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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Porquê um livro sobre este tema, Ana?

Faz agora um ano que segui muito de perto a viagem que o Pedro Lapa fez e a que chamei “O carro que veio de Aveiro”. Não preciso que as memórias do FB me lembre as datas e momentos que em mim ficaram gravados debaixo da pele.

O Pedro foi porque não conseguiu ficar sentado no sofá a assistir pela TV ou redes sociais ao que acontecia, e eu fiquei. Combinámos que seria os seus olhos, voz e coração: eu escreveria o relato da sua viagem, a cada dia ia telefonar-me e transformaria as suas palavras em textos que publicaria no meu site, nas redes sociais.
Parecia simples, mas não foi.
Relatava-me o que via de voz quase apagada, embargada de tantas emoções, muitas as vezes que chorámos juntos, na incredulidade, pelo que presenciava, tanto o que as notícias não veiculam. Acreditamos que tivemos os telefones sob escuta, fui ameaçada, mas os textos não pararam de ser publicados a cada dia.

Hoje acredito que esta viagem mudou cada uma das pessoas que se envolveram nela das mais variadas maneiras, trazendo ao de cima a essência de cada um. Mas eu escrevi sobre a viagem do Pedro e sobre o carro que veio de Aveiro e é sobre isto que hoje continuo apenas a querer falar.  

A cada um dos 10 dias de viagem, eu escrevi e publiquei um texto. Os telefonemas que o Pedro me fez, o que ele viu, escutou e me transmitiu quebraram algo em mim. O que ele sentiu, sendo um homem tão bom, ainda hoje, depois de tantas conversas que já tivemos, continuo a crer que seja bem mais profundo do que consegui em alguma vírgula pôr naqueles dez textos, do que ele mesmo consiga explanar por palavras ou pelo seu olhar.

A viagem terminou com um resultado maravilhoso: foi justamente no carro do Pedro, o carro que veio de Aveiro, que trouxeram uma família síria para Portugal, Ali, Nada com as suas três filhas. Hoje a viverem em Ovar, as meninas a frequentarem a nossa escola, a Nada a cuidar da família, o Ali a trabalhar e a sustentar a sua família honestamente como sempre quis fazer. Um sorriso no rosto, uma voz serena, uma vivência que diz atirar para trás, que o futuro são as suas meninas, e de novo todos atados, agora numa corda invisível, rumo à paz que em Portugal podem viver.

Quando digo que algo quebrou em mim, visualizo-o como uma casca de ovo, porque a viagem do Pedro em mim resultou num renascimento. Envolvi-me muito mais do que esperaria e após a chegada, quis continuar a escrever sobre este tema, apenas escolhi outro caminho, o meu, o da ficção e faz agora também um ano que me embrenhei na ideia, no nascimento do livro que agora tenho em mãos.

É um livro de Amor. Assim começa e assim acabará. Amor. Será através do amor que tenho a veleidade de vos contar a guerra, porque só assim consigo conceber como escrevê-lo.

Comecei com um título, como de resto sempre começam os meus livros e daí desenrolo o fio de todo o enredo na minha cabeça. Criei personagens, dei-lhes nomes, vida. Dei-lhes uma cidade – Lattakia, e uma outra cidade – Aveiro. Dei às minhas personagens um propósito, existências felizes e harmoniosas ou simplesmente normais. Pesquisei, continuo a pesquisar tanto sobre uma vivência que nós, com uma vida ocidentalizada, desconhecemos porque não nos aparece nas notícias.

Hoje tenho uma mão-cheia de pessoas sírias que continuam generosamente a contar-me, não só as suas difíceis e dolorosas histórias da travessia até à paz (relatos que me deixam sem voz, sem mais perguntas a fazer, apenas pouso o lápis e escuto, de olhos arregalados a sentir um imenso murro no estômago), como me contam detalhes importantes para mim de forma a saber reconhecer cheiros, sons, e saberes, povoam a minha imaginação com as suas realidades, expectativas e sonhos. "Põe isto no livro, Ana, é importante." E eu vou pôr todo esse colorido que me ensinaram a ver. São formas de ser e pensar de um povo que aprendi a respeitar. Aprendi que os sírios - mais que as outras nacionalidades do médio-oriente - são como os portugueses: gente boa, afáveis, bons anfitriões, brincalhões, são um povo gentil e generoso - são como nós.

