quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

em resposta a MRP

clique aqui para ler entrevista
«Somos para aí umas quatro ou cinco [ser-se loira e ter atitude em Portugal]» Somos? Ahhh!! e a senhora inclui-se!!, e só quatro ou cinco...?

Esta, de tantas outras frases da senhora, indignou-me. Anedotas de loiras burras ou de alentejanos servem para o que servem - ser divertidas -, mas esta afirmação é, quanto a mim, pouco anedótica, grotesca e uma ofensa para tanta mulher de cabelo claro que consegue a proeza de ser inteligente, quiçá gordinha e ainda é uma porreiraça. Admira-me a senhora, que se diz observadora, passar uma borracha mental pela existência destas muitas loiras. E veio-me à ideia, convidar umas quatro ou cinco ruivas - das muitíssimas inteligentes e de bem com a vida que existem - umas quatro ou cinco que conheço a fazerem um texto em defesa das injustiçadas loiras. Em nota de rodapé, devo acrescentar que me destaco da postura da senhora – não o faço sempre…? –, já que das quatro ruivas que escolhi, não tive o descaro de me incluir como a quinta essência...
E já que é a primeira vez que escrevo publicamente sobre a senhora de quem sou uma não-leitora confessa e assumida (tanto livro bom para ler, autores de excelência a descobrir ou a revisitar e tão pouco tempo para o conseguir nesta vida), quero realçar que, para mim, sinto o trabalho da senhora como supérfluo, desnecessário e não-querido porque me desencanta ao que reduz a condição humana, ainda assim apreciei ler que tenha essa consciência e tenha respondido o seguinte: “Esta minha compulsão de estereotipar, analisar, classificar e perceber quem me rodeia – e que às vezes me faz tirar conclusões muito erradas sobre as pessoas e o género humano…”  
Uma loira não encerra em si mesma, apenas e porque a senhora o escreve, a magreza, altivez e atitude de uma Barbie. Abram-se os horizontes, faça-se o downsizing da petulância e tentemos pôr-nos de verdade nos sapatos de outras vidas se realmente nos afirmamos observadoras da vida que nos rodeia. 

A minha cor de cabelo é
mais inteligente que a tua!! 

por Isa Silva

Periodicamente, vem à baila esta história de que a cor de cabelo tem um impacto considerável na inteligência feminina. Sim, vou falar só da parte feminina porque não se chama louro burro a nenhum homem e é evidente que a cor de cabelo nos homens não interessa nada a ninguém e muito menos dá tema para crónicas. Na verdade, não se escrevem anedotas, livros ou filmes a falar de louros burros. Hahh... mas no caso das mulheres essa cor de cabelo é fortemente atacada! Devo salientar de que não sou loura. Mas confesso que em muitas ocasiões gostava de ser loura burra só para me preocupar com futilidades. Sou orgulhosamente RUIVA, fruto de uma costela escocesa extremamente activa. Cabe-me, nesta altura, colocar a seguinte questão: Qual será o nível de inteligência de uma ruiva? Maior que uma morena? Menor que uma loura? Invulgar? Limitado? Aceitável? Colorido? Incorrigível? Misterioso? As teorias e pensamentos do fútil não fazem parte das qualidades da inteligência. Cheguei à conclusão que ser loura dá muito trabalho. São bombardeadas por todos e ainda lhes tiram a inteligência. Não é uma situação fácil de lidar. Mas dizer que há apenas 4 ou 5 louras inteligentes em Portugal também não é sinal de grandes faculdades intelectuais. Ser ruiva é bem mais fácil. Temos a vida toda facilitada! Não estamos na cor com défice de inteligência, temos reacções do sexo oposto ao mesmo nível daquela cor de cabelo que já falei e ainda ganhamos aos pontos em irreverência e destaque no que respeita ao team da cor de cabelo mais escura. Resumindo: as ruivas vivem num mundo de esplendor. É? A sério?? Ainda não me apercebi disso... Tudo isto leva-me a questionar o que sucederá a quem tem mais do que uma cor de cabelo. Dualidade de inteligências? Bipolar de pensamento? Dupla personalidade cerebral? Nunca consegui ter uma resposta cabal a esta questão. Continuo a não entender porque é que o aspecto físico é determinante para a capacidade de ser ou não inteligente. Não é a cor de cabelo que rege a capacidade do cérebro. Quando se padece de carência inteligencial, vulgo "sem cérebro", não há cor de cabelo que salve!!! A inteligência é a aceitação da imperfeição como uma componente da vida. Qualquer tipo de discriminação ou preconceito é a mais clara demonstração de falta de inteligência. E agora vou arejar os meus caracóis ruivos porque já estou a deitar fumo pela cabeça de tanto esforço mental. Com licença...

