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domingo, 3 de agosto de 2014

Ler Ana Martins

Decidi, depois do Autista, quem...? Eu? colocar os meus outros livros também no formato ebook. Assim sendo agora pode ter-ler o Mal Me Quero e o Evo (ou amar para sempre) no seu computador, tablet ou telefone. E como estamos na silly season, decidi fazer uma silly campanha, à imagem de tudo quanto é tonto de tão claro: Na compra de três livros-ebook, ofereço um deles. Simples. 
Tão simples que chamei a esta Promoção de Verão prosaicamente de 
Ler Ana Martins 





Como fazer para ter acesso aos livros de Ana Martins?

O acesso a cada livro está disponível em duas modalidades
em apenas 3 cliques: (contactar via email - anamartins.com@gmail.com)





Aqui fica um passo-a-passo, tendo por exemplo um dos livros



PRIMEIRO

Após escolher qual dos acessos pretende, efectuar o seu pagamento (tranferência ou paypal), e mandar com o confirmativo, apenas o seu endereço de email. 
Receberá no email o convite para o livro. 
Abra e clique onde diz ACEITAR CONVITE


SEGUNDO

Não esqueça o conselho em letras pequenas: Tem de iniciar a conta google. E outro ainda: aceite o convite rápido, tem prazo, e dentro de dias expira. Mas quer mesmo ler.... então vamos lá, recebe outro email automático e clique, como no anterior, onde diz ACEITAR CONVITE.




 TERCEIRO 

O seu acesso ao livro está concluído em 3 cliques! Viu? Simples!!





Agora já tem acesso directo aos livros por estes links: 
Autista, quem...? Eu?  http://autistaquemeu.blogspot.pt/
Mal Me Quero http://malmequero.blogspot.pt/
Evo (ou amar para sempre) http://evoouamarparasempre.blogspot.pt/ 

ok, agora clicou nestes links e não conseguiu entrar, foi isso? 

Pois. Está reservado apenas a leitores autorizados, os que passaram pelo ponto inicial - o pagamento. Os livros, o trabalho da autora, não é oferta. 

Agora sim, pode começar a ler, no seu telefone, tablet ou computador.
E se for o caso, tenha umas boas férias!!!







sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vamos espreitar o primeiro capítulo do livro Autista, quem...? Eu?

Estou muito contente por ter voltado a pôr este livro no mercado. A frase 'a pedido de muitas famílias', aqui, aplica-se. Não esqueci cada um dos pedidos de leitores e fui sempre procurando como poderia ou conseguiria fazê-lo. O resultado está bem catita e deixa-me feliz ver a adesão imediata que teve da parte do público. 
O livro é o mesmo, este é apenas a versão digital a que juntei imagens e sons, já que este formato me permitiu e eu não voltei costas ao trabalho extra.  

Fiz o layout baseado na capa do livro físico e o conteúdo, quem já tem este ebook, diz que está muito giro, apelativo. Pode ver tudo, entrando aqui

Mas melhor que explicar é deixar-vos espreitar, que tal? 
Deixo-vos com um abraço e a visualização do primeiro capítulo do livro "Autista, quem? Eu?" 



Nunca poderia imaginar, apenas com 22 anos, que o meu primeiro emprego, inicialmente temporário, se viesse a revelar tão gratificante, tão essencial à minha vida. 
Sou jovem, solteiro e bom rapaz.
Dizem-me as miúdas que o contraste dos olhos claros no meu tom moreno as mata... mas eu sou basicamente tímido, desajeitado nessas lides e, naquela época, francamente embaraçado pelo meu sorriso com mais dentes do que a minha boca podia suportar. 
Na verdade tudo começou porque queria fazer um tratamento à boca de ortodôntia (que rapidamente me fez granjear a alcunha de sorriso-de-ferro...) mas não tinha dinheiro suficiente para o orçamento cabeludo que o dentista fez e tinha enorme relutância em pedi-lo ao meu pai: dar-lhe-ia razão quando proclamou a sete ventos que a ida do filho para Lisboa para se tornar independente havia sido prematura! Assim sendo, aceitei a proposta do meu amigo José João (a quem chamo J.J.) para ser baby-sitter oficial do Xico, o sobrinho dele, quando a irmã, mãe do miúdo precisasse de dormir. 
Ora eu que sempre adorei putos, hesitei quando J.J. me disse que o Xico era autista. Para ser franco nem sabia bem o que era um autista e inicialmente até pensei que fossem aqueles miúdos com a cara esquisita.  
Lembro-me que o J.J. sorriu e me deixou à vontade com a explicação sumária que me deu – quis que fosse a casa dele conhecer o sobrinho ainda antes de tomar qualquer tipo de decisão. 
Recordo como se fosse hoje como fiquei chocado ao deparar-me pela primeira vez com o Xico: como é que um puto deficiente tem um ar tão normal? Bloqueei. Senti apoderar-se de mim um torpor que me sitiava como se fosse parvo. Não imaginava como deveria falar ou agir com um menino diferente, logo eu que sempre brinquei com a canalha miúda! 
Num repente, o Xico elevou as mãos no ar, como se fosse um maestro pronto a começar o concerto da sua vida; deteve-se por breves segundos nessa posição e logo começou um movimento estereotipado com as mãos que me fez lembrar um pequeno querubim tocando uma harpa celestial num dedilhar imaginário. 
Parando noutro repente, sempre sem olhar para mim, perguntou-me num tom monocórdico: 
– De que cor é a tua escova de dentes? 
–...Não sei... acho que é amarela. - respondi sem perceber. O J.J. explicou-me nessa altura que, em vez de um Olá ou de um habitual Como te chamas? o sobrinho cumprimentava a todos quantos falassem com ele com a mesmíssima pergunta, e que, estranhamente, sabia a cor da escova de dentes de todas, mas mesmo de todas as pessoas que conhecia, isto sem contar com a escova que já há muito teriam deitado fora... Se encontrassem na rua alguém que já não viam há muito tempo, o Xico declararia de imediato: 
– A tua escova é verde, como o Sporting. Às vezes a pessoa negava: 
– Nããã... É branca Xiquinho. Invariavelmente a pessoa pensava um pouco e depois replicava com admiração: – Espera lá, ele tem razão, estou a lembrar-me... Isto é fantástico, mas a que tinha no ano passado quando estive convosco e ele me perguntou pelo raio da escova era, efectivamente, verde... 

