quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Felicidade é...




«Aqui ao luar, 
Ao pé de ti, 
Ao pé do mar» 




Se só o sonho fica, se só a ele te podes entregar?
Vives nos bastidores da tua vida?, és uma espectadora ou a protagonista? 
(vai Ana, usa esse teclado maluco e escreve)
Escrevi há muito tempo no meu livro Evo sobre «Ser Feliz» e nessa altura tinha a convicção de que "a Felicidade é constituída por breves momentos." Disse-o, escrevi-o. Hoje posiciono-me de uma forma diferente: levantei-me do cadeirão confortável em que me aninhava, e já num outro ângulo, olhar a vida passar deixou de ser o foco que inconscientemente assumi, e escolho não me entregar mais na fantasia de um sonho, mas nos braços de uma doce realidade.
(vai Ana, abre essas asas e voa)
Viver é uma experiência mágica, dou-me conta a cada dia. E o que damos valor a cada momento?
Um passarinho que canta tão bem (ou muitos), amo em especial no final de Inverno quando a madrugada é rasgada pelo cantar dos afoitos que apressam a entrada da Primavera.
Encanto-me quando uma nortada me trás até casa o prazer irresistível do fresco da maresia a inundar-me as narinas até à alma, e eu moro longe do mar, quem diria chegava até mim?
Olhares, sorrisos, conversas, pedaços de tempo partilhados com os nossos amigos, pessoas que amamos e nos amam, gestos que o demonstram mais que palavras afirmadas, abraços apertados inesquecíveis mais poderosos que promessas sussurradas ou gestos previsivelmente comandados.
Todos estes momentos ou outros que povoam a mente de cada um são especiais, mágicos e irrepetíveis, mas são isso mesmo: momentos. Hoje apesar do todo mágico que ainda me rodeia, eu quero mais!
Fomos formatados em crianças, condicionados por uma castradora educação judaico-cristã a acreditar na culpa como o complemento das nossas horas sombrias. Ao longo da vida, de uma forma mais ou menos veemente, cada um de nós vai levantando amarras aqui e ali e liberta-se de dogmas e preceitos adquiridos, mamados cedo. Há quem nem almeje a mais e isso estará certo para cada ser que escolhe assim viver e não só se acomodam, como nidificam nesse viver que lhes é aprazível. Para os insaciáveis a coisa torna-se mais densa porque o limite está além do céu. O querer mais não é errado, é uma busca, um caminho (ou muitos) percorrido num sentido (ou noutros), que comparo a em criança e como gostava de trepar às árvores: os pés bem firmes na subida primeiro rápida, depois as mãos segurando e puxando essa elevação do corpo e logo a busca por cada tronco mais forte que os galhos ali ao lado, escolhas de caminhos mais seguros, desistência de percorrer aquele recanto cujo galho te parece instável, ou porque esse caminho tem um horizonte desinteressante e sobes e trepas mais alto, mais apelativo, mais acima a segurança compromete-se e o sonho brilha em cada pontilhado de luz entre as folhas já menos frondosas e a escolha aguçada de cada tronco a que te agarras fica mais criteriosa, e se a segurança continua a ser fundamental, deixas-te levar pela abertura da vista, observas, olhas na outra direcção e continuas a escolher qual o caminho que mais te convém, ou simplesmente o que escolhes para te posicionares, escolhes até onde queres ir, como queres lá chegar e por quanto tempo pretendes ficar até caminhares noutro sentido. O teu sentido caminho.
Tenho vindo a descobrir que existem outros ramos de árvore que nunca avistei, e para um espírito inquieto, não desisto enquanto não os alcançar. Se são frágeis e perecíveis ao meu peso? Emagreço. Simples. Mas eu vou chegar lá, e antes que me dê conta, já me soergui do canto onde me acomodei e busco as mil maneiras de o alcançar.
"a Felicidade é constituída por breves momentos." Vejo diferente. São muitos momentos, deixam até de ser momentos para ser um estado de alma, de disposição para abraçar o todo que se nos apresenta lá no topo da árvore. Porque hei-de admirar apenas um ângulo da visão que se me oferece, quando há tantos cantos e recantos especiais que encontro? Porque não colectá-los a todos? Podemos, sabia? Todos. E os momentos felizes estendem-se a realidades. E saem do grilhão que nos aprisiona os sonhos. Nem só o sonho fica, nem só ele pode ficar, apenas porque cada um de nós quer mais. E sim, esse lado adormecido desperta, a felicidade aterra, e o protagonismo dá-se para cada um de nós.




