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quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Ana Martins é a Praia da Nazaré

Vamos lá esclarecer: quantas vezes já afirmei que não sou eu??? A capa deste meu livro não me define, já a escolha desta foto para capa deste livro... são outros quinhentos.


a foto é de autoria de Bárbara Carvalhal, e a fotografada é uma amiga. Não é foto minha com 20 anos!!, mas poderia ser, e essa foi a beleza na escolha desta capa de livro, até porque... é na praia da Nazaré!!! E sim, isso já tem história e divulgada aqui neste site de ganga vestida, mas se ainda não conhece porque a imagem de Praia da Nazaré me encanta para além de uma explicação normalizada... leia ou releia.



Curiosamente, foi muitos anos depois, na escolha da foto para a capa do último livro EVO (igualmente autoria de uma das eleitas desse desafio, a Bárbara Carvalhal), em que reafirmo pela última vez - não sou eu na foto, mas poderia ser - por TUDO o que a foto demonstra e o TANTO que o livro representa - poderia ser eu... mas não sou. Então, sem me dar conta, na escolha da capa deste livro, fecho este ciclo, ao encontrar por fim "a minha imagem" perfeita "aos meus olhos" do que o meu amigo autista provavelmente vê em mim, quando diz a cada vez que me vê (e sim, di-lo com frequência, ano após ano, não muda o que vê em mim):

clique para ouvir o Pablo dos Neruda

Neruda - Canta, Dança, Actua só para mim

(também este poema de Pablo Banazol define Ana Martins)
¡¡esto es tan Anita!! 
¡¡Muchísimas gracias ao Pablo!!


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Prenda de casamento

Nos dias de hoje em que proliferam os relacionamentos descartáveis, o «agora estou bem depois logo se vê»... mas ainda existem pessoas que realmente estão bem juntas!, porque vale a pena esse investimento pessoal e até se casam simplesmente porque se amam.
Conheci a Fernanda e o Bruno ainda eram só namorados, mas a cumplicidade entre ambos sempre me comoveu.

Estes dois - pensei eu - são e vão ser sempre um casal. Sente-se nos pequenos gestos do dia-a-dia que sem se darem conta que partilham com outras pessoas, na aceitação das divergências, na forma de lutarem pelos mesmos objectivos. Aqui há uma bonita história de amor, de cumplicidade,  uma união que vai fruir!!!
clique para ouvir a música
Os Azeitonas - Anda Comigo ver os Aviões

Veio a ideia de uma prenda original.
O meu último livro - EVO - fala de uma inesquecível história de amor eterno. E num repente, tudo me pareceu encaixar num dia de festa, emoção e celebração do amor.
Na realidade este mês de Julho os meus livros estão a atravessar o Atlântico para uma primeira remessa de encomendas que temos no Brasil.
Mas a minha ideia não é oferecer meu livro EVO para os noivos, já que a Fernanda e o Bruno são meus leitores, mas sim... para um convidado deste casamento em Curitiba!!!

E como vou fazer isso???

Para os noivos desejo a maior felicidade para o próximo dia 15 de Julho e para todos os dias que se vão seguir, com todas as suas noites.


E para o meu próximo (e improvável, não fosse esse leilão) leitor ou leitora que licitará este meu livro no Brasil, deixo aqui um breve resumo do que a crítica em Portugal fala do EVO para saber que livro vai ganhar.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ler à lareira

Sabem como é? Ir no carro, de cabelos ao vento, à velocidade de mil pensamentos, embrenhados nos problemas do nosso corrido dia-a-dia e, num repente, a música que passa no rádio transporta-me ainda mais célere para um doce 'rincón' de minhas memórias, uma música dos anos setenta!... e é tão tão Evo!!!

Minnie Riperton - Loving you

Hoje deixo-vos com esta melodia inebriante e com um dos meus capítulos favoritos do livro Evo, «Sábado», o capítulo que «ELE» delicadamente diz tudo sem dizer nada

Sábado

«Jamás me perdonaré termos desencontrado as nossas vidas de forma tão leviana. Olho de relance as fotos sobre a mesa enquanto busco um cigarro no maço e parece-me que oiço Anita, a engraçadinha, que trocista sempre cantarolava baixando o tom e enrouquecendo a voz a tentar imitar Joaquín Sabina:

«Enciedo un cigarrillo y otro más
Un día de estos he de plantearme
Muy seriamente dejar de fumar»

