Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A meus leitores inusitados

Se me pedissem para escolher um dos livros, dos que já publiquei, qual o meu favorito, não conseguiria escolher. Nem caio no cliché de afirmar que todos os livros são como filhos a que se amam de igual forma, já que sou Mãe de apenas um rapaz, e custa-me sequer imaginar conseguir gostar de alguém de igual forma ao amor umbilical e incondicional que dedico a meu filho Pedro. 
Cada um dos livros encerra histórias e memórias muito minhas. Não são os focos de luz em tempo de promoções publicitárias, muito menos em lançamentos de livros, eventos conduzidos com uma formalidade bocejantemente enfadonha a que sou terrivelmente alérgica e que lhes fujo despudoradamente. Sou uma pessoa simples, o que me apaixona é a intensidade, é a entrega a que me proponho em cada pesquisa para a narrativa e a construção mental de personagens e enredos, e até no depois, quando se pode pensar que as luzes se apagam: aí acontecem as conversas perfeitas com os meus leitores que ocorrem em qualquer momento fortuito, em qualquer sítio improvável. É marcante, o que recordamos no fim de cada projecto que, afinal, não tem nunca fim. Continuo a ter diferentes leituras de momentos que ainda hoje vão acontecendo quando não espero. 
Um destes dias sucedeu mais um digno de entrar directo para o meu TOP 5. Não foi apenas mais uma leitora que me reconheceu como autora de um livro que leu. Aliás, para mim, nunca o é, somente um 'apenas', cada ocasião tem um nome, uma cara, uma história, e como boa contadeira, encanta-me uma bem elaborada, e se protejo nome e cara, atrevo-me a partilhar a história.

clique para escutar enquanto lê  


Num jardim infantil, onde habitualmente levava a filha em pequenina para brincar, conversa com outra mãe. Ambas de olho nas suas crianças, sem se darem conta, desabafam o que nem à alma contam. É fácil destrancar medos e inseguranças quando se fala com desconhecidos. Não sei, não conheço a outra senhora com quem a minha leitora se habituou a conversar naquele jardim. Contou-me que o filho da senhora, o João, é um menino autista e que a mãe um dia levou para o jardim um presente para a que viria assim a ser mais uma das minhas inusitadas leitoras: o meu livro AUTISTA, QUEM...? EU?
Tendo em conta que este livro já faz oito anos de publicado, foi com grande alegria que me apercebi da riqueza de detalhes recordados, o brilho com que esta leitora me falava das emoções que lhe provocara, ao ter lido há tantos anos o meu livro. Esta leitora inusitada, não tinha, continua a não ter, nada a ver com o autismo, mas foi tocada pela presença do João no parque, ou talvez pela sua Mãe no banquinho à conversa, mas ficou a saber o que vinha a ser o autismo, sabe hoje oito anos depois, reconhecer estes Xicos que povooam as nossas vidas.
Bem sei que é um livro que provoca reacções intensas, do riso ao choro, que tive a sorte de muitas dessas histórias me terem sido transmitidas seja pelo diálogo que estabeleço com os meus leitores nas redes sociais, seja assim, pessoalmente, mas este relato entra-me directo para o coração não só pela leitora que ficou a perceber do que falamos, mas também pela mão da senhora, a Mãe do João, o menino que brincava no parquinho. Porque eu conheço o desespero maternal que se sente por ter de explicar incessantemente o seu filho ao mundo. Foi, de todos os motivos, o que me moveu a escrever este livro.
Sei que vendeu como pãezinhos quentes, que cada leitor a cada sessão de autógrafos me aparecia com dez livros - para si, para dar aos pais, aos sogros, à professora do filho, a tios, distribuir pelos amigos... A compra deste livro foi usado (quantas vezes...?) como arma para explicar o filho a todas as pessoas em seu redor. Sim, conheço essa dor desesperante e sei que a oferta do meu livro com um enfático: "Lê" marcou uma época, era mais fácil que mil conversas que infelizmente todos nós tivémos de ter repetidas vezes. Ao fim de oito anos de livro que ficou esgotadérrimo e foi emprestado e reemprestado, passou de mão em mão, sei que teve esta função didática que sempre almejei, mas não sonhei fosse tão longe. Como nunca imaginei que além dos pais, sogros, professores e familiares... houvesse alguém que simplesmente oferecesse este meu livro a um desconhecido no parque, para poder explicar, por fim, porque o seu filho é diferente.