Downsizing, desenvolvimento infantil
e outras coisas assim… 

por Rute Silva

Nos últimos anos tem sido o downsizing “do camano” aqui por estas bandas que até mete impressão. Ele é downsizing dos subsídios, downsizing da educação, downsizing da saúde, mas, nada disto me tinha preocupado até ler na entrevista da Famosíssima Escritora Portuguesa, (fantasticamente loira, como não poderia deixar de ser) que esta tomou a decisão de fazer um downsizing no seu lifestyle. Mas como é que chegamos a este ponto!?!?!? Confesso que teria ficado muito feliz se o jornalista tivesse feito um downsizing da entrevista … Bem, o que mais me irrita na dita entrevista é a deflexão! Mas a senhora não sabe dar uma resposta direta? Tem de se esconder em perguntas, pior na repetição das perguntas? Bem sei que se assume filha de uma psicóloga (não pode ser fácil) e de um biólogo … e acho que é aqui que está o cerne da questão: Aposto que este pai, biólogo, faz jus ao preconceito do cientista aluado, calmo, reservado… E a mãe psicóloga será terá uma personalidade forte e, quiçá, manipuladora. Não é fácil ser menina nestas condições … no desenvolvimento infantil, o papel do pai é preponderante. Para os meninos ele tem de ser um “rei”, vigoroso e arrebatador que não deixa o “príncipe” conquistar a princesa, no caso das meninas, ele tem de ser capaz de não se enamorar pela “princesa” deixando claro quem é a “rainha” … mas sempre no controlo da situação. Ora se esta “rainha” não se deixou ser comandada, minou, à partida, a imagem de uma relação normal entre um homem e uma mulher … e está explicada a completa falta de jeito para a descrição das relações humanas que a mais vendida escritora feminina tem. Quem leu as crónicas dela na Maxmen (a revista que os homens gostam) sabe o que falo, ela é o estereotipo da “barbie” que quer agradar aos homens (e isto explica a raiva que tem da mulher que ela retrata numa outra crónica, como “a gordinha”), que acha que ser uma mulher independente é banalizar o sexo, beber “como gente grande” e não ter namorados, ter amigos. No fundo, imagino-a bem submissa … bem sensaborona. Mas quero ir mais longe e analisar porque é que ela tem a recorrente necessidade de diminuir a mulher. Imagino que seja a sombra da Super-Mãe e das Super-Avós que descreve no seu discurso, completamente infalíveis ao ponto de nunca serem vistas, nem na intimidade, de pantufas!?!?! Meu Deus! Que peso enorme viver assim! Explica sem dúvida a escolha da tonalidade da cor do cabelo, da extrema magreza e da necessidade de se elevar a uma posição de mulher forte e independente. Em jeito de conclusão, aquilo que se pretendia ser um ataque à estupidez humana imortalizada na entrevista do ionline, acabou por ser o meu primeiro ataque aberto aos pais. Que seja um alerta para o mal que podemos fazer, consciente ou não, aos nossos filhos … Medo … muito medo!

Curta e Fina! 

por Sónia Handel Oliveira

Isto nem é para a Margarida ler, trata-se de uma crítica, logo está-se nas tintas para elas, não é? Nós os Gémeos somos assim! Quem nunca ouviu a expressão, “mais vale cair na graça do que ser engraçado”? A sua falta de humildade serve apenas para mascarar a falta de talento. Comprovado pela audácia em se comparar com a Dra. Estela Barbot (conselheira do FMI), Paula Teixeira da cruz (altamente reputada no mundo jurídico, académico ou não), ou mesmo Teresa Caeiro ou Joana Amaral Dias (a 1ª deputada do CDS-PP e a 2ª do Bloco de Esquerda), e limitar a inteligência e atitude a apenas algumas mulheres. Não conhece mais ninguém ou acabou-se-lhe a tinta da caneta. Não acredito que as mesmas pensem o mesmo dela. Foi um comentário muito Infeliz. Lamento que o público-alvo desta escritora sejam os adolescentes e lamento mais que os mesmos possam ser de alguma forma influenciados. O negócio corre-lhe bem com a escrita "Pop", mas eu continuo achar que tem uma veia mais eficaz para a música. Adorada por uns, odiada por outros e pelo andar da carruagem Ignorada por todos. Não foi o que fiz a pedido da Ana, mas será o que farei de agora em diante. Alguém uma vez disse e aqui subscrevo: "Talento sem humildade é arrogância e talento sem inteligência é farsa."


