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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Felicidade é...




«Aqui ao luar, 
Ao pé de ti, 
Ao pé do mar» 




Se só o sonho fica, se só a ele te podes entregar?
Vives nos bastidores da tua vida?, és uma espectadora ou a protagonista? 
(vai Ana, usa esse teclado maluco e escreve)
Escrevi há muito tempo no meu livro Evo sobre «Ser Feliz» e nessa altura tinha a convicção de que "a Felicidade é constituída por breves momentos." Disse-o, escrevi-o. Hoje posiciono-me de uma forma diferente: levantei-me do cadeirão confortável em que me aninhava, e já num outro ângulo, olhar a vida passar deixou de ser o foco que inconscientemente assumi, e escolho não me entregar mais na fantasia de um sonho, mas nos braços de uma doce realidade.
(vai Ana, abre essas asas e voa)
Viver é uma experiência mágica, dou-me conta a cada dia. E o que damos valor a cada momento?
Um passarinho que canta tão bem (ou muitos), amo em especial no final de Inverno quando a madrugada é rasgada pelo cantar dos afoitos que apressam a entrada da Primavera.
Encanto-me quando uma nortada me trás até casa o prazer irresistível do fresco da maresia a inundar-me as narinas até à alma, e eu moro longe do mar, quem diria chegava até mim?
Olhares, sorrisos, conversas, pedaços de tempo partilhados com os nossos amigos, pessoas que amamos e nos amam, gestos que o demonstram mais que palavras afirmadas, abraços apertados inesquecíveis mais poderosos que promessas sussurradas ou gestos previsivelmente comandados.
Todos estes momentos ou outros que povoam a mente de cada um são especiais, mágicos e irrepetíveis, mas são isso mesmo: momentos. Hoje apesar do todo mágico que ainda me rodeia, eu quero mais!
Fomos formatados em crianças, condicionados por uma castradora educação judaico-cristã a acreditar na culpa como o complemento das nossas horas sombrias. Ao longo da vida, de uma forma mais ou menos veemente, cada um de nós vai levantando amarras aqui e ali e liberta-se de dogmas e preceitos adquiridos, mamados cedo. Há quem nem almeje a mais e isso estará certo para cada ser que escolhe assim viver e não só se acomodam, como nidificam nesse viver que lhes é aprazível. Para os insaciáveis a coisa torna-se mais densa porque o limite está além do céu. O querer mais não é errado, é uma busca, um caminho (ou muitos) percorrido num sentido (ou noutros), que comparo a em criança e como gostava de trepar às árvores: os pés bem firmes na subida primeiro rápida, depois as mãos segurando e puxando essa elevação do corpo e logo a busca por cada tronco mais forte que os galhos ali ao lado, escolhas de caminhos mais seguros, desistência de percorrer aquele recanto cujo galho te parece instável, ou porque esse caminho tem um horizonte desinteressante e sobes e trepas mais alto, mais apelativo, mais acima a segurança compromete-se e o sonho brilha em cada pontilhado de luz entre as folhas já menos frondosas e a escolha aguçada de cada tronco a que te agarras fica mais criteriosa, e se a segurança continua a ser fundamental, deixas-te levar pela abertura da vista, observas, olhas na outra direcção e continuas a escolher qual o caminho que mais te convém, ou simplesmente o que escolhes para te posicionares, escolhes até onde queres ir, como queres lá chegar e por quanto tempo pretendes ficar até caminhares noutro sentido. O teu sentido caminho.
Tenho vindo a descobrir que existem outros ramos de árvore que nunca avistei, e para um espírito inquieto, não desisto enquanto não os alcançar. Se são frágeis e perecíveis ao meu peso? Emagreço. Simples. Mas eu vou chegar lá, e antes que me dê conta, já me soergui do canto onde me acomodei e busco as mil maneiras de o alcançar.
"a Felicidade é constituída por breves momentos." Vejo diferente. São muitos momentos, deixam até de ser momentos para ser um estado de alma, de disposição para abraçar o todo que se nos apresenta lá no topo da árvore. Porque hei-de admirar apenas um ângulo da visão que se me oferece, quando há tantos cantos e recantos especiais que encontro? Porque não colectá-los a todos? Podemos, sabia? Todos. E os momentos felizes estendem-se a realidades. E saem do grilhão que nos aprisiona os sonhos. Nem só o sonho fica, nem só ele pode ficar, apenas porque cada um de nós quer mais. E sim, esse lado adormecido desperta, a felicidade aterra, e o protagonismo dá-se para cada um de nós.




