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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Anita y Ele

Agora Ele. Depois de Sexta-feira sobre a personagem "Anita", hoje Sábado vamos falar dele. A personagem sem nome, porque assim o decidi.
Love - Art of Noise
E na realidade parece-me fácil entender o porquê: se na parte do livro 'biografizável' existe alguém que à autora não apeteceu dar-lhe cara, nome e o põe a morar num improvável nenhures, é porque não pretende revelar a identidade da pessoa! Simples. Por isso, no livro, ele é sempre "Ele".
E se na personagem "Anita" eu enquanto autora tive de lidar com meus próprios limites, imaginem como encurtei as balizas para com alguém que não pretendi nunca 'biografizar' ou expôr. Antes brinquei com o esconder a verdadeira identidade. Até na personagem que apareceu no Facebook 'pedi emprestado' um olhar matreiro apenas porque consegui uma foto em que os olhos têm as duas cores necessárias à personagem. . . e ainda assim usei sempre a foto editada para nunca revelar a identidade.
Já para a gravação da voz da personagem quis um timbre quente porém forte, cativante no sonido de um sotaque que me encanta. Obrigada Joe Santos por dares a tua voz à personagem "Ele".

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ouvir aqui a personagem "Ele" na interpretação de Joe Santos

Segredo meu este, escrito a tinta permanente que subsiste arreigado, cravado debaixo da pele. É de sempre, é como o sinto. Quem o sabe, sempre o soube, acompanha-me na sombra adivinhada do meu silêncio. Eu assim o escolhi – não falar, não pensar, julguei que com o tempo, muito tempo, pararia de o sentir. Pero no. No silêncio cresceu puro e apropriou-se do voo alado da minha imaginação e vive, reinventa-se no campo solitário do meu agir interior.

Esta penosa sensação que me acompanha de ter sempre escolhido um outro caminho das melhores opções para a minha vida, advém de, naquela primeira grande encruzilhada, ter ido embora de Portugal quando deveria ter avançado sem medo ou hesitações no sentido de quem eu queria, quero: Ana. Três simples letras e encerram o meu segredo. Rendido, ajoelho-me sem acção junto da arca e desta vez sinto força para, ao levantar a tampa, a encarar: 
Uma caixa azul de 30 por 40 em que confinei cartas, músicas, gestos, cheiros e emoções, calculei que era o que bastava. Pouso o cigarro no cinzeiro e, ao destapá-la, vem agarrada a vida que queria ter vivido. Segredo há muito adormecido, este meu, deixo escorregar o meu corpo encostado à parede, sentando-me, cruzo as pernas com vagar, pois tenho a caixa aberta no colo, vou tocando em cada momento guardado, acaricio contornos de memórias não esquecidas, acordo e recordo emoções, distanciado e esquecido do cigarro que lentamente se consome.
Segredo este meu, escondido há tanto, mas nunca olvidado. Se a buscasse agora ela… aún se acordaria de mi? Tomo o atado de envelopes na mão e encontro a letra bonita de Anita meio difusa. Aproximo-as do meu rosto, encosto ao nariz e inspiro. Se antes emanavam um perfume acitrinado, agora só me cheiram a papel envelhecido.
Parecerá uma história de amor desenganado no tempo e na vontade igual a tantas outras, mas não. Porque és la mia, un dulce amor, como canta Serrat na canção “Aquellas pequeñas cosas”,

«Uno se cree que las mató el tiempo y la ausencia.
Pero su tren vendió boleto de ida y vuelta.»

Volto a tentar focar-me na letra manuscrita tão minha conhecida. Pestanejo e afasto naturalmente o braço tentando ganhar campo de visão. Por Dios!, penso, é também nestas pequenas coisas que sinto como os anos passaram, começo a já não ver nada sem os óculos de perto! Levanto o olhar e não alcanço onde deixei os óculos. 
Mergulho de novo na caixa. Por baixo das cartas e das cassetes com música, encontro fotos nossas, livros amarelecidos e procuro o manuscrito impresso em folhas A4. O primeiro livro que Anita escreveu – Evo – e nunca quis publicar, guardando-o para um dia mais tarde na sua vida. Mas quando o mais tarde não se torna demais? Porque a vida pode acabar-se num segundo sem ter tempo de preparar quem nos rodeia, sem ter tempo de sequer argumentar, Ah!! eu ainda quero mais um bocadinho para fazer tudo e tanto!
Não disse o que queria nem fiz o que preciso, urge ainda fazê-lo enquanto tenho tempo. Ainda terei tempo? Será o meu bilhete de ida e volta? Pensar que um dia o relógio vai parar deu-me uma premência de querer o tudo antes de a cortina descer, antes do tanto que persisto em alcançar – o todo que eu sei perdido algures no sempre. Quiero volver a leer. Quiero volver a…
Desassombradamente decido que este fim-de-semana vou embrenhar-me no livro! Deixo a caixa aberta no chão e num pulo levanto-me, pouso o manuscrito sobre a manta, e ainda antes de me esticar no sofá, agasalhado com a manta a tapar as pernas para começar a ler,
 espalho algumas das nossas fotos que sei de cor na mesa e vou em busca de uma garrafa de água e dos óculos, por Dios!, mis gafas!, ...mis gafas, nunca me acuerdo donde las he dejado!!!! É que já não consigo ler sem eles…!


sábado, 21 de janeiro de 2012

Pablo

Há um momento para tudo e neste dia
 21 de Janeiro 
quero dar esta explicação.
E pode ler-me ao som desta versão fabulosa de Ana Carolina e Seu Jorge "É isso aí" ou do original de Damien Rice "The Blower's Daughter"
O EVO estava escrito e guardado há muitos anos, já o disse e volto a repetir, foi o meu primeiro livro e eu não tinha vontade de o publicar. Depois de todo este tempo passado não poderia pôr-lhe a mão e escrever uma linha que fosse, hoje não escrevo (nem sinto) da mesma forma e considerei que estragaria o que estava escrito - toda a candura que transmiti na personagem Anita - agora seria uma narradora tão, tão diferente . . .

