sexta-feira, 8 de julho de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Escolhas
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| chuva? frio? neve...? hum hummm |
Achei engraçado tirar foto de uma bonita amendoeira prematuramente em flor e colocá-la no facebook com um qualquer texto, talvez alusivo à bonita lenda da princesa oriunda do norte da Europa que casou com um rei mouro. Conta-se que sendo sensível à sua tristeza (pela saudade de avistar os campos cobertos de neve na sua terra), o marido mandou plantar amendoeiras a perder de vista nas terras algarvias ao redor do seu castelo, para que a sua bela e jovem mulher sorrisse ao avistar, pelo início da Primavera, uma paisagem branca. Mas o meu apelo era o céu limpo de riscos deixados pelos aviões, num deslumbrante tom de azul profundo. A legenda que coloquei na foto correu em contraposição ao sentido que todos estavam a publicar nas redes sociais nesse momento: o frio gélido do vento, a chuva intensa, o granizo enorme, li que falavam de desconforto. Sim, estava mesmo muito frio, mas escolhi valorizar o fugaz momento feliz que o Sol abriu e brincar com o teor da legenda.
Em momento nenhum escrevi, publiquei ou comentei que esse instante se desvaneceu, acto contínuo, ainda esperava o pão quente sair, o céu fechou e no regresso a casa apanhei uma molha enorme. E sim, foi de novo uma escolha minha muito consciente.
Nas redes sociais cada um usa o seu livre arbítrio para publicar o que lhe aprouver. Todos o sabemos. Podemos achar louvável ou detestável o que o outro escolhe compartilhar. Podemos escolher ler, comentar, deixarmo-nos impregnar naquelas palavras ou voltarmo-nos para outras. Podemos pensar ser aquele o todo, quando apenas é a parte que foi escolhida para partilhar por um qualquer amigo virtual. Pensamos que tal afirmação pode ser real, fantasiosa, ou até despreocupadamente falsa, apesar da convicção do indivíduo ser legitimamente enraizada que está a fazer o correcto.
Cada um de nós escolhe o que quer mostrar de si, como quer mostrar, a quem quer mostrar. Podemos agitar bandeiras, defender causas, levantar a voz ou silenciar numa hibernação profunda. Podemos tanto, podemos tudo.
Ou podemos escolher desligar o wi-fi e simplesmente viver a vida real.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Dia Zero

A cada Outubro consciencializa-se. Em muitos Outubros os resultados dão positivo. Em outros tantos Outubros dão negativo. A minha pergunta é simples:
Quando depois do Outono vier o Inverno e estiver mesmo muito frio, podes gastar um minuto da tua chuveirada rápida para te tocares? Ou na Primavera, na preparação para aquele primeiro dia na praia, quando depilas as axilas, tocas-te? melhor ainda - já te tocaste hoje?
A cada Outubro as campanhas relembram-nos que desde o ano anterior nem pensámos nisso, mas vá lá, faz-me a vontade, é mesmo importante e tu sabes isso. Cria um hábito diário. Lavas os dentes sempre, certo? Então toca-te. Ou deixa que te toquem, olha que é bom.
Hoje é o dia zero para quem passou os últimos a contar pelos dedos quantos faltariam para acabar o tratamento. Hoje é o exacto dia de celebrar um ano do diagnóstico. Ironias, e a melhor é: Hoje é dia de agradecer estar viva.
Hoje é o dia zero para quem passou os últimos a contar pelos dedos quantos faltariam para acabar o tratamento. Hoje é o exacto dia de celebrar um ano do diagnóstico. Ironias, e a melhor é: Hoje é dia de agradecer estar viva.
Se todas (ou apenas uma de nós) no próximo ano evitar ter o ano que ela passou apenas com um toque, tocas-te?
Estarás a esta hora de regresso a casa. O tratamento acabou. Dia Zero, minha querida, hoje páras o mundo e descansas com toda a serenidade, amanhã que já respiraste profundamente, outra nova fase cheia de energia e claridade.
Sei que vais ter um fim-de-semana cheio, muito mimo, abraços, sorrisos. A cada um respondes com uma pergunta firme: já te tocaste hoje?
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