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sábado, 26 de setembro de 2015

O carro que veio de Aveiro

Já me tinha despedido do Pedro em Aveiro, mas ficar sentada a assistir à sua partida pela net e tv era impensável. Desafiei o Mário, um amigo nosso, e fomos ao encontro do Pedro Lapa no ponto de encontro da caravana, nos jardins em Belém. Tínhamos de o acompanhar, levar algumas coisas, tinha... mais um abraço. 
Como nós, muitas foram as pessoas que chegaram de porta-bagagens cheios de caixas e sacos. Agasalhos, mantimentos, brinquedos, cadeirinhas de bebé. Sim. As famílias que trarão têm filhos como nós, e é necessário transportá-las em segurança de volta, a casa, às suas novas vidas.
Os dois amigos Nuno Félix e Pedro Policarpo desconheciam quantos carros integrariam a caravana das pessoas que demonstraram intenção de os acompanhar.
Seis carros, os que partiram de Belém. Acredito que dentro de cada carro haja uma história para contar. Eu vou focar-me na do carro que veio de Aveiro.
Condutores, co-pilotos e todo o espaço das seis monovolumes preenchidos pelos inúmeros sacos e caixas, dádivas de tanta voz anónima que se juntou nesta onda maravilhosamente comovente.
Abdul Wahid foi uma das pessoas que apareceu. As mãos cheias de sacos que generosamente distribuiu, um por cada condutor. Sacos repletos de comida bem acondicionada do seu restaurante Zaafran no Largo D. Estefânia em Lisboa.
O Pedro é vegetariano e assim que o Abdul o percebeu, imediatamente teve o cuidado de trocar, de todos
os sacos que levou a mais, refazendo ali o saco do Pedro para todas as opções veggie.
A comunicação social esteve presente. Foi filmando e fotografando em diversos ângulos e olhares o momento sereno e emocionante que antecedeu a partida da caravana.
Na despedida o imenso orgulho de familiares, amigos e pessoas que quiseram simplesmente felicitar esta gente sã que partia para o outro lado da Europa, traziam tanto amor no olhar, nos gestos, nas palavras que disseram, nas que ficaram por dizer... comoveram-me.
A Revista Visão acompanhará a caravana do princípio ao fim, com a jornalista Rosa Ruela e o repórter de imagem Tiago Miranda, fazendo uma fascinante reportagem em directo do carro do Nuno Félix ler aqui as primeiras impressões  que foram logo publicadas. 
Também a SIC apareceu com um carro reportagem, incorporando a caravana todo o percurso de ida e volta, com a jornalista Teresa Conceição e o repórter de imagem João Fontes que, contaram-me, guardarão os conteúdos e a reportagem surgirá depois.
No fim.

Devo confessar - antes de terminar este texto de hoje - que fui eu que ajeitei o Winnie de Pooh na janela do carro do Pedro com o simples intuito de ficar giro para bater esta foto porque a quero mostrar à Madalena, (a filha mais nova do nosso amigo Mário), que ofereceu dos seus brinquedos, para os meninos que não têm nada. Era uma coisa simples, mas num ápice todos os repórteres de imagem viram a mesma 'coisinha fofa' e o ursinho de peluche da Madalena foi amplamente filmado e fotografado, apresentado em todos os telejornais, até roçou o exagero quando a chamaram de 'imagem da noite'.


Para mim, a imagem que retenho como 'a da noite', foi o Pedro a recusar com tanta serenidade, a jornalista após jornalista, contar a sua história, explicar porque veio de Aveiro, porque isto ou aquilo, apenas porque o fez pelas pessoas... 
E o momento da noite deu-se. 
A uma jornalista mais respondia no seu tom de voz pausadamente sereno e pleno de amor, explicava que o enfoque seria para quem teve a ideia, o Nuno Félix e o Pedro Policarpo, ele era só um carro mais, que o fazia apenas pelas pessoas, e para poder salvar apenas mais uma família, e quando olho para a senhora jornalista a fazer um esforço imenso para não chorar com as palavras que ele proferia para explicar a sua recusa em dar a cara, os gestos calmos, o olhar imenso... abeirei-me dela e disse baixinho enquanto o Pedro falava: "ele provoca mesmo esse efeito nas pessoas." O Pedro parou imediatamente de falar e foi quando ela começou, já com as lágrimas não contidas pela cara: "É isso mesmo! Há pessoas que são tão extraordinárias que as percebemos sem precisarem dizer nada......" 
Foi tão lindo esse momento e a conversa aconteceu. Sem gravador. O Pedro falou. E a senhora, a vir a escrever alguma coisa, sei que o fará de uma forma iluminada. 