Cresce-me uma raiva surda e amarga ao reler este princípio que podia não ter tido fim. Agimos de forma irreflectida connosco mesmos. Éramos muito novos, alegaria a Ana anos depois, fuimos unos gilipollas, era o que dizia, o que ainda digo.
Pero eso es el recuerdo que tengo hoy dia de aquel entonces.
Naquela altura era diferente. El deseo matava a minha segurança, parecia un virgencito disparatado, caramba!, nem sequer a enlacei e beijei uma única vez!!
E aquele sentir tan largo que me aquecia as entranhas e toldava as ideias, confundia-me tanto…
Afasto a manta de mim e levanto-me do sofá. Noite sem estrelas, logo hoje!, !!hace un tiempo de la hostia!! Agora apetecia-me tanto ficar unicamente a olhá-las… sempre o faço, ahhh! Anita tinha razão no que escrevera, não se enganara, sempre, mas sempre me lembro da nossa combinação, e mais!, eu não tinha a menor dúvida que ela faria igual, onde quer que estivesse, em que situação fosse... por toda a sua vida!
Ainda bem que fui trazendo lenha para dentro, com esta chuva traiçoeira agora estaria molhada. Imbuído nesta melancolia que me dói e conforta, só me apetece acender a lareira. Tantas recordações que me remetem à nossa vida. Anita sempre brincava comigo quando estávamos juntos à lareira chamando-me “peligroso pecaminoso”, fazendo um trocadilho engraçado com as palavras em espanhol pecoso (=sardento em português) e com o reflexo do fogo no meu cabelo ruivo (=pelirrojillo em espanhol).
Sento-me num toco de árvore que tenho como banco e ali fico, aparentemente entretido no torpor quente e ondulante das chamas. Atiro a ponta do cigarro para o lume e acicato o fogo crepitante que tranquilamente cuida que me aquece a alma enquanto me quedo perdido nos meus mais intensos pensamentos.
Eu gosto de ler, às vezes ando em mãos com um livro em espanhol, outro em português e outro em qualquer outro idioma, não é por avançar na leitura devagar que estou a demorar tanto neste… afinal quem não passou já tardes ou dias inteiros delante de un libro, com o cabelo sobre o rosto, com os olhos a doer do esforço continuado, sem conseguir parar de ler, leyendo y leyendo, esquecido da vida, do mundo, sem se dar conta que tem fome ou que arrefeceu e está com os pés gelados? Eu, por pura precaução, se leio tapo-me logo com a minha manta porque sei que me alheio por completo. Mas este livro da Ana, ¡por Dios!, é mágico, envolve-me, transporta-me para as nossas vidas, as que não vivemos como desejaríamos. Faço, sem me dar conta, pausas intermináveis a meditar. Nuestras vidas! Podíamos ter casado, ter tido filhos juntos, ter formado uma família unida e ditosa, porque pais que se amam criam filhos mais felizes, com uma base sólida que lhes servirá em adultos também para serem melhores pais, sempre pensei assim.
Acredito que este mundo precisa de pessoas assim, melhores, equilibradas e bem formadas, na verdade são as que naturalmente se reúnem no decorrer de suas vidas – ou como a Anita, com graciosidade, chamava aos amigos mais chegados, «a sua tribo» – como se as pessoas se reconhecessem como seres iguais e naturalmente se congregassem com um vínculo criado naturalmente a que chamamos amizade.
Os meus amigos de sempre, os que sabiam este meu segredo e sempre souberam da Ana, às vezes quebravam o silêncio sobre este tema para me dizer: Não penses mais nisso! Segue em frente! Por esta altura poderiam estar já divorciados, podias não ter sido feliz com ela, como o vais saber? Pois não o vou saber, porque nuestras vidas, apesar do paralelismo que sempre nos guiou, somos – fomos – como os carris de uma linha de comboio: eternamente ao lado uma da outra, seguem em frente mas nunca se unindo.
A Ana era eu sem o ser, e vendo-me numa outra pessoa como eu era, sou, inebriava-me na sua beleza e candura, encantava-me na sua bravura e inteligência e deixava-me transportar numa imensidão de palavras que calavam um silêncio que nunca deveríamos ter deixado instalar.
Sinto o espírito esvaziado, mas a cara quente e os olhos a picarem do calor emanado.
Ao contrário de Ana, soube que nunca iria ser amado assim, que nunca mais iria amar tão intensamente.»


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Anita y Ele

Agora Ele. Depois de Sexta-feira sobre a personagem "Anita", hoje Sábado vamos falar dele. A personagem sem nome, porque assim o decidi.
Love - Art of Noise
E na realidade parece-me fácil entender o porquê: se na parte do livro 'biografizável' existe alguém que à autora não apeteceu dar-lhe cara, nome e o põe a morar num improvável nenhures, é porque não pretende revelar a identidade da pessoa! Simples. Por isso, no livro, ele é sempre "Ele".
E se na personagem "Anita" eu enquanto autora tive de lidar com meus próprios limites, imaginem como encurtei as balizas para com alguém que não pretendi nunca 'biografizar' ou expôr. Antes brinquei com o esconder a verdadeira identidade. Até na personagem que apareceu no Facebook 'pedi emprestado' um olhar matreiro apenas porque consegui uma foto em que os olhos têm as duas cores necessárias à personagem. . . e ainda assim usei sempre a foto editada para nunca revelar a identidade.
Já para a gravação da voz da personagem quis um timbre quente porém forte, cativante no sonido de um sotaque que me encanta. Obrigada Joe Santos por dares a tua voz à personagem "Ele".

