domingo, 11 de janeiro de 2015

Limpa menos, lê mais

Desde que li que o Dalai Lama um dia disse: «Limpa menos, lê mais» 
Ahhhhhh eu parei mesmo a minha vida louca, corrida e stressadíssima da forma como a conduzia até então, para pensar na verdade subjacente nestas simples palavras. E foi um momento que antecedeu a 'grande viragem', com direito às grandes modificações inerentes tal como às consequências, as boas e as más. 
Verdade que nasci ainda numa geração em que fomos educadas para casar, o tal Síndrome de Cinderela de que todas acabamos por ser de uma forma ou de outra vítimas que, de resto, já escrevi no meu livro MAL ME QUERO (quem tem o acesso ao ebook lê aqui nesta página
Lembro-me de limpar a minha casa duas vezes por semana, talvez pelo vício do cheiro a cera de abelha acabadinha de passar no chão, que veio rapidamente a adquirir aquele tom douradinho que pela hora do pôr-do-sol em diante se espraiava pela madeira, era um espelho lindo e o meu orgulho, a luz quente, o chão da minha casa). Valeu-me de muito o esforço e dedicação quando a minha vida num ápice virou de cabeça para baixo com um diagnóstico que não se deseja nem espera. Toda a grávida sonha com o seu bebé lindinho e perfeitinho. Já sabemos não foi o que me aconteceu. 
E num outro ápice medonho, o meu lindo chão, que por diferentes prioridades e solicitações se tornou baço, deixou de me criar qualquer tipo de embaraço, tão-pouco, preocupação. Só anos mais tarde teria de novo o tempo para retomar esse frenesim, mas sabem?
Já havia compreendido o tal sábio ensinamento: em vez de sequer olhar para o chão descolorado, para além de escolher cozinhar (uma das tarefas que me dá mais prazer e até a tal paz tão almejada), sorri para os livros que pacientemente esperaram que o meu filho crescesse, e por fim, por mim, escolhi escrever. 

Reproduzo agora um texto de autor desconhecido, traduzido livremente por mim, mas faço a ressalva que se encontra, tal como o descobri, no meu mural facebookiano (e por traduzido livremente, afirmo que acrescentei, como boa cozinheira que sou, a minha dose q.b. de pozinhos de perlimpimpim)

«Não deixes que as tuas panelas brilhem mais que tu! 
Não leves as limpezas ou o trabalho tão a sério! 
Pensa antes que aquela camadinha de pó homogénea só te vai criar uma patine e proteger a tua cómoda, pensa que uma casa somente vai ser um lar quando fores capaz de escrever com o dedo “Amo-te” sobre os móveis. 
Antigamente eu gastava no mínimo 8 horas por semana para manter tudo bem limpinho, para o improvável caso de “alguém aparecer” – mas depois descobri que ninguém passa “por acaso” para visitar – todos estão muito ocupados a passearem, ou a divertirem-se e a aproveitar a vida! 
Então e agora?, se alguém aparecer de repente? 
Na verdade, não tenho que explicar a situação da minha casa a ninguém… as pessoas não estão mesmo interessadas em saber o que eu estive a fazer o dia todo enquanto outras passeavam, se divertiam ou aproveitavam as suas vidas… Caso ainda não tenhas percebido: 
É REAL - A VIDA É CURTA… APROVEITEM-NA!!! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
mas pára para pensar se não seria melhor experimentares pintar um quadro ou escreveres uma longa carta a tinta permanente, dares um passeio à beira-mar com o sol quente a bater-te nas costas e os salpicos da água a refrescarem-te, ou visitares um amigo, quem sabe bater energicamente um bolo, o teu preferido, o que não fazes há anos, e permitires-te lamber a colher repleta de massa crua, de saíres para o jardim ou varanda e plantar umas sementinhas, regá-las e veres tudo crescer e florir? 
Pondera muito bem a diferença entre QUERER e PRECISAR. 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
porque poderás não ter muito tempo para beberes uma bjeca geladinha com tremoços, nadares no mar (ou na piscina), escalares montanhas, enroscares-te com os teus cães rebolando na relva, ouvires música e leres aqueles livros que estão em pilha na tua mesinha de cabeceira, cultivar a relação com os amigos que mais prezas e aproveitar a vida! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
porque a vida continua lá fora, o sol fazendo-te semicerrar os olhos, o vento a despentear-te o cabelo, ou uma chuva molha-tolos caindo mansamente ou um floco de neve que te deixa as bochechas encarnadas. Pensa bem, este dia não voltará jamais! 