,E depois a guerra, estúpida sem sentido que assola a Síria há cinco anos, que destruiu cidades inteiras, monumentos, a identidade de um povo cuja história remonta às mais antigas do mundo, uma perda sem tamanho para a humanidade. E depois... uma fuga incomensurável, uma corrida da morte certa para uma liberdade incerta, uma maratona pela Vida, pela Paz, pelo Amor.

Faz agora um ano que comecei a escrever a maratona das minhas personagens. E penso que já passei o meu km 32. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Escrever é como respirar alto

Fui hoje a escritora convidada no curso de escrita criativa dirigido pelo jornalista e escritor José Couto Nogueira no Âmbito Cultural do Corte Inglés. 
José Couto Nogueira dando uma aula
O Zé, digo-o sempre sem pejo, foi um dos professores que mais me marcou, meu querido Mestre com quem tanto aprendi. Ficámos amigos de uma forma muito natural, é um conversador admirável, ensina-nos a sério brincando, o som da sua gargalhada é uma imagem doce que nos entra na alma e mesmo depois de acabarem as aulas, permanece. Até mais, acompanha-nos no momento de escrevermos alguma das maroteiras que habilmente nos ensinou como fazer. 
Quando me convidou, senti-me muito honrada. Estar no mesmo painel de escritores de nomeada que muito respeito como Pedro Paixão, Mário Carvalho, Lídia Jorge, Miguel Real ou Tiago Salazar... nem queria acreditar!! 
Pediu-me simplesmente para falar da vida e obra.
 
Para mim escrever sempre foi uma coisa natural, sempre o fiz, acho que sempre o farei. 
No liceu tive como professora a carismática Marina Pestana que vaticinou: "um dia esta menina escreve" 
alguns dos simpáticos alunos do José Couto Nogueira 
E se escrever me é tão fácil, já o acto de publicar são literalmente outros cinco tostões e falei na aula deste tema de uma forma irreverente. 
Acredito que o mundo editorial tal como o conhecemos faleceu já há muito e os velhos do Restelo ou os barões da coisa, como lhes queiram chamar, não ocupam lugar onde comodamente sento o respeito. 
O escritor - a essência desta indústria toda - é tão mal tratado que considero um ultraje continuarmos todos nós - as alegres cigarras que fazem magia com a ponta dos dedos num qualquer teclado ou prosaicamente com papel e lápis - a prestar vassalagem a uns senhores que se dizem donos disto tudo. Eu disse Basta! há uns anos e tornei-me uma escritora independente, uma outsider do sistema e quis, perante uma sala atenta, abrir o jogo e explicar como o fiz, o faço. 
Sim, é irreverente, e sim, resulta.
E quanto mais de nós alegres cigarras o fizermos, mais força ganharemos. 
Falar dos meus livros é sempre tão bom... Escrever é como respirar alto. 
Obrigada Zé, pelo teu gentil convite que tanto me enterneceu. 
Que pena que nos esquecemos, no afã do momento, de tirarmos uma foto juntos! 


TwitEntrevista Alive foi um formato que inventei em 2009 de entrevistas para e no Twitter a pessoas twitteiras que eu considerei interessantes. Fiz apenas uma temporada, porque sou escritora, não jornalista!, porque foi giro fazê-lo, mas não seria tão giro continuá-lo. 
As regras eram simples: Em 140 caracteres PERGUNTA em 140 caracteres RESPOSTA. Sempre com a hashtag #TwEnt

O Zé Couto Nogueira foi o meu entrevistado nº4 aqui fica o registo que fui repescar aos meus arquivos (onde, de resto, consta toda a temporada de entrevistas twiteiras guardadas, caso se interesse pode lê-las, pode fazê-lo seguindo este link http://anamartinscom.blogspot.pt/p/ler.html)
Honra seja feita às minhas originais entrevistas, causavam o caos no Twitter à hora marcada de tanta gente a lê-las em directo, e devido à afluência do público, o pico de audiência que conseguíamos era tal que a plataforma em si ia abaixo e aparecia a imagem irritante da baleia a mandar-nos esperar...