Como é que se lida com um miúdo assim? Quando ainda morava no Porto, na casa dos meus pais, costumava jogar à bola com a garotada ou então pegava na minha guitarra e, sentado nos degraus, tocava para que todos cantassem... a minha guitarra! Mas é claro!!! Como vinha das aulas trazia a minha inseparável guitarra a tiracolo. O J.J. fez-me sinal de ser boa ideia e, logo na primeira nota, apercebi-me do excelente ouvido musical que o Xico possuía. Fiquei fascinado! 
O J.J. todo orgulhoso explicava-me que o sobrinho também reconhecia todos os autores das músicas que ouviam em casa e, inclusive, costumava dizer: Esta música é do carro ou Esta música é da casinha do 24 associando sempre onde e quando a ouvira pela primeira vez, de uma forma quase matemática. 
Acho que de repente se deu conta da minha cara de espanto e traduziu as suas próprias palavras... 
– Espera! Casinha do 24 é como o puto chama à nossa casa, o número da moradia é 24... - justificou como se fosse a coisa mais normal do mundo - e depois sabes? ... nós ao longo dos anos temos adoptado para o nosso vocabulário muitas das expressões do Xico e esquecemo-nos das outras pessoas... 
Na altura não compreendi completamente, mas o Xico puxava as cordas da minha guitarra, estávamos a perder o seu tempo, ele queria mais... 
Claro que toquei de seguida várias melodias e o Xico, para meu grande espanto, trauteou-as todas: desde a canção da moda do momento até à tradicional Mula da Cooperativa

Max - Mula da Cooperativa

Fiquei encantado pela possibilidade de comunicar com alguém deste modo, logo eu, que acalento o sonho de um dia conseguir ser um músico reconhecido e ver o meu nome, Xavier Duarte, nas capas dos CD... mas desenganem-se se pensam que esta era a sua única maneira de comunicar! É um tagarela! 
O J.J. explicou-lhe, com uma certa graça, que eu gostava de ir para dentro de um CD (da mesma forma que a mamã escrevia e aparecia dentro do jornal) e que um dia íamos ligar o rádio e sairia a minha música de lá. Bom, na verdade, é o que eu mais quero e, a bem dizer, persistência não me falta! 

Foi pela mão dessa vontade imensa de ser músico e tentar a vida como profissional que quis vir estudar para Lisboa. Esses três anos de formação musical numa escola como o Hot-Clube de Portugal representavam um sonho que, de repente, eu queria que estivesse ali, ao alcance da minha mão. 
O meu pai afirmou que não me sustentaria, estaria por minha conta e risco. Pois bem! Estava decidido a sair de casa de estojo de guitarra a tiracolo, mala e cuia, quando, inesperadamente, tive uma ajuda: o meu avô Luciano, o meu querido avô, o maior artista de Avintes! 
A guerra entre o meu pai e o meu avô materno instalou-se quando este resolveu apadrinhar o meu sonho: chamou-me bolseiro-do-espírito-criativo e mensalmente deposita na minha conta o suficiente para as prestações da escola, o pequeno apartamento que aluguei na Baixa lisboeta e o mais que necessário para viver com dignidade. 
Larguei tudo, casa, família, amigos e também a Faculdade de Direito... Trocar a toga por uma guitarra foi incompreensível aos olhos do meu pai! Vim para Lisboa um bocado incomodado com a sua postura, bem sei que este é o meu sonho, não o dele: Não ficámos zangados, mas nunca mais foi a mesma coisa e no Natal passado fiquei mal com a frieza dele. 
Mas o primeiro ano sozinho, nesta cidade nova para mim, tão avassaladora em grandiosidade e movimento para um banal estudante nortenho, aliado às boas notas no final de cada semestre, atestaram pela minha sanidade mental... 
Tenho a convicção que algum dia lá chegarei! 
Como forma de minimizar a prestação e amealhar algum pé-de-meia, no primeiro ano colaborava nos intervalos das aulas nos trabalhos da secretaria. No segundo ano comecei a ser baby-sitter
No entanto, é bom que se diga: desde essa memorável primeira visita à casinha do 24, o tio Zé João fez logo ali do sobrinho Xico o meu maior fã!!! 