sexta-feira, 31 de julho de 2015

os perfeitinhos do séc. XXI

Diga-me: começa o dia a sorrir para uma nova manhã ou a correr para a balança à espera do milagre matutino? Pela sua saúde, tenha juízo! 
Existem balzaquianas gorduchinhas, até nas personagens ficcionadas que povoam a nossa mente, como uma maravilhosa Bridget Jones, a sentimentalona desastrada (isto quando a actriz Renée Zellweger tinha cara e corpo de Bridget) ou uma bem desenhada Princesa Fiona que escolhe ser feia, gorda (e verde!) contrariamente aos cânones de beleza vigente, e contudo é linda! Então entre tantas das muitas mulheres com corpos pouco danone, respeito as que desrespeitam as regras, as que quebram o padrão, as que são como são, o que as torna (a meu ver) nas verdadeiras wonder woman deste século.

Porque motivo ser-se magrinha é bonitinho, ou até sinónimo de elegância? Não sabe? Pasme-se com a resposta: porque dá trabalho.

Explico: Se em tempos idos ter acesso a alimentação variada e em abundância tinha uma conotação de status (apenas para alguns privilegiados), quando o reverso da moeda (passar fome) era o espectável, então nessa época ter-se um aspecto nutrido era difícil e considerado o supra sumo da batata frita. 
Hoje é o contrário. Com toda a revolução industrial e industrializada, ficou fácil, temos à disposição uma panóplia fantástica de alimentos, do saudável ao hidrogenado. E cada um (ou uma) de nós é uno nas suas escolhas alimentares, nas que fazemos a cada momento, sejam as conscientes, sejam as da gula ou da palermice aguda. É aquela compulsão de comer uma batata frita seguida de outra, logo de outra, e não parar até às migalhas do fundinho. Apesar de não serem as opções mais correctas, empanturramo-nos - optamos com muita ligeireza pela facilidade do 'saciar', e já nem falo apenas de alimentação ou do cliché da falta de auto-estima ou ter muitos gatos: É o equilíbrio. E esse reside no âmago de cada um de nós. 
Hoje tem um peso demasiado exacerbado o peso que cada um tem. Eu? Voto no bem estar. Conseguir rondar esse bem estar, enroscar mente, alma e corpo numa harmonia que atingida não pode ser partilhada, antes sentida, faz com que ditames de revistas e imposições photoshopadas se reduzam à sua insignificância: se cada um (uma) se sente bem num 40, 42, porquê a guerrilha do 34, vá 36...? Excesso de peso?, ou excesso de zelo? Bom senso é que não é. E depois... 'Mente sã em corpo são' não é o slogan de um qualquer ginásio de moda, daqueles que a malta frequenta para bombar corpos saciando-se de modas, inflando biceps despropositados e egos megalómanos. 
E os postiços...? Ele é unhas, pestanas e cabelos quilométricos, ou maminhas e barriguitas de adolescente, tudo se compra, corta e alinhava. Tudo devidamente uniformizado para não escaparem ao modelito vigente. A originalidade é hoje um conceito esquisito. Ahhhhh, devem ser artistas... aí tudo cola convenientemente no figurino, não é? 
E os sorrisos??? Ceifam-se milhares de sorrisos únicos, com lábios assoprados por agulhinhas, aqueles sorrisos encantadores com um dente sobreposto ou outro tortinho que lhe conferia aquele ar engraçado, e essa unicidade perde para um pré-formatado sorriso pepsodent igualzinho a todos os outros que foram manietados com araminhos e elásticos.
Saciar o insaciável. Descartar o descartável. E logo a batata frita seguinte. Vive-se de um ideal que passamos nas redes sociais como uma realidade maximizada enquanto se esconde na sombra do tamanho desse perfil criado e alimentado a pão-de-ló.
São as linhas de conduta que os nossos dias exigem, ou melhor dizendo, escolhas que fazemos em função de metas que nos são propostas de forma subliminar, em nome de uma satisfação despida e imediatista.