Primeiro contato: uma análise literária.

por Luana Filipetto

Segundo?! Curiosidade, e se tem algo que me chateia muito é desperdiçar tempo de uma leitura proveitosa, lendo expectativas, e com todo respeito, até uma adolescente escreveria aquelas mal fadadas linhas. Não houve e nem vai haver outros contatos, porquê?! Por vários motivos, mas o mais forte de todos é o fato de se tratar de uma escrita simples, repetitiva (de um livro para outro) e também pelo fato da escritora ser uma pessoa extremamente prepotente, isso mata qualquer livro. Não digo isso com olhares de uma crítica, muito menos de uma professora, mas sim com o olhar de uma leitora, que quando pega o livro quer se sentir desacomodada, mexida... os dois livros lidos não mexeram comigo, são textos encontráveis em tantos outros gêneros por aí – crônica (ler uma crônica com essa simplicidade é bom, é gostoso, pois sempre há algo com o que se identificar na crônica, visto que o papel dela é retratar o diário e como afirma um teórico do gênero “ela é pra ser lida em um dia e no outro servirá para embrulhar sapatos”); conto (pouco mais extenso, mas ainda é um lugar cabível pra esses temas – dos livros que li – ) agora, um romance, pense em um livro com mais de 150 páginas, com linhas simples, frases banais, que poderiam ser ditas no afã de uma conversa de bar, ou até mesmo na cama, pois é... é a isso que se resume a escrita dela. Como prova, eis aí um trecho do livro (não recordo de que página tirei isso, sim estava anotado em minha agenda de trechos para trabalhos e afins, e por favor não perguntem o porque fiz isso): “Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter conosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.” In Diário da tua Ausência. Creio que não preciso dizer mais nada... ah! Preciso sim, no início eu iria compará-la a um escritor brasileiro, provavelmente conhecido por aí também, Paulo Coelho, porém achei melhor não, porque, embora o Coelho tenha essa escrita tendenciosa (engodo pra fazer ler outros livros) e simples, ele escreve autoajuda (¬ ¬ reforma ortográfica sua feia!), e eu estaria caindo no precipício de comparar romances contemporâneos a uma “subliteratura”, só para fins de comparação de escrita, um trechinho de Coelho (busquei na internet, pois não o leio mais): “A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” Paulo Coelho Enfim moços e moças, espero ter retratado um pouquinho de minha angústia enquanto leitora e espero que quem já tenha lido e gostado, siga lendo, pois gostos cada um tem o seu e o meu é chato ^^! Ah os livros lidos: Diário da tua ausência e O dia em que te esquecia. E se alguém já leu o Minha Querida Inês me informa se vale leitura, confesso que pelo título fiquei curiosa, mas pela escritora me desmotiva a pensar em ir atrás do livro. 
 Beijitos do outro lado do oceano... 
 Luh

CURLY 

por Paula Valença

Nasci com cabelo castanho em Oxford, Inglaterra. Castanho claro, que castanho só não chega. Liso. A puberdade trouxe os caracóis - não havia secador que controlasse a personalidade do meu cabelo e lá convenci a minha mãe a desistir da maquineta. Ainda hoje não tenho paciência para secadores. A puberdade também trouxe aquela certeza que a minha vida não ia ser só Portugal. Não que não gostasse de Portugal, mas com um Mundo tão grande, com tantas experiências fantásticas, porque raios não havia de vivê-las? Na minha mente ingénua não havia barreiras e muito menos fronteiras. Ao longo da vida pintei o cabelo de tantas cores que perdi a conta. Na universidade e na Internet era conhecida como "a Loirinha". Desci ruiva a túneis onde os primeiros momentos do Universo são recriados. De cabelo azul rabisquei formulas criptográficas com as melhores mentes na área. Tinha cabelo preto quando escolhi ser visível na minha bissexualidade por todas as pessoas que não o podiam ser e contribuir para tornar as suas vidas melhores. Atravessei países de comboio, avião e carro com cabelo lilás. Mudei de pais, de emprego, de vida, e o cabelo lá ia mudando. O cabelo neste momento é vermelho e bem vermelho. Em reuniões ou eventos profissionais é usado por vezes numa piada para quebrar o gelo ou numa abertura para uma conversa. Mas rapidamente o assunto vai para o que interessa e são coisas bem mais importantes que o meu cabelo. O que interessa os meus foliculos quando se trabalha em problemas que afectam o mundo? Mas eu não sou Sansão: a minha força não vem do cabelo vermelho. Nem do ser mulher, feminina ou arrapazada. Ou Portuguesa. Sinceramente não sei de onde vem, mas abraçar tudo o que sou ajuda, oh ajuda. Ser Mulher não define barreiras nem fronteiras. Mentes fechadas que formatam pessoas para algo que lhes é estranho, sim.

domingo, 18 de novembro de 2012

Estaremos todos a mentir?