Querido Zé, já passaram 6 anos e tu estás cada vez melhor!!! Um abraço! 

TwitEntrevista Alive #4
Em 140 caracteres PERGUNTA em 140 caracteres RESPOSTA.
Sempre com a hashtag #TwEnt


TwitEntrevista Alive – Volta esta semana com novo convidado especial:


TwitEntrevista Alive com José Couto Nogueira

Timeline Twitter | dia 11 | às 15h

@josecnogueira

Escritor, Jornalista, Blogger,

Professor de Escrita Criativa

José Couto Nogueira foi meu professor no seu curso de Escrita Criativa, um querido amigo e é o único responsável por eu ter entrado no Twitter – o ter ficado já foi por conta própria.

TwitEntrevista Alive #4 @josecnogueira a 11 Agosto 2009 – Timeline Twitter

josecnogueira: #TwEnt @annamartins estou aqui

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Boa Tarde Zé, querido Mestre. Obrigada por teres vindo a meu encontro. Conta-nos como tem sido tua experiência no i.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Tem sido muito satisfatória. Acho o jornal muito bonito, é quase como uma revista diária

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Isso do Mestre… Só se for na boa vida, mas não me lembro de te ter ensinado nada

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Conta aos leitores Twitter o que escreves especificamente no jornal i ?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Faço uma página de tv todos os dias e uma coluna sobre ética aos sábados, a “Coluna Vertical”

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E ultimamente tenho feito algumas peças avulsas, dois quiz e comentários a certas coisas

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mestre? Não da malandragem, de Escrita mesmo! És um excelente professor, mesmo fora de aulas! Descreves o curso?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É um curso para convencer as pessoas de que podem escrever, desde que saibam português. Motivá-las.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Para ti, por exemplo, não serviu de nada, uma vez que já tinhas os requisitos e estavas motivada.

josecnogueira: #TwEnt @josecnogueira O Zé, caros leitores, é um charmoso que dá uma gargalhada na sua máxima plenitude, ri com o corpo todo. Viver é como?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Se me continuas a atirar flores acaba a entrevista… Viver é óptimo — é a única consciência que temos, não é verdade?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Um dia descobrimos que estamos vivos, depois aprendemos a viver, e um dia já não estamos vivos — e nem sabemos.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Quero dizer, não se sabe que se morreu, não é verdade?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Um ideia pirante, mas completamente filosófica, já que não tem nenhuma aplicação prática.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ao volante de um Taxi em NY é coisa para escrever um livro. Em 140 batidas qual o sumo dessa experiência na tua vida?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Para Nova York não é preciso 140 toques: NYC é o melhor sítio do mundo.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira És um batoteiro de primeira apanha! São apenas 140 caracteres para cada resposta!

josecnogueira: #TwEnt @annamartins A explicação é mais longa: não é porque seja paradisíaco, ou só tenha gente boa. É precisamente pelo contrário.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Tem de tudo, seja o que for. À distância de um olhar — ou de um braço

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O meu poder de síntese também é terrivelmente posto à prova a cada pergunta. Tenta responder só com um tweet, por favor

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Paris também podia ser assim, mas tem os parisienses a estragar tudo.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E Londres também podia, mas faltam-lhe centros. Aliás, tem centros demais, em todos os bairros, que nunca se tocam

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mesmo para um romântico incurável como tu? É o sotaque que atrapalha os parisienses? A teu ver o que lhes falta?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins O Chauvin era parisiense. São de uma arrogância incontrolável