Nesse ano o J.J. foi estudar para a Universidade do Minho, já que não tinha conseguido entrar em Arquitectura aqui em Lisboa. Confidenciou-me como estava angustiado por deixar a irmã sozinha com o sobrinho porque ambos tinham ao longo dos anos formado uma boa equipa em torno do Xico. Havia pensado em desistir mas a Margarida não permitira... afinal tinham considerado o Minho como opção na candidatura dele. 
Herdaram uma quinta em S. Torcato, mais propriamente para os lados de Guimarães, perto do Campus de Azurém, onde ficava a Escola de Arquitectura, tão perto que J.J. nos dias em que não chovesse poderia ir de bicicleta... 
Chegaram a pensar na hipótese de alugar alguns quartos a colegas de faculdade (coisa que não escasseava no enorme casarão com dez divisões) e assim facilitar as muitas despesas que tinham, caso ficasse deslocado de Lisboa. 
Foi desse desespero que nasceu a ideia louca de convidar este amigo para baby-sitter do sobrinho... É que uma criança como o Xico que não tem bem adquirida a noção de perigo, é isso mesmo: um perigo! 

Estes meninos (explicou-me o J.J.) estão muito sujeitos a acidentes porque não entendem que têm de olhar para os carros antes de atravessar uma estrada ou porque se debruçam demasiado nas janelas sem sequer perceberem o risco que estão a correr... e não é por falta de cuidados ou de explicações contínuas e diárias... 
Quando o Xico era pequenino pensavam que era simplesmente corajoso, muito destemido para a idade, mas depois aprenderam que, para um autista, a noção de medo pode ser tão imprevisível como desconcertante. 
A interpretação de conceitos na cabeça do Xico é processada de uma forma diferente: para ele os carros têm sempre a conotação de bom tal como o vermelho é mau. Como não tem adquirida a noção do que é efectivamente perigoso, estranhamente para a nossa compreensão, atravessar a estrada pode ser bom... 
O J.J. pediu-me para imaginar estas duas situações hipotéticas como que numa imagem cinematográfica: a) O Xico atravessa uma estrada porque logo ali naquele local, do outro lado da rua, está um stand de automóveis e, impávido e sereno, o Xico passa por entre os carros que travam e se enfaixam uns nos outros... b) O Xico atravessa uma estrada mas pára subitamente no meio da via porque o carro é vermelho e isso sim, é perigoso! 
Por ser destituído dessa consciência que é instintiva nos outros meninos, representa um grande perigo para ele próprio: desafia constantemente a sua integridade física e põe a mãe e o tio de nervos em franja e cabelos em pé. 

O meu papel seria o de estar simplesmente SEMPRE de olho nele, mas... provavelmente nem J.J. pensou que eu me fosse interessar tanto, nem eu suspeitei como este meu emprego temporário iria ser bem mais apaixonante do que ser apenas um vulgar guardião diurno... 
Foi também nesse mesmo dia que conheci a Margarida, a irmã de J.J. e mãe do Xico, que se veio a tornar ao longo destes anos na minha querida amiga Gui. 

Lembro-me de que no início fiquei hesitante sobre como tratar o menino. 
O J.J. havia apresentado o sobrinho como Xico mas a mãe tratava-o por Quico... Achei natural, uma vez que entre amigos o tratávamos por J.J. e em família era o Zé João... 
Hesitei se deveria chamar-lhe Francisco por uma questão de formalidade, por eu ser um desconhecido... 
O J.J. riu-se e contou-me um episódio engraçado. 
– Há alguns anos uma psicóloga veio com essa teoria de que a família não devia dispersar a personalidade da criança confundindo-a e a minha irmã e eu resolvemos, apesar de na escola ser formalmente o Francisco Maia, tratá-lo por Xico, como a maioria das pessoas já faziam, e também porque era o diminutivo que usavam para o nosso avô paterno... 
– Aquele avô de que tu gostavas muito...? - perguntei. 
– Sim... esse mesmo - e prosseguiu - No final do primeiro dia o miúdo estava agitado, triste, e perguntou candidamente: 
– O Quico do Xico foi embora para nunca sempre
 Sorrimos. 
– É... O Xico tem coisas muito giras... - rematou J.J. - E então foi assim, desde aí a minha irmã resolveu mandar às urtigas a opinião da psicóloga e continuar com a brincadeira que é, e sempre foi, só deles os dois: a minha irmã trata-o por Quico e ele em vez de mãe chama-a muitas vezes pelo nome Maguida... só nunca percebi se era diminutivo de Margarida se de Mãe Guida!  
Decidi-me então: Xico seria! 