Difícil, difícil? É vestir um 34, vá 32. Difícil é ter tanta comida à disposição e mandarmos a dona Gula evitá-la. 
Na nossa sociedade temos esse paradoxo de o social, o convívio ser em torno de uma mesa de refeição, vá... de petiscos. Amigos, e acepipes deliciosos para trincar. E depois endeusa-se a magrela que come uma folha de alface (a que fica com um humor de cão) e condena-se com um olhar uma anafadinha na montra de uma pastelaria (a que tem a gargalhada descompromissada). 
Teorias há que se batem com este novo modelo e a emancipação das mulheres. Como?, subjugando-as. Libertaram-se do jugo, foi? Tomem lá outro. Vamos inventar um novo sacrifício para as prender a um ideal que vão ter dificuldade extrema de atingir. Vamos pô-las doidinhas sem se aperceberem como e de onde esse sentimento de inadequação surgiu. Vamos às dietas loucas, às operações plásticas, toca a emagrecerem para terem credibilidade, para serem aceites. E ai das que desobedeçam, porque o rótulo salta mais rápido que os impropérios. 
Hoje não se fala em voluptuosidade, mas de implantes, esqueceram-se da sensualidade das curvas, da força de mãe-natureza que cada mulher possui: somos montanhas, vales, rios. Valoriza-se covinhas e saboneteiras nas omoplatas, conta-se as costelas, dá-se assustadoramente valor à ausência de valores.
"Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão pela beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina".
Naomi Wolf
Hoje temos o fenómeno da Lua Azul... a minha amiga Rosa Barros desafiou-me há pouco, e desafio cada uma das minhas leitoras e amigas a celebrar-se junto com a Lua num pequeno ritual, seja com mais mulheres ou então a solo. Mas entregue-se, deixe fluir, desamarre as suas asas em final de julho e simplesmente voe. O que realmente conta é celebrar-se junto à Lua, é permitir-se voltar às raízes do feminino. Não sabe como fazer? Apenas dance... somos todo, somos uno, somos essa fluidez da vida, esses movimentos!!!

E temos Agosto aí. Eu? Estou arco-íris. Planeio de todo o coração abraçar este mês que entra, estou fisicamente de braços abertos com todo o meu ser receptivo à chegada do meu filho Pedro :) para o nosso Agosto feliz em arco-íris. E sim, comecei o dia a sorrir, e agora depois de muitooooo escrever, estou confiante, finalmente em paz.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Consciencializar 365 dias ao ano

Ontem, na correira do meu dia-a-dia e distraída com meus pensamentos, ao assomar uma entrada para um ATM percepcionei mais pela visão lateral - porque na verdade nem quis olhar de frente - um casal, em que um dos homens estava encostado à parede, e o outro debruçado sobre ele, abraçava e beijava-o. Foi uma escolha momentânea, eu sei, não quis olhar para não parecer preconceito da minha parte (até porque assim não sou, não me considero) e na verdade fui-o em grande escala. 
Não tendo usado o MB dentro do banco por ser exclusivo para os 'da casa' dirigi-me novamente ao fora de portas onde tinha acabado de passar pelo casal. Fiquei sem reacção... uma querida amiga minha e companheira de muitos anos nesta nossa atribulada vida de mães de autistas cumprimenta-me: «Olá Ana!» Continuei sem reacção sem querer acreditar no que todos os meus sentidos já me gritavam e gelei por me sentir tão estupidamente horrorizada com o meu anterior pensamento. 
No momento seguinte estava rodeada pelo marido e o filho autista, também já adulto, como o meu, que me deu um carinhoso beijo bem babado. 
Eram pai e filho encostados ali naquela parede em que julguei precipitada e preconceituosamente! 
Consegui esboçar as palavras habituais num ritual de cumprimento, mas percebi a estranheza da minha pouco habitual efusividade no olhar inquiritivo da minha amiga, mas estava ainda naquele torpor perturbador do que acabara de sentir e estava tão indignada comigo mesma que simplesmente fiquei queda, sem acção. Pouco habitual em mim, é certo. Tanto a quietude no abraço e sorriso fraterno quanto a estupefacção do sentir-me preconceituosa. 
Sai daquele breve encontro perturbada. O filho dos meus amigos está um homem de 1,70 e muitos de altura, tal como o meu filho, num primeiro olhar estes bebés grandes - como os vemos - não o são nem o parecem aos olhos de quem os não conhece, ou desconhece o significado ampliado da palavra autismo. 
O meu filho abraça-me, amassa-me, beija-me na boca na rua, ou então publicamente mexo-lhe amiudamente na braguilha para o compor (sempre aberta!) e sei que o olhar que têm para connosco é idêntico ao que eu mesma fiz com os meus amigos. Convivo com isso e respondo pondo as pessoas no sítio apenas com um olhar. Simples, habituei-me. Mas não me conformei. Não me vou conformar nunca. 
A falta de informação sobre esta população e suas famílias é gritante, sim. Eu sou a que agarro as pessoas pelo braço e pergunto, está a olhar? Não sabe o que é uma pessoa com autismo? Venha cá que eu explico. Da próxima vez que se deparar com outra pessoa com autismo, pelo menos questione-se antes de julgar e vai entender as reacções que não são habituais ver, as frases proferidas em voz alto ou fora de contexto, todo um mundo que lhe parece estranho apenas porque o desconhece. Venha cá que eu explico! E explico, tranquilamente. E faço muitas acções de sensibilização muitos dias após ou antes o 2 de Abril, e sei que o farei a vida toda. Consciencializar, consciencializar, consciencializar, sempre! 365 dias ao ano. Em algum momento chegamos lá. É uma certeza em mim. Em muitos de nós. 
Aos meus queridos amigos que se vão reconhecer quando lerem este texto, peço-vos perdão. Eu não fiz o que peço ao mundo: Que olhem com atenção para as reacções inusitadas de uma pessoa com autismo antes de as julgarem.