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Nessa linha de pensamento, o “Pesquisa Sentimental” teria de ser em Lisboa?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Teria de ser em Portugal, definitivamente

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Os sentimentos são os mesmos no mundo inteiro, mas exprimem-se de maneiras diferentes conforme as culturas

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E também os temperamentos individuais, claro. É 50% cultura, 50% feitio.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins O tipo de problemas sentimentais da Pesquisa e o modo de os resolver, só por cá!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Consegues escolher entre os teus livros “Taxi”, “Vista da Praia” e “Pesquisa Sentimental” o *tal*?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Bem, o último é sempre o melhor, é o que qualquer escritor acha!

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Há um aperfeiçoamento de livro para livro, ou então não vale a pena escrever mais

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Confesso a minha preferência pelo “O Vista da Praia” – época muito carismática e a tua visão… perfeita (sem flores)!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Como tem sido a reacção do público masculino à personagem Alex do “Pesquisa Sentimental”?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Francamente, não sei. Quer dizer, falei com alguns amigos e poucos desconhecidos, não dá para avaliar

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Será porque de uma forma muito Lusa *um homem não chora*, logo os teus leitores não vão jamais comentar contigo?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É muito difícil avaliar a reacção do público a um livro, porque só sabemos dos conhecidos e de quem gosta

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Acho que qualquer autor tem a sensação que o seu livro está a ser um sucesso, pelo agito em volta

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Um livro, hoje (saindo das mãos do escritor), é tratado como uma mera peça de marketing. Sentes-te um *não-alinhado*?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Pois, isso tem pano para mangas. O marketing é irritante, mas é absolutamente necessário.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Se um livro não tiver marketing não existe, mesmo que seja a maior obra-prima de todos os tempos

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Por outro lado há livros que são deploráveis e que vendem bem no engano do marketing

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Claro que o tempo é que mostra quais são os bons livros, os que perduram, mesmo que não tenham feito sucesso na altura

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Qual a vertente profissional que escolherias Escritor ou Jornalista ou são a simbiose perfeita em ti?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não, não são nada simbióticas. Geralmente os jornalistas não dão bons escritores

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Acho que há um lado factual no jornalista (o quê, quando, como, com quem) que vicia e estraga a poesia na ficção

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Eu preferia que me considerassem um escritor, mas creio que sou mais um jornalista

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tudo, como é que te vês?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Eu, como assim..?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O Álvaro de Campos via-me: “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!” in Tabacaria

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Deixa-te de filosofias e diz-me lá terra a terra, vá!

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ora! Eu sou terra a terra! Mas meu caro Mestre eu nem jornalista sou, nem pretensão. Escrever sim, é grande paixão

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tens escrito muito, ultimamente?

annamartins: @josecnogueira Mas tu subvertes todas as regras da #TwEnt !!! Agora perguntas tu, é…? E eu respondo!? Humm, escrevo sempre, Zé e muito.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Há sempre outros projectos paralelos à paixão da escrita. Acordei no séc.XXI abri um Blog que hoje mesmo passa a Site.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira E tu querido Zé, depois do sucesso do “Pesquisa Sentimental” já está pensado/escrito o teu próximo romance?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mas um blogue só é um projecto a sério se tiver um objectivo e for actualizado amiúde

annamartins: #TwEnt @josecnogueira .oO (A baleia vai boicotar esta #TwitEntrevista) Oo.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Tem um propósito. Agora que passa a Site o www.anamartins.com tem uma razão de ser: O espaço da escritora Ana Martins.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Mas deixa-me perguntar (se a malandra da baleia nos deixar prosseguir) sobre o teu Blog com mais carisma: o PERPLEXO

josecnogueira: #TwEnt @annamartins É um blogue que eu fiz para descarregar as frustrações que a situação me coloca

annamartins: #TwEnt @josecnogueira .oO (Os directos têm destes imprevistos e o Twitter em vez da mira-técnica tem uma baleia) Oo.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mas a certa altura passei da perplexidade e achei que já não valia a pena dizer mais nada

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Mudei para falar de questões de media — as mudanças na comunicação social, mas acontece pouca coisa

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Portanto está paradote…

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Há sempre algo mais a dizer, Zé, por vezes canalizado de forma diferente como o movimento que iniciaste em Lisboa.

