quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Linda, a personagem autista

Finalmente vamos ter uma personagem autista numa novela em prime time. Há quantos anos eu clamo por isto??? 


A actriz Bruna Linzmeyer de 20 anos dá vida a uma personagem na novela "Amor à Vida" que agora se estreia em Portugal na SIC. Linda, a personagem, é autista e a actriz tem sido acarinhada pelo público pela entrega e dedicação no compor desta complexa personagem.
Pessoalmente, peço pela personagem em novela há anos, por ser o formato que terá visibilidade no nosso país (tendo em conta a enxurrada que passa ao longo de todo o serão televisivo). As pessoas consomem, absorvem e aprendem e, a meu ver, Portugal precisa ser 'educado' a observar, a reconhecer, pelos gestos, postura, olhar, uma criança errática, um jovem adolescente descompensado, um adulto estranho. Poderia continuar a adjectivar em contra-corrente. Mas são pessoas tímidas, desbragadas, ausentes, hiperactivas...? não. É apenas autismo. E porque é tão difícil explicar, de conseguir entendê-los? Porque não há dois iguais. Uma personagem numa novela que entra pela casa adentro sem pedir permissão, vai ajudar nesse entendimento, nos porquês, nas suas frustrações e fascinações.
“Existe preconceito por desconhecimento. Falar sobre autismo e sobre as pessoas que conheci é dar voz a elas. Estou muito envolvida, muito sensibilizada”, conta Bruna Linzmeyer.
Estou expectante com este desempenho. Com a abertura que a Linda pode trazer à nossa comunidade, de pessoas portadoras, suas famílias e cuidadores, por parte de quem os julga num infeliz olhar de esguelha, tantas vezes injustiçoso para com os evolvidos.

"Eu encaro a Linda com o coração aberto e batendo muito forte. Ela é minha vida nesse momento. Ela faz parte de mim. É uma responsabilidade muito grande", diz Bruna Linzmeyer. 


Vamos esperar pela Linda, a personagem autista. 





terça-feira, 3 de setembro de 2013

Já não se pode ser feia



Será até um dos muitos mitos urbanos de tanto que se enfatiza a importância que se atribui à beleza interior. "Ahhh, fulana é linda por dentro e por fora", ou "não interessa a aparência de cicrano, mas sim o interior, aí sim se encontra o verdadeiro encanto". A mim, confesso, dá-me uma instantânea vontade de rir, quando aquele filme paralelo que tem acompanhado a minha vida, aquele que - qual vida de Brian - segue direitinho o meu raciocínio normal a cada situação, mas em versão cómico-apalermada: Beleza interior? Ah sim, deve ser uma beleza o cheirinho do estômago, e o burbulhar acre dos sucos então devem ter cá um encanto... e os intestinos? Bom, nem me adianto no caminho fácil e previsível de pensar na piadola escatológica... 
A beleza existe. Em todo o lado que se olhe. Basta ver o ângulo certo de cada objecto, ser ou momento. Devia ser obrigatório activar a tecla do sentido estético à nascença, mas aí, já nem faria sentido nada do que estou a escrever. 

É o cliché Síndrome da Beleza Exterior/Interior, ou até - o do meu filme cómico - que poderia chamar naturalmente de Síndrome Bota da Tropa/Bebé Beatle... (ok, ok, eu explico). 

Quando nasci, contam que vinha com uma guedelha que teve de ser cortada (penso que terá mesmo sido com a tesoura do umbigo), porque a minha proverbial franja era então uma melena que me dava pelo queixo. Ora sendo o ano de '63, logo as enfermeiras me deram a original alcunha de Bebé Beatle.
Lembro da minha avó contar que, olhando o berçário, outra avó lhe perguntou qual seria o neto, a que graciosamente a minha avó respondeu tufando o peito, a menina mais bonita, a que tem cabelo.
Ora se nasci gira e era gira na escola ou no local onde a família passava férias, em abono da verdade isso constituía um facto que vivia comigo a que, com toda a sinceridade, cresci sem nunca ligar.
Cresci meio maria-rapaz muito mais preocupada no prazer de andar de bicicleta, subir às árvores sempre na chinchada ou bater nos rapazes para defender a minha irmã.
Quando algum moço mais afoito pensou em derriço para o meu lado, e soltou a frase: Ah és tão gira, respondi-lhe secamente: E...? 
Hoje, cá do alto dos meus quase 50 anos, sei que se tivesse nascido feia-feinha como uma bota da tropa, teria certamente ligado e muito a esse simples facto. Muito provavelmente ter-me-ia resguardado na grande personalidade e na imensa beleza interior que certamente (definitivamente!) teria em minha defesa. 
E agora pergunto: e porque é que uma bota da tropa tem de ser feia?, e o que é que vem à lembrança? (lá está ela...) Recordei esta foto que há dias visualizei numa rede social, dessas que todos usamos e por ter achado uma ideia bem gira.
É a forma como olhamos o que nos envolve: Tudo, mas tudo tem o seu encanto. E olhando pelo cantinho certo, pelo ângulo que mais ninguém se incomodou de vislumbrar, descobrimos que nem uma bota da tropa consegue ser feia. 



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro

autoria de Yohane Sanfer
«Não sei se viro 
 menina, se viro mãe, 
se viro todas.  
 Se viro artista, 
 se viro vento 
 ou viajante 
 viro santa 
 ou viro doida 
Quem sabe viro onça, 
viro a mesa, 
 viro a página, 
 viro a vida do avesso 
 e viro outras 
 Sim, 
 eu me viro.» 

Recomeço, tomando as arrebatadoras palavras de Yohane Sanfer, uma jovem escritora que está agora por estes dias a lançar – da boca pra dentro – o seu primeiro livro, para, de caminho, aproveitar para lhe desejar S-O-R-T-E, que não esqueçam o seu nome, e que a leiam, esta miúda escreve pra caraças!


Recomeço agradecendo, é Setembro, tempo de virar a página, de respirar, de prosseguir, de viver. A todos quantos, de uma forma ou de outra, nos deram a mão, e foram muitas as mãos dadas em nosso redor, estou-vos muito grata! 



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