Dentro de dias vai sair uma reportagem na revista Visão que hesitei em colaborar 'dando a cara'. Na verdade é um tema a que tenho dado bastante tempo de reflexão e de observação. 
Estaremos todos a mentir? 
Numa ida ao supermercado reparo discretamente naquela mãe que cala um surdo NÃO de olhos bem abertos ao filho que pede algo que o ano passado exigia (e tinha) sem pejo. 
Na senhora que no cesto tem apenas pão, manteiga e um saco com duas laranjas e mantém a pose na fila da caixa de um carro cheio. 
Nas mãos da outra senhora de mais idade com apenas um pacote de massa e uma embalagem de caldos de carne. 
Na gasolineira presencio um jerican entre os carros que estão a abastecer. Mais uma pessoa ficou sem gasolina na estrada, não por distracção, mas por achar que o combustível ainda chegaria. 
Nas mãos do carteiro noto que distribui demasiadas cartas registadas que adivinho trazerem as não boas novas de corte de fornecimento de serviços básicos. 
Observo lojas de face escondida em papel pardo forrando as montras, as empresas que fecham ao nosso redor a cada dia, os amigos e conhecidos que estão a sair do país e nos dá vontade de chorar por não termos percebido que aquela família estava a precisar de ajuda... 
A contra-ciclo da queda de poder de compra de toda uma classe média embaciada pelo constrangimento de o demonstrar claramente, eu quero falar sobre isso. 
Gasta-se demasiada energia e recursos a tentar disfarçar o que não temos de ter vergonha: Está a acontecer um pouco por todo o lado, em cada lar, em cada local de trabalho, com o invisível transeunte que connosco se cruza, no amigo que falta ao jantar calado por não o poder pagar, porque já não é possível manter a mesma vivência que se acostumou a demonstrar, a usufruir. Contudo, pela calada todos estamos a sobreviver. Faz parte da nossa natureza, não somos pessoas de desistir e com mais ou menos tranquilidade, sucumbimos aos chamados sub-empregos, os biscates de antigamente para conseguir assegurar o essencial. Recordamos com veemência as palavras de nossos avós que falavam de um tempo de crise diferente, mas que nos faz pensar com uma nova e adquirida propriedade no "uma sardinha para dois" 
Fala-se hoje dos novos pobres. Diferente de dizermos sempre os houve, sempre os haverá, é afirmarmos que a nossa classe média não estava preparada para este revés, para viver sem dinheiro, para viver sem saber como. Mas sabe! Mentir a nós próprios será o primeiro recurso, mas não é solução, porque a cada passo, notamos haver um degrau mais abaixo. E outro ainda. 
Eu tenho uma teoria sobre quando a vida nos dá limões. Limonadas? Não!, façamos logo o melhor possível e venham de lá as caipirinhas!! 
Se a sua vida se estilhaçou, aprenda que foi apenas a sua vida conforme a vinha vivendo, porque a SUA VIDA continua! 
O português é o mestre do desenrasca, e se já o povo clamava que a necessidade aguça o engenho, se observarmos atentamente, vemos que para além das mensagens gritadas alto nas redes sociais e nas manifestações mais que públicas, de forma silenciada a classe média reinventa-se, transforma uma vivência que não conhecia na sua nova rotina e não desiste!, ainda assim, afirmo: Calar uma realidade não faz com que ela desapareça, apenas aumenta o espectro de uma impossibilidade e a estagnação, essa, não é a que tem de sobreviver, mas sim - e que me perdoem a audaciosa redundância - a coragem de ter arrojo.


domingo, 11 de novembro de 2012

um post quasi-intimista

Num dos meus outros blogs, de entre os mais que muitos em que me disperso a escrever, trago hoje um post recentemente publicado no Cor do Ar. E por ser um post que fugiu do tom de quasi-palhaça que uso nesse meu blog e ter o tom quasi-intimista deste, publico aqui o conteúdo do último tema do desafio ARRANJEI UM 31, originário do nosso grupo maravilha E o esmalte da semana é... (provavelmente o melhor grupo do FB)

Chegámos ao último desafio e afinal não arranjei nenhum 31, mas sim um hobby que me tranquiliza o espírito e me deixa voar a alma nas inúmeras voltas da criatividade. Não acreditei que teria a disciplina de pintar durante 31 semanas uma manicure, quantas vezes adoidada, original ou improvável de me ver, na maioria das vezes o encontro com a Dona Acetona era imediato e sem tempo para 3º grau após a foto necessária para comprovar o feito.
E já agora, aviso:
Este post, ahhh este vou escrever no meu Português de Portugal. 