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Pois, há sempre coisas a dizer, mas com o i e mais outros trabalhos, e o twitter e a vida…

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Há que estabelecer prioridades e o Perplexo não é uma delas, neste momento

josecnogueira: #TwEnt @annamartins E tu, o que vais fazer com o teu blogue?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Ora, Zé, digo-te – sem flores – tu tens a energia que muitos jovens de 20 não vão ter nunca! E continuas com perguntas??

annamartins: #TwEnt @josecnogueira O meu Blog ao ser Site alarga o âmbito e fica tudo arrumadinho por departamentos. Muitas surpresas, espero que boas
josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não queres adiantar nada?

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Zé queria agradecer a tua disponibilidade no meio do caos que poderá ser o de um pai de férias a responder-me

annamartins: RT Convido-te para o TwitBeberete de lançamento do http://www.anamartins.com/ @josecnogueira: #TwEnt @annamartins Não queres adiantar nada?

josecnogueira: #TwEnt @annamartins Eu é que gostei muito desta forma de entrevistar! É sempre divertido falar contigo. Adeus a todos.

annamartins: #TwEnt @josecnogueira Obrigada, querido Zé, por tudo quanto me continuas a ensinar depois das aulas terminarem e agora sim… flores http://ipt.olhares.com/data/big/201/2011264.jpg

annamartins: #TwEnt @josecnogueira São para ti, Querido Mestre. Um abraço 


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Novo Mundo - Rumo ao Brasil

clique aqui
Querido leitor ou leitora,

Está no local certo! Onde pode saber tudo sobre os meus livros. E sim, aqui também os pode encomendar, espreitar, comprar.

Devo confessar que a interactividade já existente entre o universo dos meus leitores e os meus livros, me fascina. O tempo das novas tecnologias permite um acesso directo ao autor e com o autor impensável no tempo de Fernando Pessoa! Mas para mim, continuam a ser as pessoas o que mais conta. A palavra sentida de um leitor meu, a sua opinião é muito importante, amiúde faz-me repensar no que escrevo, como escrevo. Agradeço assim todo o carinho que me dispensam que sabem ser retribuído que o sinto em meu coração. Bem vindos queridos leitores e amigos!


Há muito tempo que é meu desejo ser publicada no Brasil. Falamos a mesma língua, os temas que abordo nos meus livros vão de encontro ao  interesse do público brasileiro, então, porque não...?
preço especial na compra dos dois livros



Encomendar livros para o Brasil?
Sim é possível!! 
ou contacte-me: 
nos chama inbox na conta FB
ou então enviar email para anamartins.com@gmail.com



«Evo é um amor eterno a duas-quatro mãos»

Evo (ou amar para sempre)
Publicado em 2011
Preço 11 €
R$ 50 (preço já com portes para o Brasil)

Sendo Evo cronologicamente o primeiro livro de Ana Martins, contam os amigos que decidiu guardá-lo, evitando publicar até um improvável dia mais tarde na vida. Décadas depois resolve, sem mexer no texto inicial, dar-lhe uma roupagem de contemporaneidade ao juntar um inusitado narrador que abraça e respeita o que a menina escreveu, mas nos revela com mestria a mulher que hoje escreve.
Honrando os amigos que sempre lhe disseram para o publicar, além de finalmente aceitar o pedido (e de lhes dedicar o livro), desafia-os: Uma frase sobre o Evo. As respostas foram todas céleres e emotivas – partilhadas agora com todos os leitores.
Evo, o primeiro-quarto livro de Ana Martins, sai da velha caixa de 30x40 pela editora funQI.books


«O melhor livro de Ana Martins»


 Mal Me Quero
 Publicado em 2010
 Preço 15 €
 R$ 65 (preço já com portes para o Brasil)

Violência doméstica não é só quando o clube perde e o Manel bate na Maria! Cada conto deste livro é pura ficção, se alguma personagem, evento ou circunstância lhe parecer familiar, não é pura coincidência, é apenas porque as histórias aqui contadas – contos curtos, incisivos e perturbadores – realmente acontecem. Ao nosso lado, debaixo do nosso nariz, onde menos esperamos, da forma mais perniciosa e inesperada.
Para além do mal querer de qualquer vítima, há e haverá sempre, a perene certeza que existe o momento de dizer: BASTA!



