nem olho (ainda) se fizerem pssst.
A relação com a sua feminilidade, não é na rua com o piropo do trolha, que a mulher aprende a lidar com os pseudo-traumas de que se tanto vê por aí escrito, é em casa, na educação que se dá a cada um dos nossos filhos ou filhas. O respeito aprende-se, é bonito e toda a malta gosta.
Gostaria de saber se uma colega minha de liceu se lembrará de uma ociosa tarde que resolvemos fazer um teste e piropear moços jeitosos, encostadas nas arcadas da pastelaria Vá-Vá como bons trolhas na hora de folga. As reacções foram as previsíveis - a incredulidade.
Não voltámos a fazê-lo, era apenas um teste. Mas se na adolescência aprendi que também as mulheres podem piropear e contudo não o fazem porque assim foram educadas, se calhar a resposta está na educação dos moçoilos. Mães que continuam a achar que os meninos não brincam com vassouras, não precisam saber cozinhar ou lavar a loiça... pensem melhor.


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