Nos últimos 23 anos da minha vida posso dizer que orgulhosamente sou mãe de uma pessoa linda: possui um bom coração, tem valores, personalidade e sentido de humor. Ser uma boa pessoa, seria – sem dúvida – o que deveria definir o meu filho Pedro, não o seu autismo. O Pedro existe para além do autismo, foi criança, foi adolescente, é adulto, com um sorriso lindo de viver, o seu peculiar olhar de esguelha com que enfrenta o mundo que o rodeia e com uma percepção da realidade que vai muito para além do esperado ‘numa pessoa como ele’… mas pergunto-me tanta vez se todos os autistas são diferentes, o que se poderia esperar do conceito tolo de uma pessoa como ele???
Se estão a pensar até este momento que a homenagem é para o meu filho, vá lá, meninas... desenganem-se!, tirem essa carinha de ownnn porque parece, mas não é para meu Pedro!!! Acho que o fiz nos desafios #FLORIPA e #FÉRIAS com mais ênfase. 
Aqui e agora, a homenagem vai para uma outra pessoa (que neste momento são duas: explico), para alguém que transporta literalmente outra pessoa consigo. Exactamente, a minha homenagem é a uma mãe grávida. É para a Mel. Tal como a analogia desta foto que o Pedrinho me tirou antes de acabar a mani, a homenagem é para um Pedro que ainda está a ser “acabado” e “retocado” e está prestes a ser mostrado ao mundo. 
A doce Mel (e que me perdoem esta redundância) diz-me frequentemente uma frase que me arrepia, me comove até ao mais profundo do meu âmago e, dei-me conta, por tanto me repetir, este sentir apenas acontece porque nunca me foi dito por outra pessoa em toda a minha vida de mãe. A Mel tem uma menina linda, a Aninha e está agora à espera de um menino, que será um Pedro. 
Brinca de uma forma muito carinhosa por serem os nossos nomes, meu e de meu filho, e vai mais além de tudo e de todos ao afirmar que gostaria que o seu Pedro seja como o meu.
Eu sei que fala do carácter, da personalidade, da pessoa que o meu filho é, e fico tão, mas tão grata por ouvi-la cada uma das vezes que o repete… nunca tive esta conversa com a Mel, vai lê-lo aqui, mas há 23 anos que as grávidas ‘fogem’ de mim, como se o autismo se contagiasse por proximidade, não querem nem partilhar nem saber, e eu melhor que todo o mundo entendo esse medo estático debaixo da pele, entranhado silenciosamente na alma de cada futura mãe, fico triste com cada afastamento de mim, mas até aceito. Fiquei particularmente triste quando uma das minhas amigas mais chegadas (e minha cunhada) desapareceu da minha vida durante as gravidezes. Eu entendi, como entendi!!, no caso, o medo seria bem mais real que com qualquer outra amiga (porque poderia acontecer-lhe visto ser genético), mas a nossa amizade baloiçou e, eu Ana, não tenho culpa de um medo de que tb sou escrava, que também mudou a minha vida. 
A Mel Sanroman está grávida e não tem medo de me dizer: «Eu quero que o meu Pedro seja como o seu.» E comove-me ouvi-la, comove-me escrevê-lo, não tenho nem sei onde encontrar palavras para poder agradecer alguém que não tenha medo e me diga por fim o que não esperava ouvir nunca, que a Mel consiga ver o meu filho para além do autismo!!, logo nos 9 meses de gestação que as hormonas andam loucas, se fica mais vulnerável, susceptivel e tudo o mais… a Mel tem de ter uma paz imensa com ela para poder conseguir ter essa leveza de sentimentos. Eu fico grata para além do razoável, para além do que possa dizer, escrever, chorar ou sentir. Para o teu Pedro, querida Mel, desejo – em primeiro lugar e mais do que tudo – que seja saudável (rijo como um pêro, como diziam os antigos). Filho de uma MÃE de alma tão generosa quanto a tua… a ser verdade que as crianças escolhem as mães que vão ter nesta vida – a ser verdade, porque eu não sei se assim será – então este Pedro soube escolher uma pessoa de bem, para o acolher, mimar, educar e amar. 


E para ti, Mel, desejo toda, mas toda a felicidade que houver nessa vida, daquela com sabor de fruta mordida, daquela que se tem a sorte viver como na belíssima música da Cássia Eller que fala de um amor tranquilo. Desejo-te uma vida muito feliz, minha doce Mel. Obrigada.




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...