Recordo exactamente o meu primeiro dia, uma semana antes de o J.J. ir embora. 
O Xico estava a ver televisão. 
Não me ligou nenhuma. 
Do filme lembro-me de identificar o grito na selva e o esvoaçar de liana em liana. 
Amistosamente o J.J. e a irmã mostraram-me em todas as divisões da casa, no quintal e no jardim, os locais ou cantos preferidos do Xico e quais os hábitos e actividades que ele tinha. Para uma criança normal, disseram-me, isso seria desnecessário mas um menino autista liga muito às rotinas. 
Depois aconselharam-me a, simplesmente, sentar-me ao pé dele. 
Perguntou sem tirar os olhos da televisão: 
– Aquele Nissan é teu? 
Sorri. 
Para quem não tinha ligado nenhuma... 
– Sim, aquele Nissan estacionado lá fora é meu. Gostas de carros, é Xico? 
– O teu Micra já é velho tens de comprar o modelo novo. 
Ri-me. Sim eu também gostaria... 
Enquanto falámos de carros a conversa fluiu, mas depressa percebi que isso se devia apenas e só ao tema da conversa porque sempre que começava outro assunto, ele voltava de imediato aos carros. 
– Posso ir buzinar o teu Micra? - perguntava sem me olhar. 
A mãe trouxe um tabuleiro com o lanche que pousou na mesa da sala. 
– Então Quico já conheces o Xavier? Deste um aperto de mão? 
Levantou-se como um autómato, veio para a minha frente e, sem nunca me olhar, deu novo sentido à frase que insistentemente o actor repetia: 
Mim Quico, tu Xavier. 




Quer ler mais? 

Saiba como ter acesso ao livro entrando aqui 
ou contacte-me anamartins.com@gmail.com

domingo, 20 de abril de 2014

A ausência é um estar em mim

As datas especiais têm um peso social tão marcante que se revela insuportavelmente doloroso na monoparentalidade. 
(ilustração de Margarida Mendonça)
Nesta Sexta-feira Santa, planeava fazer as refeições confeccionando peixe, não por motivação religiosa inerente à data, mas por me fazer sentir a familiaridade da minha querida avó. Quando era criança e adolescente seria impensável pensar em carne nessa sexta-feira e, irreverente como era, ao comer fiambre no pão logo pela manhã, sendo que o meu reino se queda pelos queijos, era a minha desadequada forma aparvalhada naquela idade de subverter as regras da casa. Hoje sorrio ao recordar a tontice e, sem pesar, penso as refeições deste dia com peixe. 