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sexo no Autismo, acontece...?

Perguntava naturalmente a Lucília ao Pedro se já tinha namorada. "EU não!!," respondeu com aquele ar absolutamente imperturbado, "e depois tinha de fazer sexo com ela...!!" 
Claro que é anedótico e nos rimos as duas - por vezes as mães de autistas riem de coisas muito diferentes - mas se olharmos com seriedade para cada detalhe na convivência com um miúdo autista, podemos retirar aprendizagens inusitadas.
Então os autistas não gostam de sexo?
Se até os bichinhos gostam...
Lá entramos de novo nas terras pantanosas dos tabus de que não se fala, não se diz. Pois, mas eu falo, questiono outras famílias, quero saber.
Com o meu filho fica fácil, porque sempre me contou tudo, mas resguardo as nossas conversas. Que servem de base para construir a personagem autista Xico? Sem dúvida que recheio as falas e pensamentos do Xico com as frases excepcionais do meu Pedro, mas o leitor nunca sabe se é o meu processo criativo, se é copy-paste do real. Benefícios de quem connosco priva, apenas.
Mas os autistas, são assexuados, é isso? Não. Ora, seria tão simplista...
Pela minha observação constato que na deficiência o preconceito impera, se confunde sexo com sexualidade, que os julgam erroneamente por um todo, e que decididamente são ou assexuados ou hiperssexualidados!!! Não se pode colocar numa só sacola tantas existências, tantas formas de ser e ver o mundo. Não me canso de repetir que formulam o mundo num olhar diferente tanto dos neurotípicos como dos seus pares, e se a vida é absorvida de maneira tão original, porque encarariam esse quesito em bloco de forma una?
No livro "AUTISTA, QUEM...? EU?" para além do Xico, mencionei um senhor dentro do espectro do autismo que até tinha conseguido casar e ter uma vida conjugal, mas que a determinada altura se decidiu divorciar, e ao anunciá-lo a sua mulher, esta chorou. Resposta dele? "Não te preocupes, eu arranjo outra..." Mais uma vez o nosso olhar neurotípico acha hilário, mas o twist prende-se num detalhe único que faz toda a diferença. A intimidade. O toque. O dar e receber. O pensar no outro. O amar o outro.
É tudo tão arredio do autismo...
É natural pensar: são assexuados. Mas o lado físico da pessoa com autismo cresce e nas idades certas acontece o mesmo que nos neurotípicos. Então acontece muitas vezes o negar a sexualidade, o infantilizar das atitudes e um virar a cara no outro sentido. Para mim não faz sentido.
Sei que o meu filho já esteve verdadeiramente apaixonado - não vos vou contar detalhes, mas sentiu as tais borboletas no estômago, sofreu ao se ver trocado e foi à luta pelo que pretendia. Visto aos olhos da normalidade?, seria mais um de tantos namoricos, mas foi para mim emocionante e também muito divertido presenciar a ausência de malícia sem joguinhos de sedução e directos no ponto. Autistas até à quinta casa!, mas terrivelmente coerentes e correctos. Foi uma lição. Vi o meu filho feliz. E isso sim, para mim fez todo o sentido.
A forma como a sociedade repudia e estigmatiza as manifestações sexualizadas a estas pessoas, causa-me uma certa revolta. Muitas das acções que consideram ter uma carga sexual, as que não são pelos neurotípicos encaradas como tal, vá... vou considerar como um piropo: é inofensivo e até nos faz sorrir.
 (imagem de dois actores brasileiros não-autistas)  
Há quem passe por nós e nos afague os cabelos, ou simplesmente nos cheire os ombros. De notar que no autismo as sensações, as texturas, o odor, os sentidos são exacerbados, têm uma maneira tão diferente de sentir que tenho dificuldade em aceitar que determinado gesto tem uma conotação sexualizada. Terá? E que seja...! Incomoda-me? Não. Deixo-me ser tocada, cheirada, afagada. Gosto dessa proximidade que é momentânea e por vezes, mágica. Já outros gestos ou acções denotam o que identificamos com clareza: uma erecção, ou a intenção de passarem a mão pelo peito. Como reajo? Afasto a mãozinha antes de chegar lá como faria a qualquer neurotípico! 
Se pensarmos quantos ditos normais existem com transtornos inadequados para consolidarem um relacionamento amoroso... Porque todos nós temos pontos menos bons, quantas vezes nem disso somos totalmente conscientes ou racionais, e no entanto esses factos não interferem negativamente na satisfação entre um casal. No autismo - especialmente nos indivíduos com Síndrome de Asperger - pode até haver um desejo de ir ao encontro do outro e, porque não?, de ser amado, mas não haverá motivação suficiente porque acreditam que, se o fizerem, serão estigmatizados a partir dos padrões que lhes são impostos, por seus cuidadores e pela sociedade no geral. 
Tenho pena que não se invista no amor e sexualidade no universo autístico e simplesmente se entre no facilitismo de lhes prescrever medicação para 'acalmar as hormonas'.  A meu ver, não se deveria infantilizar adultos. Têm direito à sua vida plena. Mais. Esta minha interrogação acerca do poder do amor e dos relacionamentos amorosos ser uma das improváveis mas possíveis soluções, vindo a abrir a porta ao desenvolvimento de comportamentos  sócio-comportamentais adequados e porque não, melhoramento dos cognitivos, apenas porque estão felizes...? Não seria caso de se ponderar sobre o que aconteceria?