sexta-feira, 31 de julho de 2015

os perfeitinhos do séc. XXI

Diga-me: começa o dia a sorrir para uma nova manhã ou a correr para a balança à espera do milagre matutino? Pela sua saúde, tenha juízo! 
Existem balzaquianas gorduchinhas, até nas personagens ficcionadas que povoam a nossa mente, como uma maravilhosa Bridget Jones, a sentimentalona desastrada (isto quando a actriz Renée Zellweger tinha cara e corpo de Bridget) ou uma bem desenhada Princesa Fiona que escolhe ser feia, gorda (e verde!) contrariamente aos cânones de beleza vigente, e contudo é linda! Então entre tantas das muitas mulheres com corpos pouco danone, respeito as que desrespeitam as regras, as que quebram o padrão, as que são como são, o que as torna (a meu ver) nas verdadeiras wonder woman deste século.

Porque motivo ser-se magrinha é bonitinho, ou até sinónimo de elegância? Não sabe? Pasme-se com a resposta: porque dá trabalho.

Explico: Se em tempos idos ter acesso a alimentação variada e em abundância tinha uma conotação de status (apenas para alguns privilegiados), quando o reverso da moeda (passar fome) era o espectável, então nessa época ter-se um aspecto nutrido era difícil e considerado o supra sumo da batata frita. 
Hoje é o contrário. Com toda a revolução industrial e industrializada, ficou fácil, temos à disposição uma panóplia fantástica de alimentos, do saudável ao hidrogenado. E cada um (ou uma) de nós é uno nas suas escolhas alimentares, nas que fazemos a cada momento, sejam as conscientes, sejam as da gula ou da palermice aguda. É aquela compulsão de comer uma batata frita seguida de outra, logo de outra, e não parar até às migalhas do fundinho. Apesar de não serem as opções mais correctas, empanturramo-nos - optamos com muita ligeireza pela facilidade do 'saciar', e já nem falo apenas de alimentação ou do cliché da falta de auto-estima ou ter muitos gatos: É o equilíbrio. E esse reside no âmago de cada um de nós. 
Hoje tem um peso demasiado exacerbado o peso que cada um tem. Eu? Voto no bem estar. Conseguir rondar esse bem estar, enroscar mente, alma e corpo numa harmonia que atingida não pode ser partilhada, antes sentida, faz com que ditames de revistas e imposições photoshopadas se reduzam à sua insignificância: se cada um (uma) se sente bem num 40, 42, porquê a guerrilha do 34, vá 36...? Excesso de peso?, ou excesso de zelo? Bom senso é que não é. E depois... 'Mente sã em corpo são' não é o slogan de um qualquer ginásio de moda, daqueles que a malta frequenta para bombar corpos saciando-se de modas, inflando biceps despropositados e egos megalómanos. 
E os postiços...? Ele é unhas, pestanas e cabelos quilométricos, ou maminhas e barriguitas de adolescente, tudo se compra, corta e alinhava. Tudo devidamente uniformizado para não escaparem ao modelito vigente. A originalidade é hoje um conceito esquisito. Ahhhhh, devem ser artistas... aí tudo cola convenientemente no figurino, não é? 
E os sorrisos??? Ceifam-se milhares de sorrisos únicos, com lábios assoprados por agulhinhas, aqueles sorrisos encantadores com um dente sobreposto ou outro tortinho que lhe conferia aquele ar engraçado, e essa unicidade perde para um pré-formatado sorriso pepsodent igualzinho a todos os outros que foram manietados com araminhos e elásticos.
Saciar o insaciável. Descartar o descartável. E logo a batata frita seguinte. Vive-se de um ideal que passamos nas redes sociais como uma realidade maximizada enquanto se esconde na sombra do tamanho desse perfil criado e alimentado a pão-de-ló.
São as linhas de conduta que os nossos dias exigem, ou melhor dizendo, escolhas que fazemos em função de metas que nos são propostas de forma subliminar, em nome de uma satisfação despida e imediatista.