Limpa o pó, ok, mas quando e se for preciso, 
mas não te esqueças que vais envelhecer e muita coisa não te será tão fácil de fazeres como agora… E quando fores, como todos nós partiremos um dia, também vais tornar-te pó! 
Ninguém se vai lembrar de quantas contas pagaste, nem da tua casa tão limpinha, mas vão-se recordar sempre do teu sorriso e generosidade, da tua amizade fiel e intensa, de tua alegria até da tua maroteira, e sim, do que ensinaste. 
 No fim das contas, “Não é o que tu acumulaste, se não o que espalhaste (sem te dares conta) que reflecte como tu viveste a tua vida.”» 



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pedófilo, como identificá-lo?

Sabe quem pode molestar o seu filho? 
Hoje as coisas são postas de tal forma que é aterrador pensar que devemos suspeitar até da própria sombra, se não da sombra de todos os que rodeiam os nossos filhos, até das pessoas que naturalmente confiamos. 
Este artigo que transcrevo (e que pode ser lido originalmente clique aqui) parece-me à partida fazer uso de um tom alarmista, mas pensando um pouco, basta acontecer uma só vez e está feito, não se clica undo, e não há como contornar o não termos estado à altura de defender o «nosso bebé».
A "culpa" é uma noção muito nossa, e muito devido à ancestral base da educação judaico-cristã que nos está entranhada até aos ossos. Estranhamos imenso como os povos do norte são meio desligados dos filhos, já nós, somos mais do clube do antes prevenir que remediar, não é?
Alguma vez parou para pensar quantas pessoas adultas lidam com os nossos filhos ao longo do seu dia? Entregamos de manhã ao senhor da carrinha que nos devolve no final do dia. Estiveram nas mãos de quem confiamos, é certo, mas... já apareceu de surpresa na escola, no ATL, na natação ou equitação, nos balneários ou corredores, recreios ou recantos? Percebeu a razão da birra, aquele burro amarrado que não se aguenta, aquela tensão aparentemente sem sentido?
Não diga que não tem tempo.
O filho adolescente de uma tal dona Micas e do Manel das Couves (chamemos-lhe assim), suicidou-se sem deixar um único papel e só souberam depois das marcas de auto-mutilação. Porque o faria?, mas porque o fez?
A sério que nunca leu sobre este tema? Nem em nenhum post facebookiano??

Abuso infantil é mesmo assustador.
Para um livro anterior que escrevi, fiz uma pesquisa bem intensa sobre o tema pedofilia. Consegui chegar à fala com algumas pessoas que haviam sido molestadas repetidamente na infância e ou adolescência. Pessoas que depositaram a sua história de vida nas minhas mãos e eu batalhei muito até conseguir entender completamente o sentir. Depois chorei muito. Decidi não escrever a personagem que tinha pensado e, honestamente, foi a melhor opção. Porque é tão hediondo que não quis suportar a dor do sentir para o descrever.
Ainda este final de semana, num bem disposto almoço com amigos, este tema veio para cima da mesa pela inusitada mão do meu filho Pedro. Contou um episódio da vida dele (de que os meus amigos até sabiam algo, mas não com as palavras inocentes com que ele contou). A ser sincera, nem eu nestes anos todos sabia de alguns detalhes que neste domingo partilhou com todos nós à mesa. Já na época "denunciou" o acto ide igual forma, à mesa, onde sabia reunir várias vozes que o ouviriam. E ouvimos. E como sempre fiz, defendi-o assim que consegui descodificar nas palavras inocentes o dedo que se erguia a apontar o que não queria que lhe fosse feito. Achei uma doçura relatá-lo agora, 13 anos após, quando apenas contávamos uma sucessão de acidentes e disparates feitos ao volante, coisas de almoços de amigos, situações e histórias que todos temos, levezinhas e divertidas, como ficar sem gasolina na estrada ou pneus furados em locais impróprios. Depois da aflição destes momentos, há uma outra leveza de ver e contar estes episódios com uma dose de graça. Para o Pedro foi isso mesmo: um "disparate" que ele cometeu num banco traseiro de um carro e, por isso, partilhou-o connosco com a mesma ligeireza, enquanto todos nos silenciámos (a um gesto meu), quando entendi o que iria sair da sua mente naquele momento. Percebi que o tema foi devidamente conversado, explorado e que estava bem arrumado na sua cabecinha, mas ainda assim, catalogado como algo disparatado de se fazer num carro. Como de resto nos disse à mesa: preferiria ter brincado com os carrinhos...
Sei que de seguida tivemos, os adultos, uma conversa dura sobre a minha tal pesquisa de muitos anos, e a esses amigos relatei com detalhe porque não havia escrito sobre o tema. Enquanto falava, fiquei a brincar com os hashis de marfim nos legumes que arrefeceram na taça sem que os conseguisse ingerir. Aquela velha e visceral náusea apossou-se de mim enquanto lhes relatava o que não sei se algum dia conseguirei escrever por palavras. Mas estão aqui gravadas na minha mente. Fiquei fisicamente doente, com dor de cabeça e uma agonia que me atingiu forte na alma. Não conseguimos mudar de tema e esmiuçámos cada contorno, sem contudo aferir a perversidade destes actos cometidos e que num ápice... lá está, basta acontecer uma só vez e está feito, o eixo da pessoa abusada, a noção de bem ou mal, certo ou errado, é destruído para a vida, e isto é tão mais maléfico que o acto sexual em  si...
Por isso, este artigo de outrem, que partilho, retirado do mural do meu querido amigo Tito de Morais tão atento a estes temas no seu Projecto Miúdos Seguros na Net.
Custa-me este tema, mas não sou de pôr a cabeça debaixo dos arbustos nem deixo que me deitem areia nos olhos. Estejamos atentos, pais e mães. Basta uma vez - que nunca é uma vez, mas muitas vezes.
Como mãe fui, sou, serei sempre feroz na defesa da minha cria. E ainda assim, ai queira Deus que não....
Faça o mesmo.
Leia este artigo e deixe o bom-senso imperar.