Um vizinho ter feito uma pescaria na noite anterior, foi o meu mote. Os carapaus estavam tão frescos que do saco só emanava uma brisa de maresia e, gulosa, já os casava fritinhos, com o malandro do arroz de tomate aromatizado com pimento e coentros. 
Mas o dia correu todo ao contrário. O meu filho Pedro esteve sempre na eminência de se tornar violento e após arranjar os carapaus, nem sequer consegui chegar perto, muito menos fritar, acto que leva tempo e dedicação e tenho má memória da minha cabeça partida estando ao fogão na confecção de alguma refeição elaborada e tentando neutralizar uma crise. Sou uma lírica, pois não se consegue fazer tudo, e dessa vez uma malga de barro voadora atingiu-me. Pensei que morria nesse dia. Cinco pontos. Agora a minha atenção fica toda na tentativa de neutralizar cada crise e nada mais. E até sou bem sucedida, digo eu com os meus botões. 
A crise arrastou-se pelo dia fora, entrou pelo sábado adentro sem dormir até ao limite de me parecer psicótica - sim, é assustador - e para nos alimentar só consegui aquecer restinhos que tinha no frigorífico, e curiosamente nada tinha de peixe confeccionado. Em 50 anos foi a minha primeira sexta-feira santa corrida a carne. Incomodou-me. Principalmente a quantidade de vezes que me recordei do momento em que no tribunal explicava à juíza como a situação estava mais calma e controlada comparativamente com o terrível mês de Agosto passado, e de como me sorrira e com calma me fez compreender que não tenho nada controlado... Incomoda-me que esteja tão habituadinha a esta vida que nem me apercebo de como é ridícula a minha vã tentativa de me convencer que sair das férias da Páscoa apenas com um pontapé e um murro no ventre seja algo de bom. Incomoda-me que já no final da manhã de sábado aproveitando uma soneca do Pedro, tenha conseguido entre a exaustão e o desconsolo, ter finalmente encontrado meia hora de paz para me entregar à culinária. Incomodou-me ter almoçado sozinha, não ter podido partilhar como estavam bons os carapauzinhos. 
Não tem nada de errado, afinal a maioria das minhas refeições é a solo e não me incomodo, mas em todo o nosso redor, há essa pressão nestes dias supostamente de festa. Nos descontos de supermercado especiais de época, nos ovos de chocolate, nas amêndoas, nos amigos que vão para a terra, tudo em nosso redor nos remete para uma realidade que não tenho, o meu filho não tem, mas sinto que a anseia. Incomoda-me, mas não posso fazer nada, ou até posso, pois que acabando de publicar este post, vou semear a casa com bilhetinhos para uma alegre e matutina caça ao tesouro onde o meu Pedro acabará por dar uns passos, até chegar ao coelho de chocolate. Prevejo umas piadolas que o forte sentido de humor que o meu filho tem, perceberá o fraco trocadilho. Por maior que seja a falta ou ausência de todas as figuras que deveriam estar na sua vida, eu, Mãe, não desisto de preencher a sua vida com momentos bons a dois, tento dar-lhe continuamente uma boa base, ainda que a solo.
Mas eis que encontro forma de me sentir feliz: Uma querida amiga telefona-me entretanto. Vai para fora mais tarde, mas ainda passa por minha casa a trazer um carrinho para o Pedro. Como era cedo, pergunto-lhe se já teria almoçado e desligo já contentinha a preparar-lhe o farnel surpresa, num saco os frescos: as primeiras nêsperas desta primavera tardia e uma caixinha com salada, e num outro saco, arroupadas num pano de cozinha, duas caixas: uma com os carapaus ainda quentes e outra com o arroz já enxuto de malandrices, mas ainda corado de sabores.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Dar voz ao Xico

A personagem Xico do meu livro AUTISTA, QUEM...? EU? já não me pertence, tal como nenhuma outra após voarem e saírem das minhas mãos.
Mas com o Xico foi diferente. O núcleo base das personagens, Xavier, Gui, Lena e Zé João em torno deste menino de 13 anos com o seu cão Atchim, serviram o meu propósito inicial de, não só empatizar com a (chamemos-lhe) comunidade autista, como de uma forma mais arrojada ter almejado que este livro ajudasse a entender esta síndrome para o público em geral, algo que como mãe sentia a necessidade e que esta comunidade me pedia incessantemente que o fizesse, escrevendo. Saiu-me melhor que o esperado!, e estas personagens, a forma como as desenhei neste livro, dizem-me os leitores, ano após ano, serviram (e ainda servem) de guia, deram a mão a quem me lê, para um melhor entendimento do que é o autismo. 
Dos muitos recursos que usei, recordo com muito carinho um caderninho onde apontei frases, ditos, temores e fascinações dos vários meninos autistas que conhecia e que todas as mães e pais prontamente me forneceram de bom grado, que ajudaram posteriormente a colorir a personagem Xico com um mix de tantos meninos a cujos pais gostei de fazer essa singela homenagem. Cada um sabe onde está a sua criança - Existe mesmo um menino que diz: "a casinha do 24" ou então a desconcertante pergunta se a imagem da Nossa Senhora de Fátima tinha saído no MacDonald's, realmente aconteceu. E na minha casa - sim, este hilário dito, já o referi várias vezes, foi coisinha da cabeça do meu Pedro. 
Muitos episódios que relato no livro realmente inventei-os, provoquei as emoções de cada leitor propositadamente, mas aquele colorido, por mais que eu criasse, não seria tão genuíno como usando o material que os nossos filhos produzem em abundância a cada dia: a forma como um autista percepciona a vida é tão ao lado, que nos custa pensar dessa forma tão simples... é terrível percebermos como complicamos tanto a vida quando vivemos com uma pessoa autista, e quem como eu, consegue rir-se de si mesmo - coisa que faço com mais regularidade do que penso ser normal - tem aquele vislumbre que o sentido da vida é algo bem irónico e prosaico. 
Neste livro que ando a escrever, a continuação do AUTISTA, QUEM...? EU?, as mesmas personagens, mas 5 anos depois, vai colocar o Xico com 18 anos. Ora se naquele tempo em que desenhei o Xico, só tinha acesso a algumas famílias com crianças autistas, hoje e pela mão das redes sociais, é interessante ver como de uma forma ou de outra todos nos conhecemos. E a ideia para o meu novo caderninho assume um contorno muito mais globalizante. Todos nós pais temos consciência que rimos do inimaginável para os outros pais, e não é por termos um sentido de humor retorcido, se não pelo caricato de momentos que os nossos putos terrivelmente sinceros e literais imprimem na sua peculiar forma de estar, ser e ver a vida. 
Então pensei... E se...? (sorriso) 
O que vos proponho, queridos leitores é, dar voz ao Xico! Caso queiram partilhar comigo frases, ditos ou feitos, temores e estereotipias dos seus filhos, enviem-me por mensagem, por email, por sms, enfim, mandem-me por escrito que vou armazenar e salpicar ou temperar situações no livro. Terei muito gosto em colorir as minhas personagens com recortes de momentos de pessoas reais. Dizem e fazem a cada momento observações que nos deixam com aquela perplexidade de quem ainda se deixa espantar. Ainda hoje o meu filho me dizia a propósito de uma ida ao Oceanário que irá fazer: "Ó Mãeeeeee, eu já lá fui taaaaantas vezes e os peixinhos são sempre os mesmos!!!"
E não se prendam apenas as famílias dos rapazes. Falei no plural porque no livro 2 teremos uma novidade que agora vos revelo: Uma Aspie também de 18 anos pela qual ando apaixonada e espero conseguir escrevê-la da mesma forma apaixonante com que a desenhei na minha mente!!! 
Este livro 2 há muito prometido, está mentalmente escrito e tenho tido uma imensa dificuldade ao longo dos anos em pô-lo no papel - ou no disco rígido. A minha fase de mãe de jovem autista de 18 anos foi demasiado pesada para conseguir a leveza para escrever sobre o tema. Hoje já sinto o distanciamento necessário para me sair das mãos como o quero. Até porque no Autista 3 o Xico terá 30 anos e gostaria de o escrever ainda antes do meu filho chegar a essa idade... 
Eu vou escrever esta trilogia como delineei o inicial esquisso mental: está no tempo da Mãe fechar o luto em vida que fez da fase dos 18 anos do Pedro para a escritora poder avançar com outra história, agora é a vez do Xico. 