sábado, 14 de fevereiro de 2015

O ruído do dia dos namorados

Há datas comemorativas que repetidamente acabo por escrever aqui e ali o quanto me irritam e, à cabeça, está a do dia dos namorados, ou como gosto de chamar: o Dia-Oficial-do-Manel-levar-a-Maria-à-rua. É de resto um dos textos do meu livro, MAL ME QUERO (podem lê-lo aqui, basta clicar no link). 
E pergunto: Mas porque raio só se pode namorar num dia (ou num serão) em que os comerciantes portugueses se resolveram apropriar de uma ideia americanizada que tem à partida um sentido mais lato? 
Bem sei que há quem me leva a mal por blasfemar continuadamente sobre a hipocrisia que é haver um dia para namorar, mas convenhamos, não é por levar uma vida a solo que me podem equiparar a um padre a dar conselhos matrimoniais no altar, afinal, dêem-me esse voto de confiança, já que o tal voto de castidade nunca o fiz, e segundo me lembro, afirma-se peremptoriamente que até os bichinhos gostam. Então porquê haver apenas e só um dia para celebrar um namoro, um relacionamento, um casamento??? Não entendo, juro que não.

Art of Noise - Moments in love

O "ruído" em torno deste dia oficial incomoda-me sobremaneira, como só se pudesse provar a nobreza de sentimentos ofertando um menu comme il faut, para degustar de faca e garfo: lingerie kinky (que faria um Mr. Grey corar), ou pior ainda, enveredando pela linha fofinha - ursinhos de peluche (grandes e felpudos de preferência), frases bacocas (pré-escritas por um qualquer criativo desalentado) e sempre, sempre sob uma patética e aborrecida chuva de coraçãozinhos encarnados, pétalas de rosa ou o previsível empratamento de morangos fora de época com sabor a esferovite enxertados em cortiça.
Sabemos que um relacionamento, seja namoro ou casamento, é muitas vezes atraiçoado pela cadência morna que a rotina sabe ter, que como o cliché diz, é uma flor que necessita cuidados diários, tem de ser regada todos os dias - Todos os dias!, não em dia de data marcada! Pergunto: Têm todos de demonstrar o seu sentir da mesma maneira à mesma hora que todos os casais do mundo? Ai que aborrecimento! Não resta nenhum espaço para uma imaginação galopante?
Num artigo interessante que li há dias (podem ler clicando aqui), afirmavam que apenas a Bondade e a Generosidade podem salvar um casamento. Ora, digo eu, poderá ser tão redutor quanto a minha teoria da tríade Amor-Confiança-Respeito, mas deixando imperar o bom senso, num relacionamento onde  o 'casamento' destes cinco elementos exista, merece tudo de bom.
Eu não acredito no 'foram felizes para sempre', mas acredito que se possa construir a dois uma base em que se seja feliz a cada dia de sua vida juntos, seja eterno enquanto dure ou que dure eternamente.
A felicidade não é um elemento estático que aterra e se queda de sorriso aparvalhado a nosso lado. - "Pronto, cheguei!! Agora, tens de ser feliz!" - É apenas constituída por breves momentos, já a vida nos ensinou, não foi?
Se tivermos dois palmos de testa, bondade no coração, e sim, convém que não seja como na anedota do alentejano, a que o compadre pergunta ao noivo enquanto lhe compõe o lenço de gravata: "atão, Maneli, vais casar ca Maria por interesse ou por amori?" o Manel pensa, matuta, franze o sobrolho e responde após uma looooonga pausa: "Ahh compadre, há-de ser por amori, qu'eu cá interesse na gaja nã tênho nenhum!",
então respeitando quem se escolheu para estar a seu lado, amando até os defeitos tontos que se diluíram no tempo e na vontade superior de estarem juntos, parece-me uma boa receita condimentada q.b. com um ternurento sentido de humor.
Que haverá zangas? Ahhh! certamente. Eu acredito em almas gémeas. Mesmo. Não creio que, por agitar uma varinha de condão, as duas pessoas se transformam em uno, como os cães que dizem que se parecem com seus donos ao longo de certo tempo. Trata-se de dois seres humanos, duas cabeças, dois seres que pensam e são diferentes, ou parecidos, ou mesmo muito parecidos, mas nunca perdem a sua unicidade. E se se zangarem? E então? Ora, entra aqui a tríade-maravilha em acção: o respeito e a confiança no amor nunca podem ser quebrados. Nunca. Disso estou absolutamente convicta. E se for  para ser quebrado (bom... lá está a imaginação galopante ou então o sentido de humor a funcionar), então... se for para ser quebrado, que seja apenas esta sugestão bonita, original e sim, divertida, que aqui vos deixo de seguida, para pôr um fim a uma briga matrimonial.
Cumplicidade. Digo eu que é o que faz falta a muita malta. Sentem-se, conversem, olhem-se nos olhos e não me lixem a dizer que não têm tempo. Deixem a casa por limpar, não lavem o carro ao sábado de manhã e fiquem mas é na caminha a namorar. E isto, malta, não é para se aplicar só ao raio deste sábado dia 14 de Fevereiro!
E sejam felizes, caramba, isto é tão curto... Aproveitem a vossa vida sem medos, de sorriso e braços abertos, sem ser comme il faut de garfo e faca.
Leram (ou releram) ontem o Dia-Oficial-do-Manel-levar-a-Maria-à-rua? Lembram-se da última parte? Eu confesso, gosto particularmente desta minha frase:
“Há é uma forma diferente de ver e viver a vida, o que nos torna loucos aos olhos dos que levam uma vidinha triste e sem sabor. A nossa, sabe a morangos com chocolate, até, quem sabe, sake e wasabi, se e quando deixamos a parte picante entrar na nossa vida.”