Criado por Jack.aw, Rafael Bemerguy
Todos os pais querem proteger seus filhos contra predadores, mas como manter seus filhos seguros quando você não sabe identificar o perigo? Qualquer pessoa pode ser um pedófilo, portanto pode ser difícil identificar um, principalmente porque a maioria dos pedófilos inicialmente conquistam a confiança das crianças que sofrem o abuso. Continue lendo para saber a quais comportamentos e características você deve prestar atenção, quais situações deve evitar e como evitar que seus filhos sejam alvos.

Parte 1 de 2: Conhecendo o Perfil de um Pedófilo

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    Entenda que qualquer adulto pode ser um pedófilo. Não há nenhuma característica física, profissão ou tipo de personalidade que todos os pedófilos têm. Eles pode ser de qualquer gênero ou raça e a religião, profissão ou hobbies dessas pessoas podem ser os mais diversos possíveis. Um pedófilo pode ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa enquanto tem pensamentos predatórios. Isso significa que você nunca deve descartar a ideia de que alguém pode ser um pedófilo.[1]
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    Saiba que a maioria dos pedófilos são conhecidos pelas crianças que abusam. Trinta por cento das crianças que sofreram abuso sexual, foram abusadas por um membro da família e 60 por cento por um adulto que conheciam e que não era um membro da família. Isso significa que somente 10 por cento das crianças abusadas foram abordadas por um completo estranho.[2]
    • Na maioria dos casos, o pedófilo é alguém conhecido da criança por meio da escola ou de outra atividade, como um vizinho, professor, membro da igreja, instrutor de música ou uma babá.[3]
    • Os membros da família como os pais, avós, tios, primos, padrastos, entre outros também podem ser predadores sexuais.
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    Conheça as características comuns de um pedófilo. Embora qualquer pessoa possa ser um, a maioria dos pedófilos são homens, sejam suas vítimas meninos ou meninas.[4] Muitos pedófilos têm algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual.
    • Alguns também têm problemas mentais, como um distúrbio de humor ou personalidade.[5]
    • Os homens heterossexuais ou homossexuais podem ser pedófilos. A ideia de que os homossexuais têm mais tendência à pedofilia é um mito.[6]
    • As mulheres pedófilas têm uma tendência maior de abusarem meninos do que meninas.
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    Fique ciente dos comportamentos comuns demonstrados pelos pedófilos.Normalmente, eles não demonstram tanto interesse por adultos quanto pelas crianças. Eles costumam ter muitos empregos que permitem o contato com crianças de determinada faixa etária ou planejam outras formas para que possam passar algum tempo com crianças, praticando atividades de professores ou babás.[7]
    • Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem falando sobre adultos. Eles podem fazer referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro.[8]
    • Os pedófilos normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem crianças.
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    O pedófilo normalmente passa por um processo por meio do qual ele conquista a confiança da criança, algumas vezes até a confiança dos pais.Preste atenção a isso. Durante o período de meses ou até anos, um pedófilo pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com a criança de outras formas. Muitos pedófilos não começam a abusar da criança até que conquistem sua confiança.
    • Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis a suas táticas, pois têm pouco apoio emocional ou não estão tendo atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará ter uma figura paterna para a criança.
    • Alguns pedófilos procuram por crianças de pais solteiros, que não estão tão disponíveis para dar muita atenção.
    • Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.