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A meus leitores inusitados

Se me pedissem para escolher um dos livros, dos que já publiquei, qual o meu favorito, não conseguiria escolher. Nem caio no cliché de afirmar que todos os livros são como filhos a que se amam de igual forma, já que sou Mãe de apenas um rapaz, e custa-me sequer imaginar conseguir gostar de alguém de igual forma ao amor umbilical e incondicional que dedico a meu filho Pedro. 
Cada um dos livros encerra histórias e memórias muito minhas. Não são os focos de luz em tempo de promoções publicitárias, muito menos em lançamentos de livros, eventos conduzidos com uma formalidade bocejantemente enfadonha a que sou terrivelmente alérgica e que lhes fujo despudoradamente. Sou uma pessoa simples, o que me apaixona é a intensidade, é a entrega a que me proponho em cada pesquisa para a narrativa e a construção mental de personagens e enredos, e até no depois, quando se pode pensar que as luzes se apagam: aí acontecem as conversas perfeitas com os meus leitores que ocorrem em qualquer momento fortuito, em qualquer sítio improvável. É marcante, o que recordamos no fim de cada projecto que, afinal, não tem nunca fim. Continuo a ter diferentes leituras de momentos que ainda hoje vão acontecendo quando não espero. 
Um destes dias sucedeu mais um digno de entrar directo para o meu TOP 5. Não foi apenas mais uma leitora que me reconheceu como autora de um livro que leu. Aliás, para mim, nunca o é, somente um 'apenas', cada ocasião tem um nome, uma cara, uma história, e como boa contadeira, encanta-me uma bem elaborada, e se protejo nome e cara, atrevo-me a partilhar a história.