Termino com as palavras do escritor Jorge C. Ferreira que me deixaram sem fôlego (Luís Osório diz que é o melhor escritor não publicado que conhece). Todos os dias publica na sua conta de facebook textos encantadores. Descubram-no.  



sábado, 17 de janeiro de 2015

Mamã

32 anos hoje. 
Saudade sim. Do que não vivemos. Do que não viste. Tens quatro netos, sabias? Desconfio que sim. Eu senti-te por perto, tantas, muitas vezes.
Trinta anos, demorei a fazer o luto. Demoraste em mim. Só foste quando me sentiste bem. Obrigada por teres ficado quando perdi o fulgor.
Sabes? Sabes. Amo-te.
Até depois.




domingo, 4 de maio de 2014

Dia da Mãe

Dia difícil para quem não tem mãe, não tem avó e todas as minhas referências maternais se diluíram no tempo e no espaço que a desabrida saudade alberga. 
Mas a vida, a dor, ensinaram-me, devagarinho que se consegue manter a cabeça à tona, reinventando a família perdida em outros novos relacionamentos que se investe e dá seus frutos. Diz o povo que os Amigos são a família que escolhemos, e tenho muito presente cada pessoa que tem passado pela minha vida e o papel que desempenha ou desempenhou. Quem como eu vive com o autismo tão presente, sabe como sua permanência - que deveria ser perene - é terrivelmente perecível, e eu, aprendi simplesmente a usufruir do momento que uno é capaz de se dar. 
O Dia da Mãe, tal como seria suposto ser celebrado, não existe na minha vida. E se durante anos lutei contra a falta da minha, chegou um dia a altura na vida de ser Mãe, mas ainda assim, como sabemos, foi tudo ao lado.

Uma vez só na vida, uma amiga grávida ao invés de se distanciar, desejou ter um filho como o meu Pedro. Foi um momento abençoado que a doce Mel Sanroman me deu, sem saber o imenso valor que teria para mim, jamais vou esquecer... escrevi essa história num post quasi-intimista, e podem ler aqui