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro

autoria de Yohane Sanfer
«Não sei se viro 
 menina, se viro mãe, 
se viro todas.  
 Se viro artista, 
 se viro vento 
 ou viajante 
 viro santa 
 ou viro doida 
Quem sabe viro onça, 
viro a mesa, 
 viro a página, 
 viro a vida do avesso 
 e viro outras 
 Sim, 
 eu me viro.» 

Recomeço, tomando as arrebatadoras palavras de Yohane Sanfer, uma jovem escritora que está agora por estes dias a lançar – da boca pra dentro – o seu primeiro livro, para, de caminho, aproveitar para lhe desejar S-O-R-T-E, que não esqueçam o seu nome, e que a leiam, esta miúda escreve pra caraças!


Recomeço agradecendo, é Setembro, tempo de virar a página, de respirar, de prosseguir, de viver. A todos quantos, de uma forma ou de outra, nos deram a mão, e foram muitas as mãos dadas em nosso redor, estou-vos muito grata! 



domingo, 11 de novembro de 2012

um post quasi-intimista

Num dos meus outros blogs, de entre os mais que muitos em que me disperso a escrever, trago hoje um post recentemente publicado no Cor do Ar. E por ser um post que fugiu do tom de quasi-palhaça que uso nesse meu blog e ter o tom quasi-intimista deste, publico aqui o conteúdo do último tema do desafio ARRANJEI UM 31, originário do nosso grupo maravilha E o esmalte da semana é... (provavelmente o melhor grupo do FB)

Chegámos ao último desafio e afinal não arranjei nenhum 31, mas sim um hobby que me tranquiliza o espírito e me deixa voar a alma nas inúmeras voltas da criatividade. Não acreditei que teria a disciplina de pintar durante 31 semanas uma manicure, quantas vezes adoidada, original ou improvável de me ver, na maioria das vezes o encontro com a Dona Acetona era imediato e sem tempo para 3º grau após a foto necessária para comprovar o feito.
E já agora, aviso:
Este post, ahhh este vou escrever no meu Português de Portugal. 