«O best-seller de Ana Martins»

 Autista, quem...? Eu?
 Publicado em 2006
 Preço 11 € 
 (temporariamente esgotado)

Autismo, esse fantasma que assombra e ao mesmo tempo ilumina as vidas que vai tocando. Viver com o autismo é uma fonte constante de sobressalto e criatividade que a Autora retrata através da descrição do narrador.
E se um primeiro emprego, temporário, lhe modificasse a vida? Quando Xavier Duarte, 22 anos, aceita ser baby-sitter de uma criança autista jamais imaginava que iria entrar num mundo completamente diferente. Desconhecedor das acções, reacções, motivações e obsessões que movem uma criança autista, Xavier vê-se confrontado com emoções contraditórias. De um modo inteligente, a autora, Ana Martins, faz-nos entrar na pele desta personagem levando-nos a sentir, à medida que viramos cada página deste livro, um mundo enigmático, poético e, sobretudo, desconcertante.

«Se a Ana Martins tivesse escrito 30 contos, ganhava o livro todo!»

 Contos de Verão 
 Publicado em 2004
 (Indisponível)

Colectânea de contos publicado no âmbito de um concurso da Editora Coolbooks. Os melhores 30 autores seriam publicados. Eu ganhei com dois contos sendo assim o livro publicado com 29 autores.

Promessas de Verão
Miguel e o Sol

Este livro já não se encontra disponível uma vez que a editora foi comprada e o stock existente infelizmente foi para pasta de papel. Aparentemente pratica comum que me desagrada profundamente. Poderiam ter sido oferecidos a bibliotecas escolares!
Contudo nem tudo fica perdido, decidi colocar os dois contos disponíveis para leitura neste site --> clique aqui <--



quinta-feira, 3 de março de 2011

O fim-de-semana em Paris

Estamos de volta neste site de ganga vestido aos desafios literários a amigos. Desta vez duas amigas muito próximas. Ana Paula Motta do outro lado do Atlântico e Sandra Vieira,  mesmo aqui à minha beira, como dizem no norte. E o que lhes proponho? É simples. Se somos três, faremos um triângulo! Eu escrevo uma personagem e o desafio que lhes lanço é o de fazerem as outras duas personagens desta história que vos conto.
A confusão entre personagens reais e ficcionais é puro delírio da sua cabeça de leitor atento.