Parte 2 de 2: Protegendo seu Filho dos Predadores

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    Descubra se há pedófilos em seu bairro. Você pode verificar isso com a polícia.
    • É bom estar ciente de predadores potenciais, mas saiba que é ilegal fazer qualquer coisa contra um pedófilo que já cumpriu sua pena.
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    Verifique as atividades extracurriculares de seu filho. A melhor maneira de proteger seu filho contra pedófilos é estando o mais envolvido possível na vida de seu filho. Eles procurarão por uma criança vulnerável e que não recebe muita atenção dos pais. Apareça nos jogos, ensaios, excursões e passe algum tempo com os adultos que participam da vida de seu filho. Deixe claro que é um pai envolvido e presente.
    • Se não puder participar de uma viagem ou passeio, certifique-se de que pelo menos dois adultos que conhece bem serão os responsáveis.
    • Não deixe seu filho sozinho com adultos que não conhece bem. Até os parentes podem ser uma ameaça. O segredo é ficar o mais presente possível.
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    Caso tenha uma babá, coloque uma câmera em sua casa. Em alguns momentos você não poderá estar presente, portanto use recursos para ter certeza de que seu filho estará seguro. Coloque uma câmera escondida para detectar qualquer atividade inadequada. Mesmo que conheça alguém muito bem, é melhor tomar determinadas precauções para a segurança de seu filho.
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    Ensine seu filho sobre segurança na internet. Certifique-se de que ele saiba que as pessoas perigosas podem fingir que são crianças ou adolescentes para atrair as crianças na internet. Monitore seu filho enquanto ele estiver usando a internet e crie regras para estabelecer limites. Converse sempre com seu filho sobre as pessoas com as quais ele está conversando.
    • Certifique-se de que seu filho saiba que nunca deve enviar fotos para uma pessoa que conheceu na internet, nem marcar encontros com essas pessoas.
    • Saiba que as crianças normalmente escondem coisas que fazem na internet, portanto você precisará ter muita atenção para manter-se informado.
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    Certifique-se de que seu filho sinta-se emocionalmente protegido.[9] Como as crianças que não recebem muita atenção costumam ser mais vulneráveis, lembre-se de passar bastante tempo com seu filho para que ele sinta-se protegido. Tenha tempo para conversar com seu filho todos os dias e construa um relacionamento aberto e de confiança.
    • Demonstre interesse por todas as atividades de seu filho, como os trabalhos da escola, as atividades extracurriculares, os hobbies e outras coisas.
    • Faça com que seu filho saiba que pode contar qualquer coisa para você e que você sempre estará disposto a conversar.
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    Ensine seu filho a identificar toques inadequados. Muitos pais usam o método do “toque bom, toque ruim, toque secreto”. Você deve ensinar seu filho que existem alguns toques adequados, como batidinhas nas costas ou nas mãos. Existem também os toques “ruins”, como tapas ou chutes. Além disso, existem os toques “secretos” que são aqueles sobre os quais as pessoas dizem que elas não devem contar a ninguém. Use esse método ou algum outro para ensinar seu filho que alguns toques não são bons e que, quando algum acontecer, ele deve contar a você imediatamente.[10]
    • Ensine seu filho que ninguém deve tocá-lo em suas regiões íntimas. Muitos pais definem essas áreas como aquelas que devem ser cobertas pelas roupas de praia.
    • Diga para seu filho falar “não” e sair quando alguém tentar tocá-lo nessas áreas.
    • Diga a seu filho para procurá-lo imediatamente se alguém tocá-lo de maneira inadequada.
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    Identifique quando alguém estiver agindo de maneira diferente com seu filho.Se perceber que seu filho está tendo um comportamento diferente, aborde o assunto para descobrir o que há de errado. Se perguntar regularmente a seu filho como foi o dia dele, inclusive sobre os toques bons, ruins ou secretos, ajudará a manter uma comunicação aberta. Sempre preste atenção quando seu filho disser que foi tocado de maneira inadequada ou se ele disser que não confia em um adulto. Confie primeiro em seu filho.
    • Nunca descarte o que seu filho disser, mesmo que o adulto em questão seja um membro confiável da sociedade ou parecer incapaz de fazer algo assim. Isso é exatamente o que o molestador quer.
    • Lembre-se que a coisa mais importante que pode fazer para proteger seu filho é prestar atenção a ele. Avalie suas necessidades e desejos, converse com ele e, o mais importante, seja o melhor pai que puder. Para finalizar, lembre-se: se você não prestar atenção a seu filho, outra pessoa prestará.
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Avisos