Nos últimos 23 anos da minha vida posso dizer que orgulhosamente sou mãe de uma pessoa linda: possui um bom coração, tem valores, personalidade e sentido de humor. Ser uma boa pessoa, seria – sem dúvida – o que deveria definir o meu filho Pedro, não o seu autismo. O Pedro existe para além do autismo, foi criança, foi adolescente, é adulto, com um sorriso lindo de viver, o seu peculiar olhar de esguelha com que enfrenta o mundo que o rodeia e com uma percepção da realidade que vai muito para além do esperado ‘numa pessoa como ele’… mas pergunto-me tanta vez se todos os autistas são diferentes, o que se poderia esperar do conceito tolo de uma pessoa como ele???
Se estão a pensar até este momento que a homenagem é para o meu filho, vá lá, meninas... desenganem-se!, tirem essa carinha de ownnn porque parece, mas não é para meu Pedro!!! Acho que o fiz nos desafios #FLORIPA e #FÉRIAS com mais ênfase. 
Aqui e agora, a homenagem vai para uma outra pessoa (que neste momento são duas: explico), para alguém que transporta literalmente outra pessoa consigo. Exactamente, a minha homenagem é a uma mãe grávida. É para a Mel. Tal como a analogia desta foto que o Pedrinho me tirou antes de acabar a mani, a homenagem é para um Pedro que ainda está a ser “acabado” e “retocado” e está prestes a ser mostrado ao mundo. 
A doce Mel (e que me perdoem esta redundância) diz-me frequentemente uma frase que me arrepia, me comove até ao mais profundo do meu âmago e, dei-me conta, por tanto me repetir, este sentir apenas acontece porque nunca me foi dito por outra pessoa em toda a minha vida de mãe. A Mel tem uma menina linda, a Aninha e está agora à espera de um menino, que será um Pedro. 
Brinca de uma forma muito carinhosa por serem os nossos nomes, meu e de meu filho, e vai mais além de tudo e de todos ao afirmar que gostaria que o seu Pedro seja como o meu.
Eu sei que fala do carácter, da personalidade, da pessoa que o meu filho é, e fico tão, mas tão grata por ouvi-la cada uma das vezes que o repete… nunca tive esta conversa com a Mel, vai lê-lo aqui, mas há 23 anos que as grávidas ‘fogem’ de mim, como se o autismo se contagiasse por proximidade, não querem nem partilhar nem saber, e eu melhor que todo o mundo entendo esse medo estático debaixo da pele, entranhado silenciosamente na alma de cada futura mãe, fico triste com cada afastamento de mim, mas até aceito. Fiquei particularmente triste quando uma das minhas amigas mais chegadas (e minha cunhada) desapareceu da minha vida durante as gravidezes. Eu entendi, como entendi!!, no caso, o medo seria bem mais real que com qualquer outra amiga (porque poderia acontecer-lhe visto ser genético), mas a nossa amizade baloiçou e, eu Ana, não tenho culpa de um medo de que tb sou escrava, que também mudou a minha vida. 
A Mel Sanroman está grávida e não tem medo de me dizer: «Eu quero que o meu Pedro seja como o seu.» E comove-me ouvi-la, comove-me escrevê-lo, não tenho nem sei onde encontrar palavras para poder agradecer alguém que não tenha medo e me diga por fim o que não esperava ouvir nunca, que a Mel consiga ver o meu filho para além do autismo!!, logo nos 9 meses de gestação que as hormonas andam loucas, se fica mais vulnerável, susceptivel e tudo o mais… a Mel tem de ter uma paz imensa com ela para poder conseguir ter essa leveza de sentimentos. Eu fico grata para além do razoável, para além do que possa dizer, escrever, chorar ou sentir. Para o teu Pedro, querida Mel, desejo – em primeiro lugar e mais do que tudo – que seja saudável (rijo como um pêro, como diziam os antigos). Filho de uma MÃE de alma tão generosa quanto a tua… a ser verdade que as crianças escolhem as mães que vão ter nesta vida – a ser verdade, porque eu não sei se assim será – então este Pedro soube escolher uma pessoa de bem, para o acolher, mimar, educar e amar. 


E para ti, Mel, desejo toda, mas toda a felicidade que houver nessa vida, daquela com sabor de fruta mordida, daquela que se tem a sorte viver como na belíssima música da Cássia Eller que fala de um amor tranquilo. Desejo-te uma vida muito feliz, minha doce Mel. Obrigada.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SAUDADE III ou (Para o Henrique, porque sim)

"Que aconteceu ao teu telefone?" - foi a minha última frase.
Agora não tenho o contacto - nem telefone, nem email, nem endereço. Escrevi-te, mas não sei para onde enviar. Uma carta numa garrafa lançada ao mar? Não faz o género... Escolhi este meu cantinho. Quem sabe ainda o lês.