por Ana Martins

Carolina pensava seriamente como contar ao marido. Amava-o. Por isso o havia feito. Ele iria sofrer tanto com aquele resultado de exame que decidiu num ímpeto de insana lucidez alterá-lo. O seu amor de sempre nunca poderia gerar um filho, nunca seria pai, mas puxou a si a responsabilidade de uma patologia que não tinha para que ele não se torturasse. Amavam-se. Seriam felizes e nada mais importava. Mentiu e para toda o mundo que os circundava, Carolina era estéril.
O chão fugiu-lhe debaixo dos pés quando leu. Inadvertidamente, não tinha por hábito espreitar, estava apenas a tirar um contacto do telemóvel do marido quando viu a mensagem em rascunho, leu porque pensou ser para ela. Mas a ela era outra. Ele traí-la? Impossível. Tinham um casamento tão feliz! Iam agora para fora… logo a Paris, a cidade do Amor, que cliché estapafúrdio transformar um fim-de-semana apenas num fim!?
Carolina concentrou-se em perceber o que se estava a passar. Leu todas as mensagens para tragar aquela história e poder entender. A sua mentira. Tinha começado na sua mentira. Ele estava interessado numa mulher que era também mãe, aquilo que ele pensava que ela nunca poderia ser por sua culpa e agora procurava outra que o fosse…? Era tão inacreditável que se fechou na casa-de-banho a chorar. Enterrou a cara no toalhão de banho para que não a ouvisse.
Passou o rosto por água fria e mais recomposta decidiu que desse por onde desse teria de lhe contar o seu segredo. A mentira que guardava por amor.
Teria ele feito o mesmo por ela? E esse pensamento corroeu-lhe a alma. Tinha abdicado do seu desejo de ser mãe, absorvido o impacto que a dor da notícia poderia fazer a seu amor e ele como respondia? Arranjando outra. Seria assim tão descartável, substituível? Por ser infértil, estéril, como uma ameixa seca, como já tinha ouvido chamarem-lhe? Estaria o seu marido com ela por pena? Ele ficara devastado com a impossibilidade de serem pais. Mas em vez de se centrar na companheira de vida como ela o fizera, o seu lado animal procurava outra fêmea?
Eu faria isso por ele. Pensou Carolina. Engravidaria de outro homem para lhe dar um filho. Eu faria isso!! A questão que agora me coloco é se o meu casamento vale tudo o que fiz, faço ou faria.


por Sandra Vieira

Já nem sei como começou esta coisa das mensagens, sei que agora são mais de trinta por dia… A primeira vez que o vi, achei-lhe piada, só isso, mas aliança na mão esquerda afastei-o logo da minha vista, e agora ando a enviar mensagem atrás de mensagem, como um vício entranhado na minha pele. O tipo tem piada, faz-me rir… algo que há muito não faço, desperta em mim o humor negro pelo qual era conhecida na faculdade. Agora quer marcar um encontro há mais de duas semanas de que fujo com o rabo à seringa… desculpas atrás de desculpas… também já tentei parar com isto das mensagens, mas esta coisa é viciante. Estar sozinha há mais de três anos, é no que dá.
Fomos para a Serra, devia estar louca… sozinha com um tipo que apenas mandei umas mensagens, inconsciência consciente?! Falamos de tudo, de mim do meu casamento falhado, da minha família, dele, da mulher… de não poder ter filhos, este aliás foi um assunto que desde cedo percebi ser assunto proibido para ele. Ninguém o pode censurar, ser mãe é para mim como água no deserto. No dia em que conheceu o meu Gui, vi o olhar dele… um misto de tristeza com doçura, querendo aproximar-se afastando-se. Hoje durante o tempo que estivemos juntos tentou vezes sem conta beijar-me, eu afastei-o sempre… chamei-o à razão vezes sem conta: és casado!
Agora fico a olhar para o vazio… acordo de manhã pinto-me e demoro duas horas a vestir-me… já não me lembro de fazer este tipo de coisas, ando estupidamente alegre e sorrio a toda a gente. Duas horas por dia é o que ele me dá, e saímos a correr do trabalho entramos no carro às escondidas e assim que passamos o fim da rua já estamos de lábios colados um no outro, não almoçamos nem nada, a vontade comer passa quando nos enchem a alma de afecto. O desassossego do não devo, com a vontade de ter é o pior de tudo, sei que é casado, mas o sabor dos seus lábios, o cheiro da pele dele fica horas entranhado no meu nariz, nas minhas mãos, é de enlouquecer.
Ele quer-me… eu desejo-o mas ele é casado… não sei se consigo ultrapassar este último obstáculo. Tenho o nome dela na cabeça: Carolina. Amanha vão para França, cinco dias… ainda agora me mandou uma mensagem, não sabe como vai passar tantos dias sem me ver… sem me tocar, mas vai estar com ela em Paris a Cidade do Amor. Nada pode ser mais romântico que Paris… Estou louca varrida se não vejo o que está diante dos meus olhos… esta noite vai ser a última vez que estamos juntos… está decidido.
Encontramo-nos no local do costume… olho-o nos olhos, ele quer-me beijar como se não houvesse amanhã, o beijo dele é doce e quente… desta vez não fecho os olhos… e ele também não. Os nossos olhos estão tão colados como os nossos lábios… é o último…. Penso eu… a última vez que vou beijá-lo… agora já não penso… uma lágrima está prestes a cair…
Este foi o nosso último beijo…