Um ano só na vida, tive um dominical dia da Mãe "como seria suposto" ser celebrado: o meu querido amigo Henrique, num rapto consentido, proporcionou-nos esse dia especial. Recordo que refilei o tempo todo, seria algo postiço e sem valor, mas fez-me ver o contrário: ainda hoje guardo os presentes que deu ao Pedro para me oferecer nesse dia, com maior carinho que os de outros anos, guardo a memória do passeio, da conversa, do que me disse - e sim, foi definitivamente especial, único. 
Então este ano quero dedicar este dia a uma mãe e uma filha, como poderia ser eu e minha mãe. A amizade que tenho com a Lelê Guedes é igualmente única, sem explicação, somos ambas pessoas muito intensas na forma de sentir o sentido da vida, seremos irmãs ou mãe uma da outra, o que lhe quiserem chamar. Hoje, dar-lhe nome, não tem qualquer importância. Mas a razão de hoje, a minha comemoração com o meu doce Pedro ser partilhada com as duas, é apenas por a relação que ambas têm, poder ter sido a minha e de minha Mãe. 
Exactamente por não ser comemorado no mesmo domingo, a Bia e a Lelê vão assim ganhar um dia extra nas suas vidas de Mãe e Filha, dos muitos Dias da Mãe, que ainda vão viver e comemorar nas suas doces vidas.
Feliz dia da Mãe, desta feita oferecido de coração, minhas queridas Bia e Lelê Guedes!


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sexo no Autismo, acontece...?

Perguntava naturalmente a Lucília ao Pedro se já tinha namorada. "EU não!!," respondeu com aquele ar absolutamente imperturbado, "e depois tinha de fazer sexo com ela...!!" 
Claro que é anedótico e nos rimos as duas - por vezes as mães de autistas riem de coisas muito diferentes - mas se olharmos com seriedade para cada detalhe na convivência com um miúdo autista, podemos retirar aprendizagens inusitadas.
Então os autistas não gostam de sexo?
Se até os bichinhos gostam...
Lá entramos de novo nas terras pantanosas dos tabus de que não se fala, não se diz. Pois, mas eu falo, questiono outras famílias, quero saber.
Com o meu filho fica fácil, porque sempre me contou tudo, mas resguardo as nossas conversas. Que servem de base para construir a personagem autista Xico? Sem dúvida que recheio as falas e pensamentos do Xico com as frases excepcionais do meu Pedro, mas o leitor nunca sabe se é o meu processo criativo, se é copy-paste do real. Benefícios de quem connosco priva, apenas.
Mas os autistas, são assexuados, é isso? Não. Ora, seria tão simplista...
Pela minha observação constato que na deficiência o preconceito impera, se confunde sexo com sexualidade, que os julgam erroneamente por um todo, e que decididamente são ou assexuados ou hiperssexualidados!!! Não se pode colocar numa só sacola tantas existências, tantas formas de ser e ver o mundo. Não me canso de repetir que formulam o mundo num olhar diferente tanto dos neurotípicos como dos seus pares, e se a vida é absorvida de maneira tão original, porque encarariam esse quesito em bloco de forma una?
No livro "AUTISTA, QUEM...? EU?" para além do Xico, mencionei um senhor dentro do espectro do autismo que até tinha conseguido casar e ter uma vida conjugal, mas que a determinada altura se decidiu divorciar, e ao anunciá-lo a sua mulher, esta chorou. Resposta dele? "Não te preocupes, eu arranjo outra..." Mais uma vez o nosso olhar neurotípico acha hilário, mas o twist prende-se num detalhe único que faz toda a diferença. A intimidade. O toque. O dar e receber. O pensar no outro. O amar o outro.
É tudo tão arredio do autismo...
É natural pensar: são assexuados. Mas o lado físico da pessoa com autismo cresce e nas idades certas acontece o mesmo que nos neurotípicos. Então acontece muitas vezes o negar a sexualidade, o infantilizar das atitudes e um virar a cara no outro sentido. Para mim não faz sentido.
Sei que o meu filho já esteve verdadeiramente apaixonado - não vos vou contar detalhes, mas sentiu as tais borboletas no estômago, sofreu ao se ver trocado e foi à luta pelo que pretendia. Visto aos olhos da normalidade?, seria mais um de tantos namoricos, mas foi para mim emocionante e também muito divertido presenciar a ausência de malícia sem joguinhos de sedução e directos no ponto. Autistas até à quinta casa!, mas terrivelmente coerentes e correctos. Foi uma lição. Vi o meu filho feliz. E isso sim, para mim fez todo o sentido.
A forma como a sociedade repudia e estigmatiza as manifestações sexualizadas a estas pessoas, causa-me uma certa revolta. Muitas das acções que consideram ter uma carga sexual, as que não são pelos neurotípicos encaradas como tal, vá... vou considerar como um piropo: é inofensivo e até nos faz sorrir.
 (imagem de dois actores brasileiros não-autistas)  
Há quem passe por nós e nos afague os cabelos, ou simplesmente nos cheire os ombros. De notar que no autismo as sensações, as texturas, o odor, os sentidos são exacerbados, têm uma maneira tão diferente de sentir que tenho dificuldade em aceitar que determinado gesto tem uma conotação sexualizada. Terá? E que seja...! Incomoda-me? Não. Deixo-me ser tocada, cheirada, afagada. Gosto dessa proximidade que é momentânea e por vezes, mágica. Já outros gestos ou acções denotam o que identificamos com clareza: uma erecção, ou a intenção de passarem a mão pelo peito. Como reajo? Afasto a mãozinha antes de chegar lá como faria a qualquer neurotípico! 
Se pensarmos quantos ditos normais existem com transtornos inadequados para consolidarem um relacionamento amoroso... Porque todos nós temos pontos menos bons, quantas vezes nem disso somos totalmente conscientes ou racionais, e no entanto esses factos não interferem negativamente na satisfação entre um casal. No autismo - especialmente nos indivíduos com Síndrome de Asperger - pode até haver um desejo de ir ao encontro do outro e, porque não?, de ser amado, mas não haverá motivação suficiente porque acreditam que, se o fizerem, serão estigmatizados a partir dos padrões que lhes são impostos, por seus cuidadores e pela sociedade no geral. 
Tenho pena que não se invista no amor e sexualidade no universo autístico e simplesmente se entre no facilitismo de lhes prescrever medicação para 'acalmar as hormonas'.  A meu ver, não se deveria infantilizar adultos. Têm direito à sua vida plena. Mais. Esta minha interrogação acerca do poder do amor e dos relacionamentos amorosos ser uma das improváveis mas possíveis soluções, vindo a abrir a porta ao desenvolvimento de comportamentos  sócio-comportamentais adequados e porque não, melhoramento dos cognitivos, apenas porque estão felizes...? Não seria caso de se ponderar sobre o que aconteceria?