Faltam-se em mim as palavras sempre prontas. 
Uso as de Manuel Cintra neste verso que não me falta.



Um abraço eterno meu querido, querido Henrique.



sábado, 11 de agosto de 2012

SAUDADE II

Há quem nos deixe, com a sua partida, uma tristeza impossível de ser aferida, moldada, compartimentada, sarada. E fica  imensa saudade do que ficou por dizer, fazer, viver.


Trovante - Saudade

 

Saudade
Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Chegou hoje no correio a notícia
É preciso avisar por esses povos
Que turbulências e ventos se aproximam
Ahhh, cuidado...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Foi chão que deu uvas, alguém disse
Umas porém colhe-se o trigo, faz-se o pão
E se ouvimos os contos de um tinto velho
Ahhh, bebemos a saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

E vem o dia em que dobramos os nossos cabos
Da Roca a S. Vicente em Boa Esperança
E de poder vaguear com as ondas
Ahhh, saudades do futuro...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

SAUDADE I

este meu texto é especial publico-o aqui hoje, porque sim. 
To Mum - Wish You Were Here

por Ana Martins

Gal Costa & Maria Bethanea
Oração da minha mãe Meninnha


Queria poder ir às compras, almoçar, telefonar, discutir, chorar e rir.

Quisera poder abraçar uma vez mais que fosse, de tantos abraços deslaçados, evitados, perdidos. Perdidos.

Quisera poder contar segredos, partilhar diabruras e desfrutar momentos bons, maus, todos...

Queria não ter de o pedir a cada dia do ano.

Queria tanto que esta dor fosse, nos deixasse paz.

Quero o seu arroz doce, a carícia da sua mão perfeita pelo meu cabelo, ouvir o som da pulseira batucando pelo corrimão da escada e não correr feita tonta para cumprimentar somente a vizinha que chegava... queria rever o sorriso contido de menina nunca mulher, queria que tivesse visto como me tornei mulher, mãe também, queria demais que conhecesse o seu neto. É lindo, sabe? Uma pureza tão grande que me desconcertou, quis tanto a sua ajuda...

Queria que chegasse a avó, já não é só o meu... Tanto neto sem colinho da avó Isabel, sempre menina, nunca mulher, nunca avó.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Ana Martins é a Praia da Nazaré

Vamos lá esclarecer: quantas vezes já afirmei que não sou eu??? A capa deste meu livro não me define, já a escolha desta foto para capa deste livro... são outros quinhentos.


a foto é de autoria de Bárbara Carvalhal, e a fotografada é uma amiga. Não é foto minha com 20 anos!!, mas poderia ser, e essa foi a beleza na escolha desta capa de livro, até porque... é na praia da Nazaré!!! E sim, isso já tem história e divulgada aqui neste site de ganga vestida, mas se ainda não conhece porque a imagem de Praia da Nazaré me encanta para além de uma explicação normalizada... leia ou releia.



Curiosamente, foi muitos anos depois, na escolha da foto para a capa do último livro EVO (igualmente autoria de uma das eleitas desse desafio, a Bárbara Carvalhal), em que reafirmo pela última vez - não sou eu na foto, mas poderia ser - por TUDO o que a foto demonstra e o TANTO que o livro representa - poderia ser eu... mas não sou. Então, sem me dar conta, na escolha da capa deste livro, fecho este ciclo, ao encontrar por fim "a minha imagem" perfeita "aos meus olhos" do que o meu amigo autista provavelmente vê em mim, quando diz a cada vez que me vê (e sim, di-lo com frequência, ano após ano, não muda o que vê em mim):

clique para ouvir o Pablo dos Neruda

Neruda - Canta, Dança, Actua só para mim

(também este poema de Pablo Banazol define Ana Martins)
¡¡esto es tan Anita!! 
¡¡Muchísimas gracias ao Pablo!!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...