por Ana Paula Motta

Daniel era o estereótipo do bom rapaz, desde sempre o primeiro aluno da classe, educado, óculos displicentemente sobre o nariz pequenino.
Desde miúdo foi sempre um protetor. Foi assim com a mãe, abandonada grávida e que fazia dele o centro do universo.
Casou cedo, e sonhava ser um pai exemplar, oposto do canalha que sumiu no mundo assim que soube que ele chegaria.O casamento aconteceu assim que concluiu a faculdade de engenharia, quando conheceu a Carolina, que cursava pedagogia.
Gostava dela, do seu jeito dependente. Seria uma boa mãe. Era uma boa esposa e tinha lá seus encantos.
Quando descobriu que seriam um casal sem filhos, viu seu mundo perfeito ruir. Aos poucos foi criando um mundo paralelo.
Conheceu Laura, decidida um tanto carente de afeto. E era mãe, de um miúdo loirinho, como fora ele um dia.
Num átimo seu mundo foi dividido em dois, os lares se completavam. No Gui realizava de certa forma o papel de pai, provedor e herói. A Carolina tinha nos olhos a submissão das que amam sem limites, era dependente dele, como se a vida sem ele não fosse possível.
Laura era decidida e tinha uma doçura nada passiva, de frágil nem o fato de ser uma mãe sozinha. Atraía seu instinto de macho. Trouxe para sua vida uma excitação que até então desconhecia.


por Ana Martins

Nuno afagou-lhe pausadamente o rosto tranquilo e o seu olhar dizia: Linda Carol. Sempre a tratara assim, desde que a conhecera na faculdade, tal como a amara em silêncio sem jamais deixar que soubesse. Carol só tinha olhos para o namorado, aquele com quem tinha casado. Por isso Nuno estranhara tanto quando a encontrou desesperada a discutirem na rua em Paris.
Carolina distendeu-se preguiçosamente deixando-se afagar. Gostava do cheirinho bom do Nuno, sempre gostara. Era o seu melhor amigo, partilhava tanto e tudo, sem nunca supor que, um dia, o seu melhor e mais prolongado orgasmo fosse com ele!
Depois de Paris nada poderia ser igual. Só de pensar que chegara a cogitar engravidar para dar um filho a um marido que não merecia sacrifício algum, deixava-a indignada. Só a ideia de ter usado o leito conjugal, conspurcado a sua cama, devassado a intimidade do seu quarto ao partilhá-lo com uma outra qualquer… sim, não se orgulhava, mas continuara a espreitar-lhe as mensagens. Como ousara continuar a escrever-lhe mensagens de texto mesmo de Paris? Percebia agora claramente que a outra teria tido mais juízo que o Daniel, mas isso pouco lhe importava. Fora com ele que jurara ficar, fora consigo que Daniel se comprometera perante Deus, a família e os amigos todos – numa festa inesquecível – que a amaria, a honraria e lhe seria fiel e contudo… até no seu quarto!? Estragara-o. Nunca mais seria capaz de se deitar, de fazer a cama de lavado ou de se sentar no cadeirão do canto sem que imagens a assaltassem. Aquela já não era a sua toca. Beijou Nuno nos lábios e levantou-se languidamente. Não precisava de toca, não no sentido metafórico de se esconder. Não se queria esconder mais.

EXERCÍCIO
E se, com uma só frase, mudasse todo o sentido do texto?
Caro leitor, faça-me o favor e agora leia de novo substituindo a frase a Bold por esta: 
Por isso Nuno estranhara tanto quando lhe telefonou aliviada a convidá-lo para Paris.



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