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro

autoria de Yohane Sanfer
«Não sei se viro 
 menina, se viro mãe, 
se viro todas.  
 Se viro artista, 
 se viro vento 
 ou viajante 
 viro santa 
 ou viro doida 
Quem sabe viro onça, 
viro a mesa, 
 viro a página, 
 viro a vida do avesso 
 e viro outras 
 Sim, 
 eu me viro.» 

Recomeço, tomando as arrebatadoras palavras de Yohane Sanfer, uma jovem escritora que está agora por estes dias a lançar – da boca pra dentro – o seu primeiro livro, para, de caminho, aproveitar para lhe desejar S-O-R-T-E, que não esqueçam o seu nome, e que a leiam, esta miúda escreve pra caraças!


Recomeço agradecendo, é Setembro, tempo de virar a página, de respirar, de prosseguir, de viver. A todos quantos, de uma forma ou de outra, nos deram a mão, e foram muitas as mãos dadas em nosso redor, estou-vos muito grata! 



domingo, 11 de novembro de 2012

um post quasi-intimista

Num dos meus outros blogs, de entre os mais que muitos em que me disperso a escrever, trago hoje um post recentemente publicado no Cor do Ar. E por ser um post que fugiu do tom de quasi-palhaça que uso nesse meu blog e ter o tom quasi-intimista deste, publico aqui o conteúdo do último tema do desafio ARRANJEI UM 31, originário do nosso grupo maravilha E o esmalte da semana é... (provavelmente o melhor grupo do FB)

Chegámos ao último desafio e afinal não arranjei nenhum 31, mas sim um hobby que me tranquiliza o espírito e me deixa voar a alma nas inúmeras voltas da criatividade. Não acreditei que teria a disciplina de pintar durante 31 semanas uma manicure, quantas vezes adoidada, original ou improvável de me ver, na maioria das vezes o encontro com a Dona Acetona era imediato e sem tempo para 3º grau após a foto necessária para comprovar o feito.
E já agora, aviso:
Este post, ahhh este vou escrever no meu Português de Portugal. 