Difícil, difícil? É vestir um 34, vá 32. Difícil é ter tanta comida à disposição e mandarmos a dona Gula evitá-la. 
Na nossa sociedade temos esse paradoxo de o social, o convívio ser em torno de uma mesa de refeição, vá... de petiscos. Amigos, e acepipes deliciosos para trincar. E depois endeusa-se a magrela que come uma folha de alface (a que fica com um humor de cão) e condena-se com um olhar uma anafadinha na montra de uma pastelaria (a que tem a gargalhada descompromissada). 
Teorias há que se batem com este novo modelo e a emancipação das mulheres. Como?, subjugando-as. Libertaram-se do jugo, foi? Tomem lá outro. Vamos inventar um novo sacrifício para as prender a um ideal que vão ter dificuldade extrema de atingir. Vamos pô-las doidinhas sem se aperceberem como e de onde esse sentimento de inadequação surgiu. Vamos às dietas loucas, às operações plásticas, toca a emagrecerem para terem credibilidade, para serem aceites. E ai das que desobedeçam, porque o rótulo salta mais rápido que os impropérios. 
Hoje não se fala em voluptuosidade, mas de implantes, esqueceram-se da sensualidade das curvas, da força de mãe-natureza que cada mulher possui: somos montanhas, vales, rios. Valoriza-se covinhas e saboneteiras nas omoplatas, conta-se as costelas, dá-se assustadoramente valor à ausência de valores.
"Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina".
Naomi Wolf
Hoje temos o fenómeno da Lua Azul... a minha amiga Rosa Barros desafiou-me há pouco, e desafio cada uma das minhas leitoras e amigas a celebrar-se junto com a Lua num pequeno ritual, seja com mais mulheres ou então a solo. Mas entregue-se, deixe fluir, desamarre as suas asas em final de julho e simplesmente voe. O que realmente conta é celebrar-se junto à Lua, é permitir-se voltar às raízes do feminino. Não sabe como fazer? Apenas dance... somos todo, somos uno, somos essa fluidez da vida, esses movimentos!!!

E temos Agosto aí. Eu? Estou arco-íris. Planeio de todo o coração abraçar este mês que entra, estou fisicamente de braços abertos com todo o meu ser receptivo à chegada do meu filho Pedro :) para o nosso Agosto feliz em arco-íris. E sim, comecei o dia a sorrir, e agora depois de muitooooo escrever, estou confiante, finalmente em paz.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Doer ou doer?

Sabe quando lemos uma frase, aqui ou ali, seja na net ou grafitada numa qualquer parede, que chama por nós? Quando até buscamos a autoria da mesma e depois ao encontrarmos perde o interesse, que nem é esse o nosso foco, porque o que vimos, a leitura que fizemos, é um outro filme? Eu foquei-me nesta palavra: "doer" 


Bem sei, leu certamente em português – "doer" (de dor, magoar) e contudo inserida na frase, a palavra é afinal em inglês "doer" (de fazedor, o que faz) – o que automaticamente posiciona tudo em duas acções ou posturas totalmente diferentes. 

Gosto de pensar em mim como uma mocinha "fazedeira", mas a ser completamente sincera, sei que muitas vezes não o fui, não o sou. No entanto olho para trás, para a pegada que deixo, e é real: um percurso estupidamente coerente colado a mim. E o sorriso, sempre um sorriso. 

Tenho, para trás, uma imensidade de vida de doer, a de dor, faz parte da massa que me moldou a ser a pessoa que sou hoje. O crescimento não é isento. Se fosse, as águas não mexeriam e tudo estagnaria numa alegre monotonia. A beleza de estar vivo, de sermos gente, vem da capacidade que temos de sentir, de pensar, de agir, de fazermos escolhas. Muitas vezes paralisei acometida de medos, outras deixei-me ir na corrente, mas sempre me travava com uma máxima para comigo: faz de conta que és corajosa, ninguém vai notar a diferença. E avançava. E de alguma forma superava os medos muito ou nada tolos. Durante anos supus que até a mim mesma enganava, por fazer de conta tempo demais, mas a determinada altura já se mesclava tanto o fazer de conta com o real... e realmente eu fazia. Doer de fazedeira. Nunca de dont'er. 
Ahhh, e sorria, nunca deixei - nem deixarei - de sorrir. 


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