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ouvir aqui a personagem "Ele" na interpretação de Joe Santos

Segredo meu este, escrito a tinta permanente que subsiste arreigado, cravado debaixo da pele. É de sempre, é como o sinto. Quem o sabe, sempre o soube, acompanha-me na sombra adivinhada do meu silêncio. Eu assim o escolhi – não falar, não pensar, julguei que com o tempo, muito tempo, pararia de o sentir. Pero no. No silêncio cresceu puro e apropriou-se do voo alado da minha imaginação e vive, reinventa-se no campo solitário do meu agir interior.

Esta penosa sensação que me acompanha de ter sempre escolhido um outro caminho das melhores opções para a minha vida, advém de, naquela primeira grande encruzilhada, ter ido embora de Portugal quando deveria ter avançado sem medo ou hesitações no sentido de quem eu queria, quero: Ana. Três simples letras e encerram o meu segredo. Rendido, ajoelho-me sem acção junto da arca e desta vez sinto força para, ao levantar a tampa, a encarar: 
Uma caixa azul de 30 por 40 em que confinei cartas, músicas, gestos, cheiros e emoções, calculei que era o que bastava. Pouso o cigarro no cinzeiro e, ao destapá-la, vem agarrada a vida que queria ter vivido. Segredo há muito adormecido, este meu, deixo escorregar o meu corpo encostado à parede, sentando-me, cruzo as pernas com vagar, pois tenho a caixa aberta no colo, vou tocando em cada momento guardado, acaricio contornos de memórias não esquecidas, acordo e recordo emoções, distanciado e esquecido do cigarro que lentamente se consome.
Segredo este meu, escondido há tanto, mas nunca olvidado. Se a buscasse agora ela… aún se acordaria de mi? Tomo o atado de envelopes na mão e encontro a letra bonita de Anita meio difusa. Aproximo-as do meu rosto, encosto ao nariz e inspiro. Se antes emanavam um perfume acitrinado, agora só me cheiram a papel envelhecido.
Parecerá uma história de amor desenganado no tempo e na vontade igual a tantas outras, mas não. Porque és la mia, un dulce amor, como canta Serrat na canção “Aquellas pequeñas cosas”,

«Uno se cree que las mató el tiempo y la ausencia.
Pero su tren vendió boleto de ida y vuelta.»

Volto a tentar focar-me na letra manuscrita tão minha conhecida. Pestanejo e afasto naturalmente o braço tentando ganhar campo de visão. Por Dios!, penso, é também nestas pequenas coisas que sinto como os anos passaram, começo a já não ver nada sem os óculos de perto! Levanto o olhar e não alcanço onde deixei os óculos. 
Mergulho de novo na caixa. Por baixo das cartas e das cassetes com música, encontro fotos nossas, livros amarelecidos e procuro o manuscrito impresso em folhas A4. O primeiro livro que Anita escreveu – Evo – e nunca quis publicar, guardando-o para um dia mais tarde na sua vida. Mas quando o mais tarde não se torna demais? Porque a vida pode acabar-se num segundo sem ter tempo de preparar quem nos rodeia, sem ter tempo de sequer argumentar, Ah!! eu ainda quero mais um bocadinho para fazer tudo e tanto!
Não disse o que queria nem fiz o que preciso, urge ainda fazê-lo enquanto tenho tempo. Ainda terei tempo? Será o meu bilhete de ida e volta? Pensar que um dia o relógio vai parar deu-me uma premência de querer o tudo antes de a cortina descer, antes do tanto que persisto em alcançar – o todo que eu sei perdido algures no sempre. Quiero volver a leer. Quiero volver a…
Desassombradamente decido que este fim-de-semana vou embrenhar-me no livro! Deixo a caixa aberta no chão e num pulo levanto-me, pouso o manuscrito sobre a manta, e ainda antes de me esticar no sofá, agasalhado com a manta a tapar as pernas para começar a ler,
 espalho algumas das nossas fotos que sei de cor na mesa e vou em busca de uma garrafa de água e dos óculos, por Dios!, mis gafas!, ...mis gafas, nunca me acuerdo donde las he dejado!!!! É que já não consigo ler sem eles…!