clique para escutar enquanto lê  


Num jardim infantil, onde habitualmente levava a filha em pequenina para brincar, conversa com outra mãe. Ambas de olho nas suas crianças, sem se darem conta, desabafam o que nem à alma contam. É fácil destrancar medos e inseguranças quando se fala com desconhecidos. Não sei, não conheço a outra senhora com quem a minha leitora se habituou a conversar naquele jardim. Contou-me que o filho da senhora, o João, é um menino autista e que a mãe um dia levou para o jardim um presente para a que viria assim a ser mais uma das minhas inusitadas leitoras: o meu livro AUTISTA, QUEM...? EU?
Tendo em conta que este livro já faz oito anos de publicado, foi com grande alegria que me apercebi da riqueza de detalhes recordados, o brilho com que esta leitora me falava das emoções que lhe provocara, ao ter lido há tantos anos o meu livro. Esta leitora inusitada, não tinha, continua a não ter, nada a ver com o autismo, mas foi tocada pela presença do João no parque, ou talvez pela sua Mãe no banquinho à conversa, mas ficou a saber o que vinha a ser o autismo, sabe hoje oito anos depois, reconhecer estes Xicos que povooam as nossas vidas.
Bem sei que é um livro que provoca reacções intensas, do riso ao choro, que tive a sorte de muitas dessas histórias me terem sido transmitidas seja pelo diálogo que estabeleço com os meus leitores nas redes sociais, seja assim, pessoalmente, mas este relato entra-me directo para o coração não só pela leitora que ficou a perceber do que falamos, mas também pela mão da senhora, a Mãe do João, o menino que brincava no parquinho. Porque eu conheço o desespero maternal que se sente por ter de explicar incessantemente o seu filho ao mundo. Foi, de todos os motivos, o que me moveu a escrever este livro.
Sei que vendeu como pãezinhos quentes, que cada leitor a cada sessão de autógrafos me aparecia com dez livros - para si, para dar aos pais, aos sogros, à professora do filho, a tios, distribuir pelos amigos... A compra deste livro foi usado (quantas vezes...?) como arma para explicar o filho a todas as pessoas em seu redor. Sim, conheço essa dor desesperante e sei que a oferta do meu livro com um enfático: "Lê" marcou uma época, era mais fácil que mil conversas que infelizmente todos nós tivémos de ter repetidas vezes. Ao fim de oito anos de livro que ficou esgotadérrimo e foi emprestado e reemprestado, passou de mão em mão, sei que teve esta função didática que sempre almejei, mas não sonhei fosse tão longe. Como nunca imaginei que além dos pais, sogros, professores e familiares... houvesse alguém que simplesmente oferecesse este meu livro a um desconhecido no parque, para poder explicar, por fim, porque o seu filho é diferente.



domingo, 27 de outubro de 2013

A Hora do Nada

A violência doméstica continua a ser um crime que toca todas as classes sociais, raças e credos. Escrevi este livro há tantos anos e preparando mais um ano de apresentações e mini-conferências dou-me conta de como infelizmente o tema  continua tão actual. Deixo-vos, hoje na mudança das duas para a uma da manhã, nos sessenta minutos que não existem, o conto A HORA DO NADA. Sempre que acontece esta mudança de hora, em que recuamos uma hora nos nossos relógios e nas nossas vidas, a minha imaginação mais que fértil dispara nas múltiplas possibilidades do que pode ou não acontecer a cada um de nós numa hora que não existe e que de uma forma utópica mude a forma de estar e ser para sempre. É claro que esse momento nos pode surgir em qualquer hora de nossas vidas, mas muito mais poético se for naquela hora mágica que só se designou existir uma vez por ano, poético e definitivamente uma excepcional história para, um dia contar aos seus netos.
Não seria o caso de Sandrine, se fosse o caso desta minha personagem ser real. É uma das muitas caras sem rosto que dão cor ao meu livro «MAL ME QUERO» que sendo um romance de ficção, aborda realidades vividas por muitas Marias e Sandrines. Nem sempre mulheres, nem sempre Marias, e sim, também o reforço no meu livro com personagens masculinas, apesar de o rosto mais visível da vítima da violência doméstica seja o feminino.
Deixo-vos com a Sandrine, quiçá para ser lido na hora do nada deste ano, acompanhado pelo som de Zero 7 - um dos contos do meu livro «MAL ME QUERO» - A hora do nada.

Zero 7 - Distractions

A Hora do Nada 
por Ana Martins

Sandrine convenceu-se que não tinha acontecido. Até porque fora só daquela vez e aquela vez não tinha existido.
Engraçado os mecanismos que a nossa cabeça arranja para se defender do lixo mental que não queremos ver, ouvir, cheirar, sentir, menos ainda saborear.
O Ruben tinha aquele hábito horrível de beber bagaço com a bica do jantar. O pai dela também o fazia, quando imigraram para França, dizia sentir-se mais português por comer bacalhau, chouriças e beber bagaço. Esse era um fedor que se lhe entranhava nas roupas, junto com esse, o do tabaco dos outros da taberna, entrava pela cama lavada a cheirar a alfazema e roubava-lhe o odor a casamento feliz que tanto queria sustentar.
A mãe e o pai ainda tinham um casamento composto, tinham lá as suas coisas, mas qual o casal que não as tem? Viria a ser assim com o Ruben também. Era um bom homem, amigo de trabalhar, um bocado rude devido à educação que tinha tido. A princípio, quando vinha nas férias, até o achara peculiar e pensava que se poliria com o tempo, o convívio e o ficarem juntos em Portugal.
Mas era o Portugal dele. Não o seu. Não agora.
O marido era de perto da terra dos seus pais, uma zona de quintas bem perto de Lisboa. Visitavam os avós todos os verões, no mês habitual e o namoro com o moço despontou. Coisa de miúdos, quando se encontravam nos passeios de bicicleta, pelas pequenas florestas onde depois brincavam. Sandrine recordava-se sempre das histórias de bruxas quando passava por lá, devido ao marulhar esfregadiço das folhas quando havia vento.
Só nos seus 16 anos levararam o namorico da menina mais a sério num amargo fim de Agosto: Sandrine não queria, porque não queria voltar à França deles e pedia: porque não ficava a viver com os avós? Nascera lá, mas o coraçãozinho de jovem ficara só às últimas chuvadas de Verão porque os pais não permitiram que a sua menina de ouro interrompesse a escola e o sonho de a vir a tornar alguém na vida. A promessa de trabalho dos tios do marido, o sonho adolescente de um casamento perfeito e um irredutível Ruben de mochila às costas frente à casa dos pais sem aviso prévio, fizeram-na deixar os pais aos dezoito anos e vir para uma terra que nunca viria a sentir sua.

