quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ninguém quis este acordo

"Ninguém quis este acordo, não se percebe para que é que serve"

Esta frase retirada do comentário do MST poderia ser o título de um samba-canção ou de um faduncho divertido do Marco Horácio não fosse este um tema sério.


Comentário de MST sobre o #AO

Só assim de repente, contando com os jornalistas e escritores Rodrigo Guedes de Carvalho e Miguel Sousa Tavares que em artigos de opinião na imprensa escrita sempre fazem questão de não escrever de acordo com o acordo, como de resto afirmaram no comentário de ontem no Jornal da Noite da SIC, assim de repente, junto três comigo quatro autores que fazem absoluta questão de baterem o pé e não seguirem este acordo ortográfico que nos foi imposto. Mencionei quatro, porque estou a contabilizar o Marco Horácio não é apenas o actor, humorista e autor da personagem Rouxinal Faduncho, mas a pessoa que deixa bem claro no seu trabalho a afirmação que nos é comum.
(Nota: O Rouxinol Faduncho não escreve conforme o novo acordo ortográfico)
Tudo isto não é novidade, nem sequer matéria de notícia. Somos arreigadamente contra um acordo que não serve nada nem ninguém (servirá?), e não fosse o nosso Presidente da República ter feito declarações públicas que mais uma vez me envergonham e que fazem os nossos comentadores pôr o dedo na ferida.
Que o shôr Anibal prefira escrever como aprendeu na escola e não se dê bem com os textos que lhe dão de acordo com o acordo, eu até entendo e simpatizo, aliás... começa aí o nosso boicote colectivo. O que me incomoda de sobremaneira é o facto do Shôr Anibal não estar ali na praça com os seus amigos reformados, pela fresca, a jogar à bisca lambida, mas ocupe funções que não se adequam às declarações aquando da visita a Timor. Tal como quando se lamuriou da sua Maria ganhar apenas os benditos 800 euros.  O comentário de banco de jardim não lhe fica bem, nem tão pouco  se pode permitir. É uma figura de estado! E mais. No caso do acordo ortográfico, não o compreende, não gosta e contudo... assinou-o? Porquê? Para quê? Para quem?
E ainda, a outro tempo, a minha indignação - desta feita com a SIC - como é possível se em nota de rodapé coloquem as palavras do comentador Miguel Sousa Tavares, que para além de ser publicamente contra o acordo, está exactamente a falar sobre isso, e aparece a sua frase genial por sinal "Isto é um aCto colonial ao contrário.", sem o 'c' no acto??? Considero uma afronta. Já sei que a resposta está no facilitismo, mas honestamente já me cansa.
Continuo a acreditar acerrimamente no mesmo que afirmou o Rodrigo Guedes de Carvalho:
"Pode ser que com a mesma rapidez um dia seja abolido."


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cor do Ar

Eu, Ana Martins, escrevo em mais que um local, em mais de um formato, em mais que apenas livros e artigos de opinião. Escrevo e muito, nunca me falta tema, nunca me deparo com páginas em branco, numa me deparo com o vazio. Adoro escrever, inventar personagens credíveis e dar-lhes continuidade. Não me imponho prazos de validade para uma personagem, vivem o tempo que têm de viver, o que têm de viver e aí eu sou soberana. Agora estaciono-me mais pelo meu Blog COR DO AR já as razões, os meus leitores saberão no tempo correcto, mas se quiserem acompanhar, aqui fica a ligação feita.

Um beijo,

Risqué Azulejo Português

Cor de Clareza porque gosto de tudo bem esclarecido.
Quem escreve este blog COR DO AR, sou eu, meu nome é Ana, (me chamam de Aninha).

Vou partilhar a história do apelido "Di"


Na verdade é um detalhe bobo, mas que foram dizendo ao longo do tempo e foi ficando. Sou Ana, a Aninha para meus amigos que acham que eu sou Di+++ (demais) #prontofalei


Essa é uma de minhas músicas favoritas e a dedico a este blog a que poeticamente chamei de Cor do Ar, apenas porque, para mim, não existem cores proibidas!!
Forbidden Colors - Ryuichi Sakamoto

E agora... gente! Sabem que meu cabelo é ruivo, que amo Di+ o arco-íris, e não partilho mais nada sobre mim!