  • Lembre-se, se uma criança parecer isolada ou chateada, ela pode tornar-se um alvo muito fácil para um molestador. Pergunte sobre a vida escolar de seu filho e descubra quem são seus amigos. Se ele não tiver amigos, ajude-o a mudar isso.
  • Isso não significa que ninguém deve ter compaixão pelo molestador. Simplesmente significa que sempre devemos estar atentos fracassos da sociedade e devemos lutar para corrigir esses problemas sempre, prestando muita atenção a nossos filhos e mantendo uma comunicação aberta.
  • Esclarecimento de termos: Um pedófilo é uma pessoa fundamentalmente atraída a crianças pré-púberes (um erro comum da mídia é definir um pedófilo como qualquer pessoa atraída a alguém menor de idade, estendendo a definição às pessoas que se sentem atraídas por adolescentes, o que é incorreto). Um hebéfilo é alguém fundamentalmente atraído por pré-adolescentes e um efebófilo é uma pessoa atraída por adolescentes ou pessoas no final da adolescência. Um molestador de crianças é, claro, uma pessoa que molesta crianças, independentemente de suas preferências sexuais.
  • Devido ao grande problema de falta de informação, assim como a cobertura de casos pela mídia, as pessoas que sentem esse tipo de atração ficam assustadas e temem pedir ajuda para resolver seu problema. Além disso, os terapeutas nem sempre são tão objetivos quanto deveriam e alguns pedófilos ficam desesperados por não conseguirem a ajuda que precisam. O desespero pode fazer com que comecem a agir.
  • As pessoas devem estar cientes de que, independentemente do que a mídia diz, há diferença entre os termos “pedófilo” e “molestador de crianças”. Nem todos os pedófilos são molestadores ativos de crianças. Da mesma forma, nem todos os molestadores de crianças são pedófilos. Sempre há motivos ocultos para os comportamentos criminosos e algumas pessoas são criminosos situacionais. Ao contrário da crença popular, muitos pedófilos têm o mesmo horror por sua atração do que as pessoas que são molestadas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Luto em vida

Apeteceu-me revisitar este conto do meu livro MAL ME QUERO após ter prestado declarações na esquadra [de violência doméstica] e ter de dolorosamente recordar 9 anos (sim, nove) de situações delicadas (chamemos-lhe assim para não dizer vida/morte) com o meu filho Pedro.
Ter de relembrar e relatar alguns episódios, foi duro. A alma humana é tão generosa ao colocar num cantinho escuro o que não quer voltar a pensar. Recordei este meu livro, escrito antes de toda esta fase acontecer, e que já pronto, resolvi acrescentar esta história. Não é segredo para ninguém que neste conto me inspirei em momentos limite que vivi ao volante do meu pobre carro com o meu filho ao lado a tentar que nos acidentássemos. A realidade superou o que decidi (com)partilhar para as personagens. Já o sentir, esse é muito meu. Pensei que o cantinho escuro me tinha protegido de recordar esses momentos. Mas estão cá.

Mais uma vez apelo, a quem de direito, para que olhe para estas realidades caladas e haja ajuda a estas famílias, muitas vezes contrariamente a mim silenciadas no seu pedido de socorro.




LUTO EM VIDA 


onde se conseguiam contar os 5 pontos sob o penso transparente. Andava a pensar usar franja depois da ferida sarar, ia ficar feio, apesar de todos os amigos a tentarem animar que ia ficar com muito charme.

Quem não estava nada satisfeita era a sua avó Rosalinda, todos os dias lhe pedia para largar aquele emprego, que podia ganhar a vida sem se expor a ser maltratada daquela forma, mas a avó não podia entender que aquele trabalho era muito mais do que ganhar dinheiro para pagar as propinas, o carinho que ganhara a Miguel não tinha fim: era o seu amigo das manhãs! Muito encorpado, com os movimentos tolhidos pela forte medicação que tomava, por vezes não sustinha um fio de baba que vagarosamente escorria para a roupa, sempre alinhada. Fugia frequentemente ao contacto físico e, com o olhar ausente, ficava sentado perto da janela parecendo ver as pessoas na avenida movimentada.



