sábado, 14 de maio de 2011

Rita Lee canta Beatles

Quem disse que uma tradução literal é a que melhor serve todas as situações? Rita Lee tomou a liberdade de ousar e pediu autorização para fazer uma adaptação das letras originais de autoria de Lennon/McCartney em toque bossa-nova. O CD já saiu em 2001 mas não me canso de o ouvir. Gosto particularmente  das palavras em português do Brasil na versão de «Here, there and everywhere» agora «Aqui, Ali, em Qualquer Lugar» quando Rita Lee canta


Destaco a versão de «If I Fell» agora «Para Você Eu Digo Sim» como sendo o video mais bonito, onde toda a beleza da letra desta música irreverentemente traduzida nos aparece de forma ainda mais original.



Já a versão de «I Wanna Hold Your Hand» agora «O Bode e a Cabra» versão em jeito de forró, não entrou neste CD porque a viúva de John Lennon, Yoko Ono, demorou a aceitar a tradução. Nas palavras da Rita Lee: "a letra em português é uma gracinha e ela [Yoko Ono] não entendeu porra nenhuma. Agora, depois de 8 anos, a japa liberou!"



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mesinha de Cabeceira #12

de 10 maio 2011





Hoje trago: «O Bom Inverno» de João Tordo


Nesta altura que decorre a Feira do Livro de Lisboa, curiosamente a minha escolha desta semana recai sobre uma obra do autor João Tordo, publicado pela Dom Quixote já no ano passado – O Bom Inverno – mas pronta a ser descoberto (e lido ou relido, conforme o caso) com uma roupagem nova na página de Facebook de cada um de nós. E como? Muito fácil: Sendo “amigo” do narrador e das personagens deste livro.
Podemos acompanhar esta original edição à medida que for sendo publicado, a do narrador e das suas admiráveis 17 personagens, através do link http://www.facebook.com/obominverno - nesta página, não paramos por aí a nossa leitura, mas sim somos convidados a adicionar a página de cada personagem e iremos saltitar de perfil em perfil para acompanhar o enredo do livro. Pode parecer estranho ou confuso, mas não é. O autor de forma engenhosa apenas utiliza as ferramentas ao dispor de qualquer utilitário do FB para assim fazer história: a primeira publicação Face Books – um livro no “face”.
Tem obviamente os seus leitores (seguidores, se quiserem em linguagem FB) que vão crescendo à medida que este novo projecto, a arrancar agora, está a ser divulgado, com direito a promo oficial da editora no Youtube.
Para acabar quero ainda acrescentar que João Tordo, é um ainda jovem autor – mas já premiado, há pouco tempo ganhou o Prémio José Saramago 2009, com a obra “As Três Vidas” – gostaria de salientar a excelência na escrita, no rigor técnico, sem nunca perder de vista o seu toque apimentado no seu habitual tom zombeteiro. Aqui ele desconstrói o seu próprio narrador (também ele um escritor)


Numa entrevista que podem ler na íntegra no site Ave Rara, o autor João Tordo afirma: «FI-LO PORQUE ACHO QUE É UMA MANEIRA DE O LIVRO CHEGAR A PESSOAS QUE, NORMALMENTE, NÃO LÊEM» 
«O conceito FBooks foi criado pela Leo Burnett Lisboa (espécie de papa-prémios Nobel da Literatura da área da Publicidade) para a Leya e adapta livros de ficção em papel para o Facebook. O conceito, admita-se, é inovador e revolucionário e adoptado a um mundo cada vez mais digital.» in Ave Rara
Video Promo da Editora


terça-feira, 3 de maio de 2011

Mesinha de Cabeceira #11

de 3 maio 2011




Hoje trago: «No Seu Mundo» de Jodi Picoult






Devo começar por confessar que estou neste momento a ler este livro. E gostava de explicar aos nossos ouvintes porque escolho um livro que ainda não li, não conheço na sua totalidade.
Ao saberem da intenção de falar de autismo todo o Abril, muitos dos meus leitores em especial mães e familiares de meninos com autismo me foram dando sugestões de livros que haviam lido e me recomendavam para este mês, e apesar de a minha escolha estar feita, não pude deixar de juntar este livro que trago hoje da brilhante autora Jodi Picoult. Tinha respondido com a condicionante de ainda não o ter lido, mas não só me mimaram com opiniões marcantes, como uma leitora me trouxe, um exemplar na língua original, de Bruxelas!! Por isso, nesta última crónica de Abril sobre a consciencialização para o autismo, estou ainda a ler não a tradução «No Seu Mundo», mas o meu «House Rules» no original e não o consegui ler na íntegra porque para além de ser um generoso volume, em Abril também acontecem as férias da Páscoa e tendo o meu filho comigo, ler é uma actividade que não acontece!
Esta escritora é conhecida por se documentar exaustivamente para cada um de seus livros. E convenhamos, escrever 600 páginas sobre Asperger… devo dizer aos nossos ouvintes que S.A. é a forma mais leve dentro do diagnóstico do autismo. E a personagem Jacob Hunter é terrivelmente literal e autística. Jacob apesar de extremamente inteligente, não percebe nem acompanha as subtilezas da comunicação verbal ou física. Se a mãe disser que demora 10 minutos, aos 11' ele acha que ela morreu e aos 12' está a ter uma crise.
Claro que a Jodi Picoult captou a minha atenção no primeiro parágrafo do primeiro capítulo numa só expressão: “O corpo morto do meu filho Jacob”. Wow!! – Pensei. Como pode esta escritora contar a história, se logo no primeiro parágrafo mata o narrador? Bem sei que é pura técnica e fácil para nós escritores, mas eu também me permito empolgar enquanto leitora!! E depois, um pouco mais adiante, este pequeno e belo excerto que destaquei especialmente para os nossos leitores:


Eu mesma como mãe e autora não o diria ou escreveria melhor.
E a partir daqui toda a leitura se desenrola naturalmente por vezes de forma desenfreada, não quero parar!, mesmo quando não é possível continuar a ler. Está a ser um bom livro.
Jacob, como todos os miúdos dentro do espectro do autismo, tem uma fascinação específica. No caso é a análise forense sistemática de cenas de crime. No decorrer da acção do livro, Jacob é suspeito de ter cometido assassinato e contra ele pesa as características que reconhecemos com facilidade, claro para quem conhece autismo e Asperger. O não olhar as pessoas directamente nos olhos, a postura rígida e/ou a descoordenação nos movimentos, são todas estas acções ditas “inconvenientes” que são identificados pela Polícia como sinais de culpa. A pergunta importante que este livro levanta é – será que somos analisados pela forma correcta de comunicarmos com “o outro”? O que acontece com alguém com autismo/Asperger que têm uma clara inabilidade de seguir as regras sociais?
E para Emma, a mãe de Jacob fica a parte mais dura: (vou ler esta frase do livro) “E Emma Hunt, a mãe, já não sabe no que acreditar quando vê a manta com as cores do arco-íris de Jacob envolvendo o corpo sem vida da tutora.” – Ora… Emma terá de formular, para si mesma, a pergunta mais difícil do mundo: acreditar em quê?, em quem?, e… será o seu filho capaz de matar?



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