Se quiser e puder, ajude nos custos da viagem do carro do Pedro Lapa pelo
NIB 0035 0836 0069 2517 3302 6 
Bem hajam!!! 



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

É pelas pessoas

Todos lemos a notícia sobre dois pais de família portugueses, Nuno Félix e Pedro Policarpo, que vão à Croácia buscar refugiados. Um acto isolado? É antes uma onda de amor, de franca solidariedade que se gera em torno desta iniciativa destes dois amigos. 
Sentimos nas redes sociais as pessoas 'fervilhantes' que se movimentam, que querem participar, ajudar. 
Agasalhos? Sim, vai ser necessário. Mantimentos? Certamente. 
E pergunto: dois pais de família? 
Só agora, vamos saber de facto quantos carros particulares vão alinhar no ponto de partida, em Belém,  ao lado dos dois monovolumes que nessa semana, ao invés de levarem os seus filhos à escola, irão buscar famílias, crianças que mais que escola, precisam de uma vida - precisam de paz, precisam de brincar e sorrir como todos nós mães e pais almejamos para os nossos filhos. Porque foi com base neste pressuposto que estes dois amigos iniciam esta viagem: vamos lá buscá-los, porque são famílias como nós.
Vão ser mais de dois carros, mais de duas famílias de refugiados ajudados. 
Pedro Lapa, um outro pai de família, leu sobre a viagem e imediatamente se mexeu: entrou em contacto com os dois amigos, saiu de Aveiro para se reunir à caravana em Lisboa. 
"É pelas pessoas" disse-me assertivamente, enquanto falávamos já sobre a viagem. Parámos quando recordei que ainda no Verão o Pedro me disse: "vou ao norte de Itália buscar pessoas". Parei ao tentar avaliar a diferença que teria feito à tal uma família que permaneceu tantos dias de sofrimento a mais. E o Pedro parou-me de pensar no que ficou por fazer, mostrando-me simplesmente o que se faz. E o Pedro vai buscar essa uma família a quem a sua dádiva de amor incondicional pelo próximo o faz ser como é, e o que o move faz acontecer: a uma família a quem vai fazer a diferença de uns dias que sejam, de um só pesar evitado, menos uma lágrima por verter, é um abraço, uma chávena de sopa quente, um cinto de segurança no carro, um país soalheiro e hospitaleiro para os acolher. "É pelas pessoas, Ana"
Eu quero muito ir, ajudar porque sim. Não podendo, escrevo. E vou escrever.
Esta onda de amor ultrapassou barreiras e fronteiras e estes dois amigos, Nuno Félix e Pedro Policarpo, gostam de frisar que nada pediram, apenas vão porque o coração assim mandou. Sem mais.
Graciosamente acolheram de braços abertos quem quer de igual forma ir para trazer mais uma família aproveitando a máxima que esta união fortalece o intento inicial.
Têm o especial cuidado de responsabilizar cada condutor que os acompanhe na caravana que foi surgindo, sublinhando que cada um é responsável pela sua viatura, pelas despesas inerentes, pelas pessoas que trarão na viagem de regresso, pela sua alimentação e bem estar.
Pedro Lapa já chega a Belém com doações de pessoas solidárias de Aveiro - agasalhos, alimentos - e também de coração pleno, consciente que só poderá trazer uma família com os respectivos filhos, mas que para essas pessoas, estas pessoas que daqui partem, fazem toda a diferença.

Se quiser e puder, ajude nos custos da viagem do carro do Pedro Lapa pelo
NIB 0035 0836 0069 2517 3302 6



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