A tarefa de Mónica consistia em ajudá-lo nas tarefas básicas e diárias desde o levantar, a higiene pessoal, preparação do pequeno-almoço e acompanhamento durante a manhã. Era substituída pelo João ao meio-dia. À tarde entrava o Paulo. Eram, ao todo, três estudantes que acompanhavam os dias de Miguel enquanto os pais trabalhavam.
Zé Miguel e Marta adiaram, durante muitos anos, a hora de se tornarem pais, sendo os dois sócios num escritório de advogados, quando finalmente decidiram ficar grávidos, foi uma alegria. Os médicos nunca souberam diagnosticar o que acontecera, Miguelinho era um lindo bebé, simplesmente diferente, mas, aqueles pais, amaram-no incondicionalmente. Refizeram a sua vida em torno do menino e, à vez, iam ficando em casa com Miguel para o acompanharem. Nunca consideraram a hipótese de o internar, adoravam o seu bebé. Com o passar dos anos, foi-se tornando mais complicado e a integração do Miguel na escola foi um drama, ainda assim, lutaram pelo direito que o filho tinha de pertencer a uma escola que se dizia inclusiva e por serem bastante influentes, articulados e, sobretudo, determinados, foram sustentando uma situação com contornos insustentáveis.
Miguel cresceu, era um bebé grande com corpo de homem, muito pesado e descoordenado, mas estes pais continuavam a tratá-lo, a mimá-lo e a conduzi-lo a todas as terapias que poderiam ajudar aquele filho querido. No último ano, foi particularmente difícil quando a escola o resolveu excluir por faltas. Foi uma grande partida da direcção da escola, no sentido em que Miguel estava ao abrigo do artigo 319 * e ainda estava na idade adequada para a frequentar. Realmente faltou um mês em que esteve mais agitado, mas havia um atestado médico e, principalmente porque essa expulsão aconteceu no exacto dia em que, em conversa com a professora de ensino especial, a mãe perguntou como seria no ano seguinte, tendo em conta que a lei tinha mudado e a obrigatoriedade passara dos 16 para os 18 anos. Solícita, a professora imediatamente se encarregou de ir perguntar à direcção da escola... nesse mesmo dia receberam o telefonema com o cortante recado que Miguel estava, a partir desse dia, excluído por faltas.
Sendo os pais juristas sabiam exactamente como levantar o dedo contra o sistema abusivo, mas estando genuinamente cansados desta luta inglória, primeiramente pensaram no Miguel e no seu bem-estar.
Apesar de naturalmente envelhecidos, apesar dos rompantes violentos do Miguel sobre ambos, com especial incidência sobre a mãe, tomaram a decisão de não o internar, ao invés, criaram infra-estruturas em casa, em torno da família, como que uma rede de ajudas que tinham capacidade financeira para pagar, para que Miguel não perdesse as suas referências: Distribuídos por turnos, tinham sempre jovens em casa, geralmente estudantes, para aliviar os pais das tarefas cada vez mais difíceis – dar o banho da noite ou ajudar a vestir e na alimentação – devido ao torpor, ao peso, à descoordenação e à rigidez na locomoção, natural da forte medicação. Ao fim de algum tempo e evidenciado o total desprendimento por Miguel, Marta e Zé Miguel trocavam com frequência a equipa sem que o filho demonstrasse o menor sinal de perturbação.
Até Mónica entrar.
Não se limitava a vesti-lo e dar-lhe de comida. Insistia em falar-lhe sobre todos os assuntos como se Miguel fosse um grande amigo e em algum momento mágico pudesse entender e responder-lhe.
Sem grande espanto, Miguel afeiçoou-se a Mónica como a mais nenhum membro da equipa e os pais reconhecendo esse sinal de esperança, pediram um esforço aos outros elementos, que, de alguma forma, comunicassem com o Miguel, tentando assim encontrar uma luz. Com a chegada do final da adolescência, Miguel estava muito tempo desocupado, sem interesse em qualquer actividade, foi ficando sistematicamente mais inacessível e agressivo.
O único elemento que persistiu, em nunca abandonar aqueles pais dedicados, foi Mónica. Pequena e franzina, foram muitas as vezes que foi até ao hospital – costela partida com um encontrão, um dedo partido e outra vez ainda teve um sério traumatismo craniano.
Claro que batia à Mónica!, e a sua avó Rosalinda reclamava com toda a propriedade. Exasperada, Mónica justificava que era tão pouco o que a atingia, comparando com o que fazia à própria mãe, que inclusive a doutora já tinha tido problemas com a assistente social do hospital que, veladamente, a julgava, pensando ser o marido que espancava a senhora daquela forma. Mónica tentava explicar para que a avó Rosalinda entendesse a mentalidade das pessoas: Em lugar nenhum se acreditava que pudesse ser logo um filho deficiente, um coitadinho, a ser o agressor, que disparatado!, era a senhora a desculpabilizar o marido, só podia ser! Pois claro!, ainda por cima, ambos advogados!, pensam sempre que estão acima da lei!... É uma realidade: no geral, as pessoas apenas viam esta população portadora de deficiência como passíveis de serem vítimas de abuso dos familiares por serem uns alvos fáceis, jamais os agressores! Também é uma realidade que estas famílias abusadas protegem os seus bebés grandes e não contam o que se passa dentro de portas, seja por vergonha ou pela mentalidade do «coitadinho» que ainda grassa por aí; talvez, por isso, não constem das estatísticas de violência doméstica, nem tão pouco as autoridades tenham essa noção.