Agora nós, em Português de Portugal,

A Di é uma das minhas mais recentes personagens, fará parte do próximo romance, que ainda estou a escrever. Posso apenas dizer que é uma jovem brasileira que veio para Portugal atrás do sonho de cantar e que trabalha como manicure no Bar de Unhas ou ZunhaBar "Cor do Ar" que dá o nome ao Blog. Claro que pelo facto de inventar uma personagem com essas características, não me faria inventar e alimentar um novo Blog se não o quisesse fazer (e faço-o com enorme gosto). Na realidade o campo da ficção dá a mão ao campo virtual porque essa vai ser uma mensagem que o livro vai conter - estamos no séc XXI e a comunicação e o saltitar entre as várias redes sociais e as diversas fontes de ligação estão cada vez mais estreitas e, hoje, ninguém online se sente verdadeiramente só. É um complemento à ligação olho-no-olho que no século passado queríamos acreditar não seria suplantado... já não penso da mesma maneira, não ajo da mesma forma, e sobretudo tenho a facilidade de passar para o plano não virtual, mas ficcional, povoado pelas minhas muitas personagens que a um clique na ponta dos dedos ousam cada vez mais a cada um dos meus livros publicados. E se eu era uma das autoras muito 'Velho do Restelo' em relação às novas tecnologias no virar do século, não poderia ter evoluído de outra forma tendo em conta o fascínio que em mim exerce a globalização e o poder que nos põem nas mãos, em cada uma das pontas dos nossos dedos. A recente campanha KONY 2012 dá-me razão, ainda que eu não saia do campo ficcional e as minhas inúmeras personagens sejam sempre irrepreensivelmente fruto da minha delirante e inextinguível imaginação.
Este livro que agora tenho em mãos é, para mim, um acto-parto difícil: Sendo a continuação do romance "Autista, quem...? Eu?", situo as personagens 5 anos depois. A Di entra no núcleo das novas personagens, a mais doce e leve - porque também um escritor precisa de uma mão leve numa empresa acentuadamente densa em ano de crise que se quer pensamentos frescos. A Di trará essa frescura, ao leitor e a mim que a escrevo entre todos as outras personagens.
Por fim, quero agradecer a imensa fidelidade de meus leitores que esperam ano após ano o parto deste segundo livro. Sei exactamente o que quero escrever e como o vou fazer, mas a insustentável leveza para o concretizar, essa, sinto-a agrilhoada. A personagem Di vai ajudar-me a encontrá-la.
Um abraço,



Se pretender seguir-me (ou à Di) no Blog "Cor do Ar" este é o endereço



sexta-feira, 30 de março de 2012

Tenho um novo pedido. Posso?

Recordo sempre com carinho um leitor que me escreveu a contar que a filha de 11 anos quis ler o meu livro “Autista… quem? Eu?” e ele permitiu, como no final a menina dizia coisas que nos escapam a nós adultos (nessa família não há pessoas com autismo é mesmo reflexão da menina de 11 anos).
Dizia ela: “o Xico tem a minha idade e não consigo parar de pensar no que não pode fazer e eu posso.”
Aquilo que damos como garantido,  aos olhos de uma leitora que se identificou pela faixa etária com a personagem, fascinou-me e comoveu-me tal a sensibilidade da pequena. E contava o pai que durante vários dias o Xico esteve bastante presente no pensamento, discurso e acções da menina que enumerava com frequência momentos que eu, autora, jamais esqueci: dizia à mesa – “o Xico não comeria assim”. dizia a andar de bicicleta - “o Xico gostaria do vento na cara, de certeza!, mas se calhar não saberia pedalar”. Estava demasiado siderada com o que a diferença faz na vida de uma pessoa. 
Isso é consciencialização.


Continuo a afirmar que a consciencialização é necessária, deveria ser obrigatória (por exemplo) nas forças de autoridade. A cada momento acontece alguma situação que nos deixa desconcertados e o que faz a polícia, os bombeiros, a protecção civil? Pois. Explicamos (sim, nós) primeiro o que é autismo, para depois nos poderem responder - lamento, não posso ajudar. Como se não o soubéssemos. E que tal formação para esta gente que pode efectivamente ajudar? Que deveria fazê-lo (e fá-lo-ia) se soubesse como? 
Falar de temas - seja qual for - a datas precisas irrita-me profundamente, é sabido. Porque quem precisa, precisa sempre. Acredito que a consciencialização se faz o ano todo, 365 dias ao ano. Porque o autismo vive connosco 365 dias ao ano. Não apenas a 2 de Abril.