Nos últimos 23 anos da minha vida posso dizer que orgulhosamente sou mãe de uma pessoa linda: possui um bom coração, tem valores, personalidade e sentido de humor. Ser uma boa pessoa, seria – sem dúvida – o que deveria definir o meu filho Pedro, não o seu autismo. O Pedro existe para além do autismo, foi criança, foi adolescente, é adulto, com um sorriso lindo de viver, o seu peculiar olhar de esguelha com que enfrenta o mundo que o rodeia e com uma percepção da realidade que vai muito para além do esperado ‘numa pessoa como ele’… mas pergunto-me tanta vez se todos os autistas são diferentes, o que se poderia esperar do conceito tolo de uma pessoa como ele???
Se estão a pensar até este momento que a homenagem é para o meu filho, vá lá, meninas... desenganem-se!, tirem essa carinha de ownnn porque parece, mas não é para meu Pedro!!! Acho que o fiz nos desafios #FLORIPA e #FÉRIAS com mais ênfase. 
Aqui e agora, a homenagem vai para uma outra pessoa (que neste momento são duas: explico), para alguém que transporta literalmente outra pessoa consigo. Exactamente, a minha homenagem é a uma mãe grávida. É para a Mel. Tal como a analogia desta foto que o Pedrinho me tirou antes de acabar a mani, a homenagem é para um Pedro que ainda está a ser “acabado” e “retocado” e está prestes a ser mostrado ao mundo. 
A doce Mel (e que me perdoem esta redundância) diz-me frequentemente uma frase que me arrepia, me comove até ao mais profundo do meu âmago e, dei-me conta, por tanto me repetir, este sentir apenas acontece porque nunca me foi dito por outra pessoa em toda a minha vida de mãe. A Mel tem uma menina linda, a Aninha e está agora à espera de um menino, que será um Pedro. 
Brinca de uma forma muito carinhosa por serem os nossos nomes, meu e de meu filho, e vai mais além de tudo e de todos ao afirmar que gostaria que o seu Pedro seja como o meu.
Eu sei que fala do carácter, da personalidade, da pessoa que o meu filho é, e fico tão, mas tão grata por ouvi-la cada uma das vezes que o repete… nunca tive esta conversa com a Mel, vai lê-lo aqui, mas há 23 anos que as grávidas ‘fogem’ de mim, como se o autismo se contagiasse por proximidade, não querem nem partilhar nem saber, e eu melhor que todo o mundo entendo esse medo estático debaixo da pele, entranhado silenciosamente na alma de cada futura mãe, fico triste com cada afastamento de mim, mas até aceito. Fiquei particularmente triste quando uma das minhas amigas mais chegadas (e minha cunhada) desapareceu da minha vida durante as gravidezes. Eu entendi, como entendi!!, no caso, o medo seria bem mais real que com qualquer outra amiga (porque poderia acontecer-lhe visto ser genético), mas a nossa amizade baloiçou e, eu Ana, não tenho culpa de um medo de que tb sou escrava, que também mudou a minha vida. 
A Mel Sanroman está grávida e não tem medo de me dizer: «Eu quero que o meu Pedro seja como o seu.» E comove-me ouvi-la, comove-me escrevê-lo, não tenho nem sei onde encontrar palavras para poder agradecer alguém que não tenha medo e me diga por fim o que não esperava ouvir nunca, que a Mel consiga ver o meu filho para além do autismo!!, logo nos 9 meses de gestação que as hormonas andam loucas, se fica mais vulnerável, susceptivel e tudo o mais… a Mel tem de ter uma paz imensa com ela para poder conseguir ter essa leveza de sentimentos. Eu fico grata para além do razoável, para além do que possa dizer, escrever, chorar ou sentir. Para o teu Pedro, querida Mel, desejo – em primeiro lugar e mais do que tudo – que seja saudável (rijo como um pêro, como diziam os antigos). Filho de uma MÃE de alma tão generosa quanto a tua… a ser verdade que as crianças escolhem as mães que vão ter nesta vida – a ser verdade, porque eu não sei se assim será – então este Pedro soube escolher uma pessoa de bem, para o acolher, mimar, educar e amar. 


E para ti, Mel, desejo toda, mas toda a felicidade que houver nessa vida, daquela com sabor de fruta mordida, daquela que se tem a sorte viver como na belíssima música da Cássia Eller que fala de um amor tranquilo. Desejo-te uma vida muito feliz, minha doce Mel. Obrigada.




sábado, 11 de agosto de 2012

SAUDADE II

Há quem nos deixe, com a sua partida, uma tristeza impossível de ser aferida, moldada, compartimentada, sarada. E fica  imensa saudade do que ficou por dizer, fazer, viver.


Trovante - Saudade

 

Saudade
Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Chegou hoje no correio a notícia
É preciso avisar por esses povos
Que turbulências e ventos se aproximam
Ahhh, cuidado...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

Foi chão que deu uvas, alguém disse
Umas porém colhe-se o trigo, faz-se o pão
E se ouvimos os contos de um tinto velho
Ahhh, bebemos a saudade...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...

E vem o dia em que dobramos os nossos cabos
Da Roca a S. Vicente em Boa Esperança
E de poder vaguear com as ondas
Ahhh, saudades do futuro...

Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...


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