Sendo a violência doméstica agora um crime público, se um vizinho ligar para as autoridades, perturbado porque ouve reboliço no andar de cima, certamente vai achar que a família está a maltratar a pessoa deficiente e, uma vez com a autoridade à porta, a família encobre com receio do que possa acontecer ao seu ente tão querido. Não é fácil!
Querida avó Rosalinda, para si, as cifras poderão ser nulas ou pouco significativas... mas é como a história das bruxas, nós não acreditamos nelas, mas que as há... há!!!
Mónica continuava a contar que à doutora sim, Miguel atingia forte e feio, sem que se pudesse compreender o porquê, já que era, de todas as pessoas, a que ele mais venerava. Bastava a voz da mãe para Miguel ficar atento e quando entrava na mesma sala parecia esboçar algo parecido com um sorriso. Não era compreensível, mas era mais frequente demonstrar a sua agressividade com a mãe ou com Mónica, exactamente as duas pessoas com quem conseguia alguma débil forma de interacção. Ao longo dos anos Mónica tornou-se confidente da mãe do Miguel, portanto podia descrever à avó exactamente o que aqueles pais sentiam e sofriam por este filho. A avó Rosalinda não conseguia entender como era possível à neta amar uma pessoa que não respondia a um simples sorriso, não podia perceber a alegria de Mónica quando conseguiu que segurasse uma colher – e só o fazia quando comia iogurte de ananás – ou a forma irreflectida como chegava a casa com nódoas negras e dizia que não era nada, apenas porque a mãe tinha apanhado mais.
No mês de Janeiro do ano que Miguel faria 18 anos era necessário deslocarem-se até à Câmara Municipal para dar o nome dele para a tropa. O pai, mais racional, manteve-se na postura de que era uma simples formalidade, mas não era nada simples e transtornou muito a mãe. Então estes pais não podiam ser poupados a um procedimento despropositado que, a haver uma boa comunicação entre entidades, seria desnecessário?
Foi um dia complicado. Marta tinha de levar o Miguel para fazer análises e exames, o que se previa ser uma tarefa fácil, já que o filho gostava do ambiente movimentado do hospital, gostava genuinamente de lá estar. Perto das 9 horas, quando já iam para casa, indignada, ainda pensava na simples formalidade. Deu a volta à praceta e rumou em direcção à Câmara Municipal. Insistia em levar Miguel com ela para dar o nome para a tropa, para poder reclamar junto da instituição, tamanha cretinice.
Nunca lhe tinha acontecido guiar naquelas circunstâncias.
Mais tarde quando pensou, não sabia se teria sido por ter mudado o percurso que perturbou Miguel, se teria simplesmente visto algo que o aborrecera, se teria uma natural dor que não sabia exprimir: era sempre uma angústia tentar perceber o que acontecia ao filho com as súbitas mudanças de humores. Por uma questão de segurança, Marta trancava sempre a porta do Miguel à chave pela parte de fora, ele não suportava o cinto e Marta colocava-o no seu braço direito como se fosse uma alça de uma malinha de mão, porque tinha medo que pudesse saltar em andamento. Não costumava reagir muito, gostava de ser conduzido e apreciava o sol quente na cara, mas nesse dia, fosse porque razão fosse, começou a ficar muito agitado. Absolutamente diferente do comportamento habitual, mexia nos botões todos dos comandos, tentava atingir a manípulo e retirar a mudança ou atingir a chave, pensou Marta com algum espanto, seria para atirá-la pela janela...?, sim o seu dedo indicador esquerdo viajava em cima do botão de controle da janela dele, se assim fosse não a conseguiria abrir. Contudo, a Marta, faltava-lhe mãos para tanta coisa, porque dava jeito conseguir segurar o volante. Claro que ia mais devagar e com todos os sentidos bem alerta, coisa fácil quando se tem a adrenalina a disparar. Ligou os quatro piscas e foi a buzinar furando o trânsito, na medida do possível, mas apenas pôs Miguel mais violento. Naquele momento, só queria que algum diligente polícia a mandasse parar para lhe poder explicar a sua aflição e pedir escolta policial, mas só conseguiu uns olhares contrafeitos ou mordazes de outros condutores que não poderiam imaginar o drama que estava a atormentá-la. Marta encostou o carro o tempo suficiente para pôr o auricular e ligar para Zé Miguel, apesar de saber que àquela hora estaria no tribunal de telemóvel desligado. Arrancou e ligou de seguida para a Mónica. Por essa altura, Miguel já estava bastante colérico e estava a agredi-la. Mónica, ao telefone, perguntava onde estava, para permanecer parada, sair do carro deixá-lo trancado lá dentro... mas Marta só queria chegar a casa e acabar aquele pesadelo. Claro que parar não ia resolver a