Daí à ideia de pegar na outra personagem do livro - o ELE - e com isso, como que . . . abraçar o Evo com um outro narrador, num outro olhar mais maduro e poder alargar, quiçá completar e complementar a história já escrita. Foi tão rápido que quando dei por isso tinha-o feito. «ELE» chega-nos num fim-de-semana de chuva e acompanha-nos nesta viagem pelo tempo sem tempo.
EVO ficou no meu sentir um livro completo e por fim . . . acabado. De uma forma graciosamente pragmática, Miguel, o meu editor, chama-lhe: «o primeiro-quarto livro de Ana Martins».

Quem já o leu, sabe que no enredo deste romance há uma conta de Facebook que tem um determinado intento. Tal como esta personagem masculina (que desenhei ruivo com olhos claros, sim, um de cada cor), se levantou de mim e caminhou sem pernas nem asas, mais além que a ponta dos meus dedos, num daqueles momentos a que chamo de ímpeto de impulsividade perfeitamente lúcido, também essa conta FB que seria apenas no papel saltou para a realidade possível na vida virtual. Criei a conta da personagem masculina, ruivo e de olhos claros - sendo a imagem sempre só de um olho - no livro a personagem tem um olhar especial, um de cada cor e quis brincar com esse facto, fazendo disso um mistério apetecível e até, chamar a atenção, para um detalhe que tem uma grande importância no livro. Brincando, fui-me acercando do intento dele de chegar à sua Anita. Mas a brincadeira saiu da minha mão e perdi o pé. Como boa personagem, voou-me. «ELE» tornou-se na melhor campanha de marketing para o livro EVO que o meu editor pudesse sequer ter imaginado. Voou tanto que só agora, depois de lerem o livro, entendem o que estou aqui a explicar sem deixar comprometida a leitura de quem ainda não o fez: Esta personagem de ficção que passou do livro ao FB ganhou o seu espaço e encantou quem o rodeou. Verdade que o desenhei assim - verdadeiramente cativante e sempre com a firme ideia de fazer dele uma personagem credível, apesar de apaixonante.

Mas foi mais além e tudo quanto disse, pensou ou fez . . . foi a continuação do livro, onde acabou o livro, depois de ter lido o leitor entenderá que o que acompanhou no FB seria um cenário provável e plausível de um futuro das personagens que era entretanto já tempo presente . . .  e como EVO não se mede em tempo de relógio, porque não, para mim autora brincar com um tempo sem tempo?



Devo confessar que para mim, Ana, foi complicado assimilar e até aceitar pôr-me numa situação quasi-esquizóide, mas, para a escritora foi uma deliciosa aventura escrever a personagem alive!!, em directo a interagir com o seu público! O tempo de reacção de resposta tinha de ser imediato e persisti a responder em espanhol, e essa aventura. . .  Ahhhh, foi inesquecível! Muito obrigada a todos que me são naturalmente mais chegados e sabiam ser personagem, que se prontificaram e me ajudaram inicialmente elaborando diálogos com «ELE»

No dia do lançamento do Evo revelei aos presentes o que agora vos conto, como criei a personagem e como durante a sua passagem pelo Facebook e no seu Blog «ELE» soube ser realmente real e como eu nunca menti. «ELE» sempre foi, sempre o disse, "uma personagem de mim mesma"

«soy uno. personaje de mí mismo.»

Hoje, e porque o Blog EVO começou no meu aniversário, com a personagem metendo-se comigo, hoje, sendo o real dia de cumpleaños dele - é claro, ambos a 21, tinha de ser - fecho a sua passagem efémera pelo mundo virtual do FB, deixo de actualizar o seu Blog EVO e sim, é claro, retiro a personagem enquanto meu companheiro romântico de status assumido. :o) Malta!!!, era uma personagem!! Eu? Gosto da minha privacidade. E para onde o levo, perguntarão? Ora, à personagem eu remeto-o de novo e apenas ao livro EVO, encerrado na grandeza do que sente, pensa e faz num fim-de-semana de chuva.


Já o presente de aniversário, deixo-o a meus leitores com uma última revelação que muito me foi requisitada após ter anunciado que era apenas uma personagem: «E quem é o do olho?» Ora, sendo uma personagem apenas virtual, mas que viria a ter um "relacionamento" comigo de forma romântica, decidi pedir emprestada a imagem a uma figura bastante apresentável. Convenhamos, gostei da escolha . . . ruivo, com um olho de cada cor, seria difícil, pensei, enquanto escolhia o eleito. Eis o moço.




Te quiero regalar una palabra.
En Portugués se dice igual que en Español...
Es una palabra pequeña, pero la más grande de todas...
«EVO»... en un buen diccionario encontrarás su significado...
o en mi corazón



Ahhhhh y ¡¡ feliz cumple !!


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