Três filhas depois sentia-se sugada, estupidificando a cada dia, numa casa sem graça no bairro escuro, como se um vagaroso torpor tomasse lugar da menina inteligente para os livros de escola, enquanto a sua bicicleta enferrujava nas traseiras do quintal.
Aquela noite não tinha existido. Não naquele momento mágico em que a hora de Inverno anda para trás e por isso mesmo nada tinha acontecido. Todos os dias pensava nisso e tentava focar-se apenas na ideia da hora que não tinha acontecido, por isso era tão fácil convencer-se! Contudo, nada ficou igual depois dessa hora em que nada, mas tudo aconteceu.

O Ruben chegou da taberna tarde como vinha sendo habitual. Estranhou quando o ouviu dar uma volta na fechadura da porta do quarto, apenas cerrou mais os olhos, encostou o nariz no lençol e fingiu dormir, como já se tornara seu hábito, tentando reter a lavanda nas suas narinas.
Só teve tempo de estranhar ele não se sentar pesadamente do outro lado da cama e atirar com as botas sem pensar que por baixo dormiam vizinhos: Estava do seu lado da cama e...
Pôs as mãos dentro da sua camisa de dormir e... fez o que não lhe foi muito confortável.
Sabia o nome da coisa, porque tinha dito veemente e repetidamente NÃO.
Honoré de Balzac dizia «Pode-se perdoar, mas esquecer, isso, é impossível.» Sandrine tentava esquecer, tentava ferozmente esquecer, sem se dar conta que nem perdoar conseguia. Talvez o que mais lhe custava desculpar fosse aquele momento, logo no inicio, quando se debateu, fechou as pernas e disse, “NÃO FAÇAS ISSO”, a valente chapada na cara e aquela voz bagacenta a ordenar: “ESTÁ QUIETA!”
Está quieta...?
Como se não fosse dona do seu ser, do seu querer ou não querer.
Não se ajeitou, tão pouco lhe facilitou a coisa. Parvamente recorda quando, desesperada, olhou para cima e na escuridão do quarto viu o neon da luz do despertador e se recordou que teria de mudar a hora.
Depois...
Quando ele saiu para o toillete, rolou na cama e limpando as lágrimas com o pulso dorido, recuou a hora do despertador. Esboçou um sorriso tonto e tentou evadir-se para o campo ensolarado lilás da plantação de alfazema que havia na propriedade onde os pais trabalhavam na sua França enquanto apertava o relógio contra si. Foi a primeira vez que lhe ocorreu esse pensamento a que se agarrava até hoje: A hora do nada. Porque se não existira, logo, nada se passara!
Havia ocasiões em que ponderava e a culpa era dela. Era um dever conjugal a que se esquivava frequentemente quando o Ruben bebia e, verdade se diga, recusava muito. Não suportava aquele cheiro a entrar-lhe pelas narinas e a bloquear-lhe a libido. Era mais fácil fingir que dormia e dormia muito.
Nunca falaram sobre aquela noite.
Ele solicitava e ela não se debatia. Assim. Função cumprida. Todos os dias.
Até que uma noite – daquelas em que Sandrine agora dormia mesmo muito com uns comprimidos que, entretanto, comprara – acordou e não o sentiu na cama a seu lado.
Nessa noite em vez de sentir alívio por ele não estar a seu lado... gelou.
As meninas.
Sorrateiramente foi espreitar o que podia estar a acontecer, mas um sonoro sopro anal vindo do toillete anunciou a localização de Ruben.
Entrou no quarto das meninas e foi beijar e aconchegar uma a uma no soninho descansado. Cheirinho a Alfazema. Perfumava-as sempre depois do banho antes de as deitar. E se... Não. NÃO!
Sabia que no bairro havia uma Associação de Imigrantes. Sabia que eram bastante activos com a população em perigo, não iriam negar ajuda a uma mãe com três filhas, como tinha conhecimento não negavam a ninguém. Uma vizinha cabo-verdiana perto dela andava a ser ajudava por esses senhores da associação, a outra família lá além também e percebia claramente tanto empenho e dedicação.
Deu duas voltas à chave do quarto das meninas e deitou-se na cama com a mais pequenita. Inspirou bem profundamente o ar impregnado de lavanda.
Não pensou no que tinha de comprar na mercearia na manhã seguinte: Mentalmente soube onde iria assim o sol amanhecesse.

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