situação, Marta só queria chegar e acabar a viagem antes que ficasse pior, Mónica concordou. Ficou em linha a dar o apoio moral possível, sentia-se tão impotente!, todo o percurso com ele sempre a ficar mais agressivo, a cada movimento mais brusco, Marta neutralizava com o cotovelo ou com um ombro. A um Aiiii!, ou um NÃO!, de Marta, Mónica perguntava logo o que acontecera, mas Marta respondia apenas: superado. Houve uma altura que se riram porque ouviu-se estridentemente a buzina e Mónica, aflita, pensou que tivesse sido o Miguel, mas Marta confessou que era só um automobilista que queria passar-lhe e estava apenas a ser má ao volante, afinal até lhe estava tanto a apetecer descarregar em alguém!!! A certa altura estava a torcer os dedos de Miguel porque era a única forma de neutralizar as duas mãos e era uma luta renhida pela posse do poder de controlar a situação e se ele tem duas mãos grandes com muita força! Como Marta lhe estava a puxar os dedos para trás, de alguma forma estava a desarmá-lo, Ah!, sim!, era com essas três mãos enclavinhadas, a sua nas dele, que conseguia pôr as mudanças... As pessoas nos outros carros olhavam incrédulos a cena de quase pugilato, mas mais rápido que ajudá-la, julgavam-na: olhavam complacentemente para o pobre deficiente, coitadinho, que estava a ser agredido por aquela senhora má.
A chegada a casa foi já com contornos dramáticos, saiu logo do carro à procura de reforços – só Mónica, que estava à porta, de telemóvel, a reservar um lugar, não ia resultar – teve de vir um jovem vizinho retirá-lo do carro (isso então agora era prática corrente, todos os dias que tinham de sair com Miguel, na sua avenida, já perdera toda a vergonha e olhava em volta a ver a que vizinho solícito iria pedir ajuda).
Depois de o terem conseguido pôr no quarto a dormir, Marta, a quem Mónica dera um calmante, ainda demorou um bocado a descomprimir. Mónica lembrou-se de fazer um chá e convidar o simpático vizinho que não parecia estar com vontade de sair. Havia uma razão. Estiveram à conversa, o que se revelou bom porque a mãe de Miguel, mais relaxada com o efeito da medicação, pôde desabafar um bocado, afinal o vizinho era técnico especializado num Centro com jovens portadores de deficiência e, por conhecer bem demais esta realidade, estava a sugerir o melhor que tinham a fazer (interná-lo). Foi a primeira vez que Mónica viu Marta escutar o que o vizinho contava: talvez pela ressaca da descida da adrenalina, porque o comprimido e o chá a estavam a ajudar a relaxar ou, mais provavelmente, porque falava dos utentes do seu Centro com tanto carinho e dedicação. Deixou-lhes os contactos, disse que poderia explicar o teor do relacionamento com Mónica, que estavam na altura de entrar estagiários, poderiam ir juntos e, caso estivessem interessados, que fossem visitar as instalações. Depois, já mais calma, Marta saiu para ir trabalhar, sem conseguir deixar recado ao Zé Miguel. Parecendo adivinhar, no intervalo, Zé Miguel telefonou para saber como tinham corrido as coisas, parecia que tinham um chip não electrónico, mas sensorial instalado. Internar o Miguel? O desabafo foi brutal. Nunca! Era desistir dele enquanto filho, era fazer o luto em vida!!!
Zé Miguel e Marta sabiam que o curso de Mónica estava a terminar, a vida dela não seria só o Miguel, apesar de afirmar nunca o deixar, Marta bem vira como os olhos lhe brilharam com a possibilidade de estágio, ainda para mais se estivesse com Miguel. Com ou sem Miguel, aquela miúda doce estava a crescer, ia seguir o seu caminho, podiam perder o único elo de confiança que, à partida, poderiam ter numa instituição. Como incessantemente se enfadavam de ouvir de todas as pessoas que os rodeavam – porque não queriam ouvir –, eles não iam para novos, não iam cá estar para sempre com o seu bebé grande... que seria de Miguel se não fossem eles, os seus pais, a delinear, a acautelar atempadamente o seu futuro?

A avó Rosalinda ficou muito esperançada com o entusiasmo da neta. Percebeu que, ainda assim, só iria tentar aquele estágio se os senhores doutores lá colocassem o Miguel, mas já era um passo! A sua neta poderia continuar aquele estranho vínculo que, com os anos, aprendera a respeitar sem nunca ter conseguido compreender e adivinhava que aqueles pais tão extremosos deviam estar de coração partido para conseguirem tomar aquela decisão.


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* -Decreto Lei 319/91, 23 de Agosto. Define medidas de regime educativo especial a aplicar a alunos com Necessidades Educativas Especiais (N.E.E.), dos alunos do ensino básico e secundário.


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