Anda Comigo ver os Aviões - Os Azeitonas

As datas são importantes para dar um empurrão e fazer lembrar que algo existe, que precisa ser valorizado. O que me irrita nas datas comemorativas é o facto de as pessoas só se lembrarem nesse dia. 
No caso de dia 2 de Abril, não é data comemorativa, é o dia mundial para a consciencialização do autismo. Caramba ainda estamos na guerra do básico, do pão com manteiga da coisa - é absolutamente necessário que se saiba, aquele saber que está debaixo da pele, entranhado pelas pessoas que nos rodeiam, para que de uma vez parem de olhar para a nossa população com autismo como uma coisa do outro mundo, não são excêntricos, nem malcriados, são autistas! São diferentes, são especiais? Chamem como quiserem, mas - utilizando uma expressão popular - dêem o nome certo aos bois, chamem-lhe AUTISMO!
Cansa-me profundamente explicar o meu filho a cada situação embaraçosa. Cansa-me justificar comportamentos e acções em torno da ideia do meu filho necessitar do ter um tubo de mm's mini na mão (sim, dá-lhe segurança, paz, faz com que "a cabeça não fique maluca" e se essa tranquilidade é um tubo, porque não compreender o que nos pede sem nos olhar?), cansa-me de explicar ad nauseaum que lhe é tão essencial como um pulmão e agradeço mil vezes aos meus amigos de S. Paulo, Brasil que me enviam caixas de tubos m&m's mini, uma vez que o produto foi descontinuado e só se encontra à venda em S. Paulo. Pergunto: têm noção do tamanho da ternura contida em cada uma dessas caixas que me chega pelos correios? Porque eu encaro isso como um acto de amor incondicional pelo meu filho e por mim um acto de Amizade que não esquecerei nunca! 
Ahhhh sim, e isso, também é consciencialização.
Cansa-me o olhar cansado de pais mais novos ao desabafarem comigo como foi uma consulta de um médico afamado e que sai de lá com um rol de improváveis patologias, mas que garante uns bons dois a três anos de terapias bem dispendiosas que se vêm a revelar inúteis, cansa-me a desunião que o autismo provoca no seio de uma família apenas porque está lá, cansa-me o olhar de comiseração do coitadinho. Cansa-me tanto que ensinei ao meu filho - como ensinei cada frase correcta como resposta adequada a cada momento e situação da vida (chamo a isso ter-lhe fornecido "um banco frases! - dados que ele usa como respostas para as mais diversas situações na vida, e na grande maioria das vezes usa adequadamente, apesar de baixinho me perguntar "disse bem?") Então, como me cansa o olhar comiserativo e todo o conceito pejorativo do  "coitadinho" também ensinei ao meu filho ter respostas prontas (a roçar o malcriadas, sim), e adequadas a ataques desses, na realidade a saber defender-se na mesma linguagem e ele, lindo menino diz com um ar bem pispineta: "Coitadinho...? Coitadinho é corno!"






Vem aí outro dia 2 de Abril. Este ano não me apetece apenas lutar para conseguir o Cristo-Rei de Azul no dia 2. Ficou lindo o ano passado, tenho o maior orgulho de me ter empenhado e de ter conseguido, mas este ano, sei lá, quero mais! Quero 250 grs. de PAZ.






Dístico de lugar de estacionamento obrigatório à porta de casa de cada família onde habite uma pessoa com autismo - bem sei, não me calo com um detalhe que é tão simples de ser votado na Assembleia da Republica e ou pelos governantes deste nosso país - porque as rotinas são importantes para estas pessoas e saber que o familiar que os conduz estaciona sempre o carro no mesmo sítio, lhes dá paz.
Bem sei que o pedi directamente ao antigo primeiro ministro Sócrates que me respondeu - a ser como eu dizia, haveria muito a fazer. Pois. Continua a haver muito a fazer, lamentavelmente o sr eng José Sócrates nada fez. Agora este ano tenho um novo pedido. Posso?

Encontro Presencial LX Factory 20 Bloguers com o Secretário Geral do P.S. José Sócrates
Moderador jornalista e bloguer Paulo Querido Uma ideia original do Deputado Jorge Seguro

Formação obrigatória para as nossas forças de autoridade. É necessário e premente que saibam o que é Autismo. Não são mongolóides, não são como o tonto lá da aldeia, não são malucos - e sim!, oiço isto das nossas forças de autoridade a cada vez que me confronto com estas situações. As famílias precisam deste tipo de ajuda? Por favor.... FORMAÇÃO e OBRIGATÓRIA. Vão-me ouvir enquanto não o conseguir!!!
Nem que seja só as 250 grs. de paz para esta população e suas famílias... para mim já chega, já me faria sorrir, nesta minha luta 365 dias ao ano de mostrar que o autismo existe e temos de lidar com ela a cada um dos dias e noites das nossas vidas.


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