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anita

O meu livro «EVO» está a chegar à segunda edição, e pensei colocar aqui as duas personagens, uma de cada vez. E é com grande emoção que faço estes dois post.
Art Of Noise - Moments In Love
Começo pela Anita. Apesar de ser uma personagem 'biografizada', hoje sou uma mulher diferente e principalmente sinto diferente da menina tímida que reconheço nesta foto com 20 anos. Fecho os olhos e no meu imaginário de autora não deixo de a sentir equidistante do meu eu, mas suspensa na voz de timbre meigo, quase de menina, da Sophia Vieira que lhe deu vida numa doce interpretação de um texto gravado para o lançamento do livro, tal como não me liberto das imagens tranquilas das fotos da Bárbara Carvalhal captadas na praia da Nazaré (a que escolhi para capa do livro Evo e outras que publico aqui hoje), que acabo por indubitavelmente as associar à ideia por mim arquitectada da personagem "Anita". E como num blog podemos ir mais além da palavra escrita de um livro, deixo-vos com um dos textos de "Anita", rodeado de sons e imagens que eu escolho para voar liberta de tudo, num todo que por fim se encontra em evo.








ouvir aqui a personagem "Anita" interpretação de Sophia Vieira


Ser Feliz.
Desde sempre é o meu desejo, quando fecho os olhos depois de soprar as velas do bolo de aniversário.
Ser Feliz.
Ao passar a meia-noite de final do ano, o momento tolo em que, por um breve segundo, achamos que tudo vai ser perfeito.
Ser Feliz.
Acredito que a Felicidade é constituída apenas por breves momentos.
Se a ambição mais secreta de todas as pessoas é serem verdadeiramente felizes, então cabe a cada um de nós sabermos reconhecer cada uma das oportunidades que nos é dada, aproveitá-la e apreciar intensa e demoradamente.


Podem ser momentos simples, como ver o sol espelhado no mar, sentindo o aroma intenso da maresia a impregnar-nos a alma, com o som das ondas a rebentar nas rochas, e sentados na falésia soprar bolinhas de sabão que o vento leva até à praia.
Passar num jardim com o sistema de rega avariado, não resistir à criança que há em nós, descalçar as sandálias, saltaricar de braços abertos pisando a relva molhada, e ser suavemente aspergida enquanto, por um breve segundo, se avista, por entre a bruma produzida pelo gotejar compassado, a inextinguível sedução do arco-íris...
Pode ser um luxuriante espectáculo de fogo-de-artifício numa quente noite de Verão.
Numa manhã fria de Inverno entre o duche e a correria para sair de casa a horas, ao pendurar, como todos os dias das nossas vidas, a toalha húmida no lavatório, damo-nos conta que os passarinhos estão a cantar e sorrimos com a ideia da Primavera estar prestes a chegar... também de alguém que passa todos os dias por baixo da janela e que assobia tão bem – pena que seja um hábito em desuso, é tão agradável!
O cheirinho a terra molhada durante uma súbita primeira chuvada; pisar as folhas estaladiças caídas no Outono; um soalho acabadinho de encerar; o odor forte da gasolina... claro, esta é a minha visão, a memória dos meus sentidos, as minhas mais queridas recordações.
Sei que muito boa gente odeia o cheiro a gasolina, ou quem em criança teve penosamente de encerar a casa de família de joelhos, não suportará sequer a ideia de um soalho de madeira sem verniz, tal como eu odeio gatos... mas essas são outras histórias.
Estes breves instantes são porventura os mais ternurentos do nosso dia, mas vivemos tão intensamente nesta azáfama desenfreada que nem os apreciamos devidamente. Desaprendemos simplesmente a reservar tempo, o precioso tempo do nosso corrido dia, para um sorriso da alma. Quem não suspirou já por um dia ter tão-somente 24 horas?


Deve ser por eu ainda acreditar no Pai Natal que consigo parar e acompanhar o voo de um bando de andorinhas que, quando volteiam no céu e apanham o Sol no ângulo certo, irradiam um tom prateado no seu voar, parecendo num ápice que se irão transformar em fadas madrinhas.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ao fechar esta porta (abro logo outra página)

Queridos leitores, 
não faria sentido continuar a escrever esta personagem de que falo no post anterior. 
agora o meu caminho é escrever outras personagens de outros livros. Até porque o «EVO» já vai na 2ª edição, cada livro e suas personagens levantam-se de mim e caminham sozinhas!
Contudo, posso revelar que a minha próxima personagem será a MADALENA. 
É verdade! Estou de volta a escrever a continuação do "Autista, quem...? Eu?"
Gosto que me continuem a ler!
Muito Obrigada,

"O fio da vida" - Rodrigo Leao feat.Thiago Pethit



Yo nunca miento. 
soy uno. 
personaje de mí mismo. 
hasta pronto, hasta la vista, hasta luego, hasta otro día... Hasta Evo!







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